quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Crítica - Sherlock: The Lying Detective (S04E02)

Análise Sherlock: The Lying Detective (S04E02)


Review Sherlock: The Lying Detective (S04E02)
Depois de um retorno problemático com The Six Thatchers, a quarta temporada de Sherlock parece voltar aos eixos e ao alto nível de qualidade que se espera da série com este tenso Thr Lying Detective.

A trama, baseada no conto O Detetive Moribundo (The Dying Detective em inglês) começa algum tempo depois dos eventos do episódio anterior, com Sherlock (Benedict Cumberbatch) e Watson (Martin Freeman) distantes um do outro, tendo que lidar com os eventos do episódio anterior e perdidos em suas espirais de autodestruição. Watson tem visões com Mary (Amanda Abbington), enquanto Holmes se entrega ao consumo de drogas e se enterra em trabalho. Os problemas começam quando Holmes aparentemente recebe a visita de Faith (Gina Bramhill), filha de Culverton Smith (Toby Jones), uma poderosa personalidade da televisão. A jovem conta ao detetive que suspeita que seu pai seja um serial killer e assim ele inicia sua investigação. Como Sherlock está mentalmente incapaz de lidar sozinho com um oponente tão brilhante e dissimulado, ele, ou melhor, a Sra. Hudson (Una Stubbs), pede ajuda a Watson, apelando para o senso de dever e correção moral do médico.

O episódio faz um ótimo trabalho em deixar o público imerso na alucinada mente de Holmes, nos mostrando seu complexo processo de raciocínio e como estes são atrapalhados pelos efeitos das drogas. Ao nos colocar na mente do detetive, também nos mostra o quão afastado da realidade ele está, plantando a dúvida se a suspeita de Sherlock em relação a Culverton é de fato real ou se tudo não passa de um delírio do investigador.

Essa sensação de constante dúvida e incerteza é amplificada pela interpretação ambígua de Toby Jones que flutua entre o psicopata calculista que cada frase traz uma ameaça velada e um mero ególatra esquisitão que apenas quer usar tudo aquilo para catapultar sua carreira. O jogo de gato e rato entre ele e Holmes é construído com habilidade e ficamos até os últimos minutos em suspense sobre o que pode acontecer. Com toda a tensão crescente do episódio, o roteiro é inteligente em salpicar aqui e ali alguns instantes cômicos, a maioria envolvendo a Sra. Hudson, da revelação envolvendo seu carro ao momento em que ela "enquadra" Mycroft, suas cenas fornecem um bem vindo respiro a todo o suspense, ao mesmo tempo em que ajudam a desenvolver uma personagem que passou muito tempo em escanteio.

A cisão entre Sherlock e Watson no episódio anterior continua a ser trabalhada aqui. Com o médico aceitando ajudar Holmes mais pelo seu senso de dever e ética médica, constantemente duvidando das intenções do aliado. Ao longo do episódio Watson vai deixando transparecer suas constante frustrações com Holmes e que eles vêm de antes do que aconteceu com Mary (ele inclusive cita o período que o detetive esteve "morto"), dando vazão à toda sua raiva no instante em que julga que o parceiro perdeu a cabeça. A raiva que Watson sente do amigo vai aos poucos sendo desvelada como uma projeção da raiva que ele sente de si mesmo por ter ocultado de Mary o "caso" que teve durante o primeiro episódio e o fato de não se sentir à altura da esposa. Depois de tudo que acontece, a trama ainda consegue inserir um intrigante gancho nos seus últimos minutos, mostrando forças poderosas convergindo sobre a dupla de protagonistas.

Com este The Lying Detective a série não apenas entrega um mistério superior ao antecessor em ritmo, suspense e resoluções, mas também aprofunda nosso entendimento sobre os personagens que habitam este universo e pavimenta o caminho para um final de temporada que pode ser ainda mais intenso.


Nota: 8/10

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