domingo, 6 de novembro de 2016

Crítica - Dragon Ball Xenoverse 2

Review Dragon Ball Xenoverse 2


Resenha Dragon Ball Xenoverse 2
O primeiro Dragon Ball Xenoverse chamava a atenção por oferecer uma nova história dentro do universo da franquia, trazendo a inédita vilã Towa e seu guerreiro Mira que viajavam pelo tempo tentando roubar o poder dos guerreiros Z. O jogador criava um personagem dentre as principais raças deste universo, podendo customizá-lo com equipamentos e habilidades e partia por uma viagem através do tempo ao lado de Trunks.

Era uma trama que trazia certo frescor à franquia (embora a ideia de criar o próprio personagem já tivesse aparecido no fraco Ultimate Tenkaichi) e encantava pela possibilidade de ver seu próprio guerreiro lutando ao lado dos personagens famosos, ainda que faltasse polimento em vários aspectos. Pois este Dragon Ball Xenoverse 2 não só corrige muitos dos problemas do original como expande a narrativa e adiciona algumas novas ideias. Não é irretocável como Budakai Tenkaichi 3, que considero o melhor da franquia, mas certamente é um dos melhores jogos deste universo em muito tempo.

A trama traz de volta os vilões Towa e Mira, que continuam a tentar adquirir mais poder, desta vez acompanhados pelos vilões dos filmes como Lord Slug e Janemba, além de um misterioso aliado chamado de Saiyajin Mascarado (cuja identidade é, na verdade, bastante previsível). Assim, seu patrulheiro do tempo (novamente um personagem criado e customizado pelo jogador) precisa novamente viajar através de diferentes linhas temporais ao lado de Trunks e seu patrulheiro do game anterior (é possível importar o save) para corrigir as distorções causadas pelos vilões.

A cidade de Conton City é bem maior que a do primeiro jogo, precisando de um veículo ou mesmo do poder de vôo de seu personagem para ser explorada mais facilmente. Além de todas as atividades de antes, o jogo também traz as "redomas" temporais, que permitem visitar certas localidades icônicas como a Corporação Cápsula, a casa do Patriarca de Namekusei ou mesmo a nave de Freeza. Lá é possível fazer missões para diferentes personagens obtendo itens, equipamentos e também ampliando a proximidade com cada uma dessas facções e ter todas no máximo é necessário para ver o verdadeiro final do jogo.

Outra novidade são as missões especializadas no qual seis personagens (se você não estiver online para chamar outros jogadores, o jogo coloca NPCs para te ajudar) precisam enfrentar um único e poderoso inimigo. Essas missões trazem algumas novas mecânicas como o inimigo poder controlar os jogadores, a necessidade de destruir cristais que dão poder ao inimigo e mandam aliados para outra dimensão e mais alguns objetivos específicos. Existem versões mais difíceis disso chamadas Raids que acontecem durante um tempo limitado e só podem ser feitas online com outros jogadores (uma delas me colocou para enfrentar Baby Vegeta em sua forma de macaco gigante).

A jogabilidade foi melhorada e melhor balanceada do que no primeiro. Existem mais opções e variações de combos e contra-ataques e as diferentes raças estão mais equilibradas. Cada uma agora tem sua própria transformação e os super saiyajins estão menos apelões, já que não podem mais soltar golpes especiais livremente e ao invés disso recebem bônus em seus ataques físicos e golpes especiais. Sem mencionar que agora é possível ir até o super saiyajin 3. As opções de customização são ainda maiores com mais equipamentos, acessórios e habilidades para seu personagem.

As missões paralelas também funcionam melhor que antes. Se no primeiro muitas vezes o jogo não registrava o cumprimento dos objetivos secundários das missões, o que resultava em frustrantes e precoces términos que diminuíam as chances de conseguir o melhor loot, agora isso não mais acontece e cumprir todos os objetivos sempre (pelo menos em todo o meu tempo com o jogo) te leva ao "final verdadeiro" da missão".

Falando em loot, a taxa de drop é mais generosa nas missões paralelas. Se no primeiro Xenoverse eu poderia fazer a mesma missão uma dezena de vezes cumprindo todos os objetivos e ainda assim não ganhar nenhum dos itens que aparecia na lista da missão, aqui isso não acontece. Em geral, terminar a missão cumprindo todos os objetivos sempre me rendia ao menos um item ou habilidade da lista. Assim, o jogador sempre leva algo, mas ao mesmo tempo sempre tem razões para voltar à missão e pegar os itens que faltam, ao invés de sair de mãos abanando mais da metade do tempo.

O sistema de mestre, no qual o jogador se torna discípulo dos famosos personagens do universo Dragon Ball, também retorna e está muito menos aleatório e os critérios para o avanço nas "aulas" são mais claramente estabelecidos. Não é preciso mais cruzar os dedos e torcer para que seu mestre desejado surja aleatoriamente no mapa, todos os mestres estão sempre presentes em Conton City (alguns só aparecem quando você avança em determinadas missões da história principal, no entanto) e podem ser acessados sempre que o jogador quiser. A aptidão do jogador em aprender os golpes é determinada pela sua "turma" (iniciante, intermediário e por aí vai) com os testes de progressão para categorias maiores ficando disponíveis conforme o jogador sobe o nível de seu personagem.

A progressão de personagem também está mais fácil, já que agora ele te informa para que serve cada atributo e em quais aspectos da jogabilidade eles impactam, algo simples, mas que inexplicavelmente ficou de fora do primeiro jogo. Igualmente simples, mas muito bem vindo, são os ícones dos portais de teletransporte nas missões que se passam em múltiplo cenários. Agora um indicadores aparecem na tela mostrando os portais disponíveis e aqueles necessários para o progresso na missão brilham em verde, o que evita que o jogador perca tempo precioso procurando os portais (algumas missões tem como objetivo secundário o término em um tempo específico) ou visitando os lugares errados.

Há um problema, no entanto, que não foi consertado: a câmera. Ela continua tão atroz e prejudicial quanto no primeiro jogo, rendendo muitos momentos de pura frustração. A câmera não é apenas incapaz de acompanhar a velocidade dos combates, como parece programada para adotar os piores ângulos possíveis, constantemente induzindo o jogador ao erro ao fazer parecer que um inimigo está próximo quando na verdade está distante ou diretamente à sua frente quando está mais à esquerda ou à direita.

Eu perdi a conta do número de vezes que meu personagem socou numa direção diametralmente oposta à do inimigo simplesmente porque a câmera dava a impressão de que o adversário estava em uma posição diferente da que realmente ocupava em relação a mim. Com combates tão velozes, esse tipo de erro de perspectiva te deixa aberto a contra ataques devastadores, sendo altamente frustrante apanhar só porque a câmera do jogo não consegue te mostrar onde seu inimigo está.

Outra coisa é a falta de um quest log para registrar as pequenas missões secundárias obtidas dos NPCs de Conton City, que lhe pedem itens, o cumprimento de missões específicas ou de um determinado número de missões, entre outros objetivos, em troca de dinheiro, equipamentos, habilidades ou emotes. Várias vezes durante o jogo eu precisava voltar aos NPCs simplesmente por não conseguir lembrar das demandas de cada um deles e a presença de um catálogo que registrasse essas pequenas missões evitaria tudo isso. Há também alguns problemas da tradução em português, com personagens aparecendo com nomes diferentes a cada vez que encontrava com eles (em um momento o vilão Cell tinha seu nome traduzido literalmente, sendo chamado de Célula) e algumas caixas de diálogo surgindo em espanhol, mas é tão pouco que não chega realmente a atrapalhar a experiência.

Mesmo com sua parcela de problemas Dragon Ball Xenoverse 2 é uma continuação que amplia e melhora em quase tudo de seu antecessor e traz um ótima expansão ao universo criado por Akira Toriyama.


Nota: 8/10

Obs: O jogo está disponível para PS4, Xbox One e PC.

Trailer:

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