quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Crítica – How to Get Away With Murder: 4ª Temporada

Análise Crítica – How to Get Away With Murder: 4ª Temporada


Review – How to Get Away With Murder: 4ª Temporada
Quando escrevi sobre a terceira temporada de How to Get Away With Murder mencionei que a série estava se perdendo em tramas mal concebidas e soluções desonestas, talvez indicando que seu fôlego criativo estava acabando. Essa quarta temporada, no entanto, mostra que a série ainda pode render, ainda que não atinja o alto nível dos dois primeiros anos.

A trama começa com Annalise (Viola Davis) tentando reconstruir sua vida depois dos eventos da temporada anterior. Ela demite todos os seus estagiários e funcionários, incluindo a dedicada Bonnie (Liza Weil), e decide reconstruir sua carreira sozinha. A decisão deixa Connor (Jack Falahee), Michaela (Aja Naomi King), Asher (Matt McGorry) e Laurel (Karla Souza) longe dos problemas dela, mas isso não significa que suas vidas ficarão tranquilas. Como Laurel sabe que foi seu pai o responsável pela morte de Wes (Alfred Enoch), ela pede ajuda aos colegas para conseguir provas do crime.

A mudança na dinâmica dos personagens já no primeiro episódio ajuda a dar um frescor à narrativa ao quebrar o molde que vinha sendo duramente seguido até então, funcionando quase como um leve reboot. A alteração também permite explorar facetas dos personagens que até então não tinham sido exploradas, em especial ao tentar entender quem são essas pessoas quando não estão sob a influência de Annalise. Isso faz os personagens se perguntarem o que eles querem ser enquanto advogados e lhes dá novos direcionamentos.

Nem todos os personagens conseguem fazer isso funcionar. Frank (Charlie Weber) continua sofrendo pelas inconsistências do roteiro, que em um momento decide que ele é um sujeito frio e pragmático para em outro torná-lo um moleque instável e chorão, tal qual aconteceu na temporada anterior. Outro personagem que nunca envolve é Isaac (Jimmy Smits), o terapeuta de Annalise. O sujeito é tão exageradamente instável e desde a primeira consulta tão envolvido com Annalise que me pergunto como o sujeito conseguia clinicar ou como ninguém percebeu que alguém com um universo mental tão turbulento não deveria ser responsável pela saúde mental de outros. Além disso, ele acaba tendo pouco impacto nas tramas principais, funcionando mais como um dispositivo de roteiro para que Annalise possa vocalizar seus problemas.

Annalise, por sua vez, continua sendo o ponto alto da série. Se na temporada anterior vimos a personagem ser sobrepujada por sua dor e sentimento de culpa, aqui a vemos lutando para reencontrar seu propósito e, como de costume, Viola Davis é ótima em nos mostrar tanto a resiliência quanto fragilidade da protagonista. O episódio em que Annalise se encontra com a Olivia Pope (Kerry Washington) de Scandal poderia ser um mero fanservice, mas é usado para desenvolver ambas e mostrar como essas mulheres tem muito a aprender uma com a outra.

Além da investigação sobre a morte de Wes, a narrativa também traz Annalise em uma longa batalha judicial envolvendo direitos civis, na qual a série aborda o sistemático encarceramento da população negra e estruturas de poder racistas do país. O problema é que a questão é resolvida fácil e rápido demais, bastando um discurso de Annalise na Suprema Corte para ela vencer, como se a resolução de décadas de políticas públicas fosse tão simples.

A temporada é hábil em criar suspense e nos manter envolvidos nas reviravoltas, evitando boa parte dos expedientes desonestos da temporada anterior. Não há muita novidade em termos de estrutura, mantendo o formato de narrar tudo em flashbacks nos primeiros episódios até chegar ao presente por volta do meio da temporada, mas ao menos mostra que a série não perdeu a mão na sua capacidade de manter a intriga em alta. Por outro lado, a explicação sobre o motivo do assassinato de Wes soa mirabolante demais, afinal se ele apenas queria proteger a reputação de Laurel (e consequentemente de sua empresa) e tinha o promotor no bolso, ele não poderia simplesmente fazer o promotor enterrar o processo ao invés de matar Wes para evitar a delação dele? Isso só confirma minha impressão de que o final da terceira temporada foi pensado mais para provocar um choque gratuito ao trazer um culpado completamente inesperado do que algo com uma trama coesa em mente.

Melhorando depois dos equívocos do ano anterior, a quarta temporada de How To Get Away With Murder acerta por levar seus personagens em novas direções, ainda que não seja o suficiente para se igualar aos melhores anos da série.


Nota: 7/10

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