sábado, 12 de novembro de 2016

Crítica - A História Real de um Assassino Falso

Análise A História Real de um Assassino Falso


Review A História Real de um Assassino Falso
"Porque continuo insistindo nisso?". Essa foi a pergunta que constantemente pulava em minha mente conforme avançava assistindo a este A História Real de um Assassino Falso. Uma comédia de ação produzida pela Netflix tão rasa e preguiçosa que o prospecto de simplesmente deixar de assistir era altamente sedutor.

O filme acompanha Sam (Kevin James), um homem infeliz com sua vida que encontra uma medida de alegria ao tentar escrever um livro de ação e espionagem. Ele usa seu alter-ego literário para projetar suas frustrações e se reimagina como um herói de ação infalível. Seu livro, no entanto, é constantemente rejeitado e a única pessoa disposta a publicá-lo é uma maluca editora de livros digitais. Sem alternativas, Sam aceita, mas a editora resolve tratar seu livro como uma autobiografia para alavancar as vendas. Obviamente, muitas pessoas acham que ele é um assassino real e a partir daí, Sam entra em muitas confusões.

Kevin James faz o mesmo tipo de idiota atrapalhado que faz em todos os seus filmes. Boa parte das piadas são gags óbvias que parecem escritas por aquele seu tio que sempre conta as mesmas piadas nos almoços de domingo, mas se acha um exímio comediante. Os poucos momentos engraçados são os que estão no trailer e mesmo suas tentativas em brincar com os clichês dos filmes de ação passam longe da sagacidade ou do nonsense de comédias bem mais divertidas como Chumbo Grosso (2007) ou Segurando as Pontas (2008).

A policial Rosa (Zulay Renao) inicialmente parece quebrar o padrão de "mulheres troféu" que é comum nas comédias protagonizadas por James (e também nas que faz com seu chapa Adam Sandler), se mostrando como uma agente poderosa e competente. Da metade do filme em diante, no entanto, ela acaba reduzida a uma mera donzela em perigo a ser resgatada pelo protagonista. Além disso, sua força existe apenas para ressaltar a incompetência de James, criando piadinhas do tipo "olha, ele foi superado por uma garota" que não tem mais razão de existir em pleno 2016.

Se a frente da comédia não funciona, a da ação não se sai muito melhor. Os embates são pouco criativos e burocráticos, prejudicados ainda por um excesso de cortes (certamente por causa da inaptidão física de James) que deixa seu fluxo truncado e pouco dinâmico. Isso sem mencionar alguns chroma keys e efeitos de computação gráfica bem toscos. A trama ainda conta com algumas reviravoltas previsíveis (a identidade do Fantasma real é pra lá de óbvia) e outras que só existem para que o filme tenha a duração de um longa metragem e não acrescentam muita coisa.

No fim das contas, A História Real de um Assassino Falso não funciona nem como comédia, nem como filme de ação, apresentando uma reciclagem de piadas velhas que já vimos melhor executadas e cenas de ação sem ritmo ou empolgação.


Nota: 3/10

Trailer:

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