sábado, 31 de março de 2018

Crítica - Desventuras em Série: 2ª Temporada


Análise Desventuras em Série: 2ª Temporada


Review Desventuras em Série: 2ª TemporadaEssa segunda temporada de Desventuras em Série demora um pouco a engrenar. Depois dos oito episódios da primeira temporada, era de esperar que a série levasse seus personagens a novas direções, mas boa parte desse segundo ano repete os mesmos padrões da temporada de estreia.

Esse novo conjunto de episódios começa no ponto em que o ano anterior terminou, com Klaus (Louis Hynes), Violet (Malina Weissman) e Sunny (Presley Smith) deixados em um colégio interno. Logicamente, a chegada ao colégio não significa o fim dos infortúnios dos Baudelaire e o Conde Olaf (Neil Patrick Harris) logo os encontra para tentar mais uma vez tomar conta de sua fortuna.

A questão é que os seis primeiros episódios seguem à risca a fórmula estabelecida na primeira temporada. Os Baudelaire chegam a um novo local, o Conde Olaf aparece sob algum disfarce, os adultos se recusam a perceber que é o vilão, os irmãos são enredados em alguma armadilha até que removem o disfarce de Olaf e convencem a todos da identidade do vilão. Assim, é difícil afastar a sensação de estar comendo uma janta requentada e que tudo é uma repetição das mesmas coisas que já vimos.

O terceiro e quarto episódio se saem melhor em relação aos primeiros seis dessa temporada ao conseguirem apresentar personagens divertidos na forma dos dois ricaços interpretados por Tony Hale e Lucy Punch. A luxuosa cobertura habitada pelo abastado casal também se diferencia dos ambientes cinzentos e decadentes que permeiam as desventuras dos Baudelaire ao apresentar cenários cheios de luz e com uma estética de art déco.

Outra boa adição é o Jacques Snicket vivido por Nathan Fillion. A canastrice do ator e sua cadência de fala peculiar caem como uma luva no universo excêntrico da série, funcionando tanto como fonte de humor como para aprofundar a mitologia da série ao fornecer algumas explicações sobre o funcionamento da sociedade secreta com a qual os pais dos Baudelaire estavam envolvidos.

A narrativa recupera seu fôlego nos últimos quatro episódios ao apresentar mais respostas para os mistérios que até então a trama tinha se esforçado pouco para explicar e também ao colocar os protagonistas para enfrentarem diretamente o Conde Olaf, inclusive usando as mesmas tácticas do vilão contra ele, como seu uso de disfarces. Tal como na temporada anterior, o design de cenários, que remete às estéticas góticas e expressionistas, ajuda a transmitir o clima de fantasia e infortúnio que permeia a história ao conceber espaços bizarros e dilapidados nos quais predominam tons de cinza e marrom.

O elenco continua afiado. Neil Patrick Harris permanece acertando no equilíbrio entre ameaçador e ridículo do Conde Olaf, além de ter mais algumas oportunidades de exibir seu talento musical em alguns números de canto e dança. Do mesmo modo, os garotos Baudelaire são eficientes ao evocar a natureza engenhosa de seus personagens. Patrick Warburton, por outro lado, é prejudicado por um texto que não consegue oferecer os mesmos solilóquios divertidos, cheios de jogos de palavras sagazes, da temporada anterior. O ator é ótimo no modo como se dirige ao público, mas o texto não é tão arguto quanto antes e nem todas as tentativas de humor do personagem funcionam como deveriam.

No fim das contas, essa segunda temporada de Desventuras em Série demora um pouco de engrenar graças ao seu apego à fórmula do primeiro ano, mas continua a oferecer uma aventura divertida e cheia de excentricidade.

Nota: 7/10


Trailer

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