terça-feira, 12 de junho de 2018

Crítica – Sol da Meia-Noite


Análise Crítica – Sol da Meia-Noite


Resenha Crítica – Sol da Meia-Noite
Katie (Bella Thorne) é uma garota que sofre de uma rara (e real) doença chamada Xeroderma Pigmentosum (ou XP) na qual seu corpo é incapaz de processar a absorção de raios ultravioletas, o que significa que a exposição ao sol é potencialmente fatal para ela. Ela cresce estudando em casa tendo o pai, Jack (Rob Riggle), e observando o vizinho Charle (Patrick Schwarzenegger, filho do Arnold) por sua janela com proteção UV. Essa é a premissa inicial deste Sol da Meia-Noite, adaptação hollywoodiana de um filme japonês de 2006 sobre o mesmo tema, sendo que no Japão a incidência de XP na população é mais comum.

Como era de se imaginar, Katie eventualmente conhece Charlie pessoalmente quando vai tocar violão à noite da estação de trem de sua cidade. O filme segue a mesma cartilha das histórias de amor adolescente envolvendo jovens moribundos de obras como A Culpa é das Estrelas (2014), mas sem a mesma emoção ou charme. Segue também boa parte dos lugares comuns de filmes adolescentes, como a quase obrigatória cena da mocinha descendo as escadas de casa em câmera lenta toda arrumada para sua primeira festa arrancando suspiros do pai e da melhor amiga, algo que esse tipo de película faz desde os anos oitenta e já foi parodiado em comédias como Não é Mais um Besteirol Americano (2001).

A narrativa tem uma boa dose de incoerências e problemas de roteiro. Em uma narração no início do filme, Katie nos conta que quando era pequena as crianças da vizinhança inventavam boatos a respeito dela, chamando-a de vampira. Quando Charlie a leva em casa pela primeira vez e percebe que moravam na mesma rua, no entanto, ele parece não ter memória nenhuma sobre a história da “menina vampira” e apenas acha estranho que nunca a tenha visto. Era de se imaginar que a informação do bullying que Katie sofreu na infância repercutisse de algum modo na trama, com Charlie lembrando em algum momento das histórias e associando elas ao fato de só encontrar Katie à noite, mas nada disso acontece.

Quando previsivelmente Katie e Charlie passam a noite juntos e ela percebe que o sol está para nascer, o evento acaba não tendo a conotação trágica que deveria, já que soa mais como um incidente facilmente evitável, fruto da estupidez de Katie em se recusar a contar sobre sua doença para Charlie. Além disso, a decisão final de Katie em sair de barco com Charlie é tratada de maneira apressada e leviana pelo filme, diminuindo o impacto de uma escolha tão extrema e fazendo-a soar como algo feito meramente para levar o público ao choro. Se filmes como A Culpa é das Estrelas (2014) e Como Eu Era Antes de Você (2016) foram capazes de usar a jornada trágica de seus personagens para nos lembrar do valor da vida e aproveitar ao máximo nossas experiências (nos emocionando no processo), Sol da Meia-Noite parece não ter outra preocupação além de extrair nossas lágrimas, se valendo de situações forçadas e furos de roteiro para atingir esse fim.

Não ajuda que o romance do casal protagonista seja tão apático. Os diálogos carecem da esperteza e senso de humor de outros filmes similares (como os dois citados no parágrafo anterior), enquanto que os dois atores, careçam de expressividade e carisma, confiando apenas que sua boa aparência seja o suficiente para manter o público interessado. Por outro lado Rob Riggle, ator comumente associado a papéis mais cômicos, traz uma inesperada ternura e calor humano para o pai de Katie, convencendo do afeto que ele tem pela filha e da dor sentida quando ela começa a definhar durante o terço final da projeção.

No fim, Sol da Meia-Noite é prejudicado pela falta de carisma do casal protagonista,  sendo convencional e manipulativo demais para conseguir emocionar.


Nota: 4/10

Trailer

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