terça-feira, 9 de agosto de 2016

Crítica - Um Espião e Meio

Análise Um Espião e Meio


Review Um Espião e Meio
Dwayne "The Rock" Johnson nem sempre escolhe os melhores projetos, mas seu carisma ajuda a transformar produtos que seriam completamente inócuos e sem personalidade em coisas minimamente toleráveis, como aconteceu em filmes como Terremoto: A Falha de San Andreas (2015) ou O Acordo (2013). Esse Um Espião e Meio não chega a ser tão banal quanto os citados anteriormente, mas se ele funciona é justamente pelo carisma de Johnson e sua química com seu parceiro de cena Kevin Hart.

Na trama, Calvin (Kevin Hart) é um contador infeliz com os rumos que sua vida levou, pensando que talvez tenha atingido seu ápice no colegial. Tudo muda quando a reunião de vinte anos de formatura se aproxima e ele reencontra Bob (Dwayne "The Rock" Johnson), um antigo colega que era constantemente vítima de bullying por sua obesidade e que agora ficou em forma e se tornou agente da CIA. Assim, Calvin acaba sendo acidentalmente levado por Bob em uma aventura de espionagem internacional cheia de agentes duplos e segredos sendo vendidos.

Johnson traz uma medida de inadequação social a Bob, deixando claro que ele é um sujeito solitário, que não teve muitos amigos e não sabe exatamente lidar com as pessoas. Isso, somado ao seu otimismo e energia quase que infantis e essa mistura de falta de noção e ingenuidade é responsável pelos momentos mais engraçados do filme. Já Kevin Hart traz a mesma persona verborrágica que costuma usar em seus trabalhos cômicos e funciona bem, apesar de repetitivo, além de estabelecer uma amizade bem genuína com The Rock.

Algumas gags e piadas são bastante previsíveis, como a cena em que Bob pede a Calvin que dê um de seus saltos mortais que fazia no colégio e assim que ele faz o pedido fica evidente que ele irá cair de cara no chão. Aqui e ali, no entanto, consegue trazer algumas ideias realmente inesperadas, como o momento que Johnson luta usando uma banana.

Além disso acerta ao tratar temas delicados com a seriedade que merecem, a exemplo do bullying. Quando Bob reencontra o valentão que o humilhava na escola, imaginamos que ele imediatamente irá à desforra, afinal o sujeito não é páreo para o porte físico atual dele. Bob, no entanto, fica paralisado e sem ação, demonstrando o quanto o trauma do bullying pode ser profundo e deixar marcas por muito tempo. Claro que ele eventualmente dá ao valentão o que ele merece e é divertido quando acontece, mas o filme é inteligente ao não simplificar a questão e isso torna a "revanche" de Bob ainda mais merecida quando acontece.

A revelação da aparência atual da antiga paixão de escola também é bastante acertada, afinal seria fácil dizer que ela simplesmente virou uma "gostosona" que atende aos padrões de beleza das revistas masculinas, mas ao invés disso a mantém praticamente igual ao que era na juventude e deixando claro que Bob continua apaixonado por ela, desconstruindo o excesso de importância dado aos padrões estéticos massivamente disseminados e construídos.

A trama de espionagem é bem básica, mas acaba se complicando mais do que necessário com muitas reviravoltas rocambolescas que tentam criar suspense e dúvida onde não há nenhuma das duas coisas (é evidente que The Rock é o mocinho). Algumas revelações são previsíveis e os vilões não chegam a realmente posar uma ameaça para Bob.

Mesmo não sendo nenhum primor, Um Espião e Meio consegue funcionar como uma diversão sem maiores pretensões graças ao carisma e a química de The Rock e Kevin Hart.


Nota: 6/10

Trailer

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