segunda-feira, 13 de maio de 2019

Crítica – John Wick 3: Parabellum


Análise Crítica – John Wick 3: Parabellum


Review – John Wick 3: Parabellum
John Wick: Um Novo Dia Para Matar (2017) encerrou prometendo uma guerra aberta entre John (Keanu Reeves) e todo o submundo dos assassinos. Este John Wick 3: Parabellum entrega exatamente aquilo que o final do anterior prometia, entregando uma corrida desesperada por sobrevivência.

Caçado onde quer que vá, John precisa encontrar o misterioso Ancião, uma figura ainda mais poderosa que a Alta Cúpula das famílias criminosas que controlam todo o submundo do crime. Para isso, John precisará da ajuda de Sofia (Halle Berry), uma antiga conhecida que deve um favor a John.

Tal como os outros dois filmes é uma trama bem simples, mas o fato de ser simples não significa que o filme não tem nada a dizer. Há muito aqui sobre a questão de regras, responsabilidade e consequência, sobre como qualquer grupo social, mesmo uma sombria sociedade de criminosos, precisa de regras para resistir à completa barbárie.

Neste filme, mais do que nos anteriores, fica claro que há um desequilíbrio de poder nessas regras, que a Alta Cúpula, aqueles que ditam as regras, detém todo o poder e constroem as regras para manterem e consolidarem seu próprio poder. Não deixa de ser uma metáfora para a própria sociedade, sua necessidade de regras e como as elites financeiras e políticas costumeiramente legislam em causa própria. O discurso sobre ação e consequência também pode ser associado às indeléveis marcas deixadas pela violência, tanto que comete quanto quem sofre, e como essas marcas inevitavelmente transformam e guiam o destino dos indivíduos.

O diretor Chad Stahelski ainda encontra espaço em meio a toda a ação para ponderar sobre a questão da performance corporal deste tipo de filme. Nas cenas que envolvem a matriarca russa interpretada por Angelica Huston, as falas da personagem sobre o balé, sobre os sacrifícios físicos das dançarinas para alcançar uma performance arrebatadora com seus corpos, encontra eco no próprio trabalho dos dublês ao longo desses três filmes.

É como se Stalhelski estivesse nos lembrando que, tal como na dança, há um grande esforço artístico na construção dessas cenas de ação, da coreografia de luta ao treinamento físico dos dublês, sendo esse trabalho uma performance corporal feita para impressionar seu espectador através de um espetáculo coreografado de corpos em movimento.

A ação, por sinal, continua excelente e é impressionante como o filme é criativo na maioria de seus embates. Da tensa luta de facas no início, passando por uma perseguição com John Wick a cavalo, além da perseguição de motos feita quase toda em um plano sequência, é possível ver claramente o esmero e a entrega da equipe em criar todas essas cenas e da direção de Stahelski em valorizar o trabalho dos seus dublês. É como se o filme tentasse passar por todo tipo possível de cena e filme de ação, buscando referências desde os antigos filmes de caubói dos anos 40 e 50, passando pelos filmes orientais de artes marciais da década de 70 aos tiroteios explosivos dos filmes de ação oitentistas.

O clímax, por outro lado, traz muita coisa que já vimos nos dois primeiros filmes. O tiroteio com as forças da Cúpula sob fortes luzes neon remete ao tiroteio na boate do primeiro filme, por mais que os capangas da Cúpula ofereçam sua própria forma de desafio ao protagonista por conta de seus equipamentos blindados, ainda assim fica a sensação de que já vimos isso antes. O mesmo pode ser dito da luta com Zero (Mark Dacascos) em uma sala de espelhos, que remete muito ao clímax do segundo filme. Claro, tudo é tão bem executado que continua empolgando, mas não deixa de parecer que a franquia está se repetindo um pouco.

A narrativa aproveita para ampliar ainda mais o nosso entendimento de como funciona todo aquele universo de assassinos, continuando a criar um mundo cheio de personalidade própria habitado por personagens bastante pitorescos. Um exemplo é o vilão Zero, que inicialmente parece o típico assassino silencioso, mas assim que interage com John, Zero se comporta como um fã deslumbrado conhecendo o ídolo. Também temos acesso a um pequeno vislumbre sobre as origens de John através do contato dele com a matriarca da máfia russa interpretada por Angelica Huston.

Por outro lado, o desfecho decepciona por ser demasiadamente aberto, soando mais como um filme incompleto do que uma história com começo, meio e fim que resolve deixar um gancho para continuação. Eu sei que esse filme nunca chegou a ser exatamente anunciado como o último ou como o término da história de John, mas eu esperava que pelo menos a trama encerrasse o arco que construiu até aqui ao invés de empurrar tudo com a barriga para um próximo filme. Boas histórias precisam ter um fim e eu sinceramente espero que Chad Stahelski resolva encerrar o percurso de John enquanto ainda existe fôlego criativo na franquia e não se entregue a incontáveis continuações só para continuar faturando.

John Wick 3: Parabellum é um ótimo filme de ação que continua a expandir seu universo, ainda que seu encerramento abrupto e recusa em dar um desfecho à história me deixe preocupado quanto ao futuro da franquia.


Nota: 8/10


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