segunda-feira, 31 de maio de 2021

Crítica – Cruella

 

Análise Crítica – Cruella

Review – Cruella
Não estava lá muito empolgado para este Cruella, tentativa da Disney de contar a origem da vilã de 101 Dálmatas (1961), que chegou a ser interpretada nos cinemas por Glenn Close. Meu principal temor é que fizessem com a vilã o mesmo que fizeram como Malévola nos filmes estrelados por Angelina Jolie, removendo a maldade da personagem e tratando-a mais como uma vítima incompreendida do que alguém que se regozija na própria maldade. Felizmente isso não acontece tanto aqui, com o filme conseguindo manter a natureza implacável de Cruella ao mesmo tempo em que nos dá razões para torcer por ela.

A trama se passa na década de 60 e segue a jovem Cruella (Emma Stone) vivendo de pequenos golpes ao lado dos amigos Gaspar (Joel Fry) e Horácio (Paul Walter Hauser) até conseguir uma oportunidade de trabalhar na butique mais luxuosa de Londres, a que vende as roupas da Baronesa (Emma Thompson), a mais importante estilista do país. Querendo se tornar uma designer de moda, Cruella começa a trabalhar para a Baronesa, mas logo descobre informações surpreendentes sobre seu passado.

Emma Stone faz de Cruella uma jovem engenhosa e criativa que sabe ser implacável e cruel com quem se coloca em seu caminho, fazendo qualquer coisa para cumprir seus objetivos. É a megera debochada e sarcástica que já tínhamos conhecido de outras versões da personagem, mas com um pouco mais de humanidade já que, por exemplo, ela não está disposta a matar sua inimiga ou não mata cachorros para fazer casacos. Emma Thompson, por sua vez, rouba a cena com a presença imponente da Baronesa, uma mulher esnobe, egocêntrica, autocentrada e tão megera que faz Cruella parecer uma boa pessoa por comparação. A veterana atriz é excelente em compor a presença imponente e autoritária da Baronesa, alguém que comanda atenção e subserviência de todos ao seu redor.

Além da dupla principal, o design de produção é outro ponto alto do filme. As roupas, os grandes salões e os espaços das butiques criam uma atmosfera envolvente de luxo, requinte e opulência que cercam essas personagens. Como a narrativa se passa no que parece ser o final da década de 60, Cruella se vale de roupas que remetem ao punk rock e servem para ilustrar a natureza rebelde, agressiva da protagonista. O rock britânico também aparece na trilha musical, com o uso de canções de bandas como Queen, The Clash ou The Doors que ajudam a transmitir o clima da época e o zeitgeist cultural ao qual a moda criada por Cruella está conectada.

Alguns cenários digitais, por outro lago, como o jardim à beira do penhasco na mansão da Baronesa, soam incomodamente artificiais e quebram um pouco da imersão no que, de outro modo, é uma recriação competente da Londres sessentista. As revelações sobre o passado de Cruella acabam sendo um pouco previsíveis e produzem alguns furos. Se o mordomo (Mark Strong) sabia a real origem dela desde a infância, porque nunca ajudou a garota ou a mãe adotiva dela? Além disso, o plano final de Cruella durante o clímax soa mirabolante demais, com direito a um vestido com paraquedas embutido que parece saído de um filme antigo de James Bond. É algo que destoa completamente do regime de verossimilhança que a trama estabeleceu para si até então.

Ainda assim, Cruella vale a pena pela sua concepção visual e o talento das duas atrizes principais em construir um duelo de megeras que é delicioso de assistir.

 

Nota: 7/10


Trailer

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