segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Lixo Extraordinário – Dragonball Evolution


Análise Crítica - Dragonball Evolution


Review - Dragonball Evolution
O cinema hollywoodiano não é exatamente gentil com os animes japoneses. Adaptações feitas nos Estados Unidos constantemente rendem produtos que variam entre o fraco, como Alita: Anjo de Combate (2019), A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell (2017); o ruim, como Death Note (2017), e o péssimo, a exemplo deste Dragonball Evolution.
                       
Muitos reclamam do quanto Dragonball Evolution é distante do mangá e do anime, mas a falta de fidelidade visual até seria perdoável se o filme fosse capaz de criar uma trama que fosse interessante ou personagens com algum carisma, mas não é o caso. A narrativa, tal como no anime, parte da premissa da busca pelas Esferas do Dragão, que concederia um desejo a quem as reunisse. Aqui, no entanto, a mitologia é construída de maneira confusa, envolvendo o retorno do Rei Piccolo (James Marsters) e uma profecia sobre o Oozaru e mais uma série de outros elementos que tornam o que era uma narrativa relativamente simples em algo mais bagunçado do que deveria.

Os personagens não eram exatamente poços de complexidade no anime, mas nem tudo que funciona em uma animação, funciona em live action, e aqui todos os personagens, de Goku (Justin Chatwin) ao mestre Kame (Chow Yun Fat), todos soam como caricaturas grosseiras, inclusive em relação às suas versões do anime e do mangá. O humor que era característico de Dragon Ball é substituído aqui por piadas que mais envergonham do que fazem rir. A única personagem com um mínimo de carisma acaba sendo a Bulma interpretada por Emmy Rossum. Claro, ainda seria possível fazer esses personagens se o texto fosse capaz de injetar algum calor humano ou empatia neles, como fizeram as Wachowskis no subestimado Speed Racer (2008), no qual mesmo os personagens sendo rasos é possível perceber um sentimento verdadeiro neles, o que facilita a empatia.

A ação explosiva e grandiloquente que também é parte essencial da personalidade da franquia está completamente ausente, sendo substituída por embates que soam como uma cópia genérica da franquia Matrix e de O Último Mestre do Ar (2010). Sim, Dragonball Evolution foi lançado primeiro que a adaptação cinematográfica da animação Avatar, mas aqui o Mestre Kame já se referia às técnicas de ki usadas pelos lutadores deste universo como técnicas de “dobrar o ar”, remetendo ao universo habitado por Aang tanto na animação (Avatar) quanto na versão para os cinemas (O Último Mestre do Ar).

Além da falta de personalidade, falta também agilidade, empolgação e grandiosidade, nunca nos convencendo de que estamos diante de guerreiros poderosos. Por conta das escolhas de como exibir visualmente as habilidades dos personagens, durante boa parte do tempo mais parece que eles estão arremessando peidos com as mãos do que disparando poderosos ataques de energia. Na verdade, toda a construção visual é bastante tosca, dos figurinos ao cenários, fazendo os personagens parecerem um bando de cosplayers (e olha que já vi cosplays bem melhores e mais elaborados que os figurinos desse filme) brincando no quintal de alguém com roupas improvisadas com os itens que tinham em casa.

Os problemas de Dragonball Evolution vão além da falta de fidelidade ao material original, mas por ser um produto desprovido de personalidade, imitando a esmo vários elementos de blockbusters do período, personagens sem graça e uma produção capenga que não consegue dar conta da grandiloquência que o material exige, soando mais como um fan film. É um dos maiores atos de agressão dos Estados Unidos contra o Japão desde Hiroshima e Nagasaki.

Trailer

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