quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Crítica - Exorcistas do Vaticano

 
Algumas semanas atrás falei do péssimo terror A Forca e como ele era completamente incapaz de criar qualquer medo ou tensão graças a uma trama frouxa e personagens pouco interessantes. Agora me deparo com este Exorcistas do Vaticano, um péssimo terror que, mais uma vez, é completamente incapaz de criar qualquer medo ou tensão graças a uma trama frouxa e personagens pouco interessantes.
 
Sim, eu copiei e colei parte da primeira fase na segunda, mas, bem, se o filme nem se esforça para cumprir o mínimo daquilo que promete, porque eu deveria? Sim, este é relativamente diferente de A Forca, já que o primeiro é um "found footage" e esse está mais próximo de um "filme de exorcismo", tal qual O Exorcista (1973), O Exorcismo de Emily Rose (2005) ou O Último Exorcismo (2010, que ironicamente teve uma continuação), mas a preguiça e o piloto automático imperam tanto em A Forca  quanto neste Exorcistas do Vaticano. A diferença é que muitos dos momentos de terror deste filme são involuntariamente engraçados. Fico me perguntando como filmes como esse chegam tão fácil aos cinemas enquanto que bons exemplares do gênero como The Babadook ou Corrente do Mal (que parece que finalmente irá estrear no fim de agosto) demoram tanto a chegar por aqui.

Na trama, a jovem Angela (Olivia Dudley) começa a vivenciar situações estranhas, ao mesmo tempo em que seu namorado e seu pai (Dougray Scott) começam a suspeitar que a jovem está se comportando de modo estranho. Quando os tratamentos convencionais falham, acabam recorrendo a dois padres para exorcizá-la.

O filme demonstra uma inabilidade em criar qualquer atmosfera de medo, tensão ou incerteza ao deixar claro já em seus primeiros minutos que Angela está possuída para então voltar no tempo e mostrar o que aconteceu com ela. O filme poderia jogar com nossas expectativas e incertezas se simplesmente começássemos a acompanhar os estranhos eventos sem uma dimensão exata do que estava acontecendo, mas ao explicitar o que ocorre, tudo se torna óbvio e cada susto se torna previsível. Além disso, não faz qualquer esforço para construir Angela (ou seu pai ou seu namorado) enquanto uma personagem minimamente simpática,  na verdade sabemos muito pouco sobre ela, então fica difícil se importar com o destino de qualquer um deles quando não passam de caricaturas.

Como já foi dito, muitos momentos de terror acabam provocando riso devido aos péssimos efeitos especiais como a cena em que os olhos de Angela viram ao contrário ou quando ela põe ovos pela boca. Eram para ser imagens incômodas, feitas para produzir agonia, mas ao invés disso apenas fazem rir. Alguns momentos são também prejudicados pela direção como a cena em que ela incita o caos em um manicômio e os internos começam a ferir uns aos outros. Deveria ser tenso ou impactante, mas a montagem epilética e a câmera desnecessariamente tremida tornam tudo tão bagunçado que jamais conseguimos sequer perceber a organização espacial dessas pessoas em um cômodo fechado. O único instante realmente tenso é quando ela tenta afogar um bebê, mas é mais pelo uso de uma muleta afetiva (afinal ninguém quer ver bebês morrendo) do que pela construção da cena em si.

Além disso, o filme nega a própria lógica ao colocar um padre para dizer que o anticristo quer passar por nós despercebido, sem que suspeitemos de sua existência, sendo que durante o filme inteiro a protagonista ira causar desastres e morte em todos os lugares pelo qual passa. Se o demônio quer realmente passar despercebido, não seria melhor ser um pouco mais discreto?

Outra coisa que incomoda é o moralismo retrógrado do filme ao estabelecer as razões pelas quais Angela foi "escolhida" pelo anticristo, como o fato de ser filha de uma prostituta (em oposição a Cristo que nasceu de uma virgem) ou de dividir uma casa (e cama) com um homem sem ser casada e, fundamentalmente, por ser mulher. Afinal, se o Cristo era divino e nascido homem, seu oposto, o mal, deve ser mulher, certo? Claro, já que foi uma mulher que, segundo o evangelho, cometeu o pecado original, então, sob a lógica retrógrada e absurdamente machista do filme, uma mulher seria o símbolo básico do pecado e do mal, principalmente uma que nasceu de uma prostituta (como se isso tornasse alguém inerentemente maligna) e que se deita com um homem fora do sacramento do matrimônio. Nem mesmo O Exorcista, um filme de mais de quarenta anos, era tão repreensível do ponto de vista moral quanto este.

Todo esse monte de baboseira e absurdo ainda culmina em um final risível no qual os padres restantes descem a uma espécie de "batcaverna divina" enquanto assistem a ascensão do anticristo e se preparam para a combatê-lo. Se bem que um filme assumidamente absurdo sobre padres lutando com o anticristo seria infinitamente mais divertido que esse aqui.

A uma certa altura de Exorcistas do Vaticano um personagem fura os próprios olhos com lâmpadas de vidro. O momento traduz perfeitamente o sentimento que é experimentado ao assistir esse filme.

Nota: 2/10

2 comentários:

Soy Sofia Maror disse...

Estou muito medo e me assustou-me que sim. Geralmente eu achar que Exorcistas No Vaticano, é um filme que é lançado em uma queda livre de bater a cada clichês imagináveis em uma história de horror. De tudo isso, o mais interessante é uma cena em que ela cospe três ovos que representam a Santíssima Trindade. Poderíamos dizer que há material para contar uma história interessante, mas certamente com intenções não é suficiente. "As Fitas do Vaticano" poderia ter tido melhor destino se o tom geral do filme era crua e cheia de deboche.

Lucas Ravazzano disse...

Que bom que você gostou Sofia, infelizmente não funcionou pra mim e eu mais dei risada do que fiquei com medo...