sexta-feira, 9 de março de 2018

Crítica - 12 Heróis


Análise 12 Heróis


Review 12 Strong
Já foram feitos inúmeros filmes sobre as histórias reais dos soldados dos Estados Unidos que combateram o terrorismo em países do Oriente Médio. Alguns adotam uma perspectiva crítica, mas a maioria tende a um ufanismo grandiloquente que pinta seus soldados como heróis. Como o título nacional já indica, esse 12 Heróis se enquadra na segunda categoria e daí emerge a pergunta: em que medida ele tenta se diferenciar dos demais filmes sobre o tema? Com cavalos. Sim, o fato de que o grupo de doze soldados avançou para além das linhas inimigas sozinhos e à cavalo é o principal diferencial do filme. Poderia render uma narrativa interessante, mas ele se apoia demais nos clichês desse tipo de história para conseguir ser envolvente.

A trama começa com o atentando ao World Trade Center em 2001. O capitão Mitch Nelson (Chris Hemsworth) está prestes a assumir um cargo burocrático dentro do exército, mas convence seu superior, o coronel Bowers (Rob Riggle, que serviu sob o comando do Bowers real quando foi piloto da aeronáutica), a lhe colocar novamente à frente de sua antiga unidade de combate. Auxiliado pelo soldado Spencer (Michael Shannon), Mitch é incumbido de derrubar a principal fortaleza talibã no Afeganistão. Sua unidade será a primeira a penetrar nas linhas inimigas e, exceto pelo apoio aéreo de bombardeiros, ele e seus onze homens não terão qualquer auxílio. Para cumprir seu objetivo, Mitch precisa colaborar com o general Dostum (Navid Negahban), líder de uma milícia local que se opõe aos talibãs. Como o terreno montanhoso é de difícil locomoção, a unidade de Mitch e a milícia de Dostum avançam à cavalo contra as fortalezas talibãs.

O título já deixa pouco espaço para sutilezas. Os personagens são automaticamente construídos como grandes heróis que estão ali para libertar o oprimido povo afegão dos cruéis talibãs. Em uma determinada cena a trama dá indícios que tentará observar o contexto da situação quando um personagem fala dos muitos impérios que caíram na região e como aquele lugar é há séculos um espaço de conflitos. Convenientemente o filme esquece de mencionar que os EUA são os responsáveis por boa parte dos problemas naquela região nas últimas décadas, tendo ajudado os talibãs a tomar o poder para afastar a presença da então União Soviética na localidade. Um letreiro final sinaliza que a vitória obtida foi a maior contra a Al-Qaeda, mas esquece de mencionar que essa vitória fez pouco para trazer estabilidade à região ou que a presença dos EUA ali serviu para promover a ascensão de inimigos ainda mais radicais como o Estado Islâmico. Se o filme fosse feito numa época próxima à dos eventos retratados essa miopia histórica seria perdoável, mas tendo sido realizado quase vinte anos depois, não faz sentido que ele tenha uma visão tão imediatista e descontextualizada do que aconteceu.

Não ajuda que a trama faça pouco esforço para tentar entender quem são aquelas pessoas, com muitos deles recebendo um tratamento superficial enquanto outros são relegados a serem meros objetos de cena. Quando o filme tenta construir uma relação de respeito entre Mitch e Dostum, imaginei que seria a chance de dar tons mais cinzentos àqueles personagens que até então eram bastante unidimensionais, mas o texto não vai além de frases de efeito clichês do tipo "um soldado luta com a cabeça, mas um guerreiro luta com o coração". Michael Shannon é completamente desperdiçado como um soldado que estoura uma hérnia andando a cavalo e passa boa parte do seu tempo de tela deitado sem muito o que fazer. Provavelmente foi o cachê mais fácil da carreira do ator.

As cenas de ação são corretas e bem executadas, mas não apresentam nada que já não tenhamos visto em outros filmes de guerra. Elas são hábeis em construir tensão em virtude da desvantagem numérica e material dos personagens, mas ainda assim não afastam a sensação de que já vimos tudo isso antes. Outro problema é a repetição de situações que são sempre registradas da mesma maneira. Um exemplo são as várias cenas em que os personagens são derrubados por uma explosão próxima e se levantam em câmera lenta. Lá pela terceira vez que o filme repete isso tudo começa a ficar entediante ao invés de tenso. Os tiroteios à cavalo são os momentos mais empolgantes, mas são poucos e relativamente breves para redimir a natureza derivativa do resto da ação.  

Havia uma história interessante no centro deste 12 Heróis, mas seu olhar sobre a jornada daqueles soldados é demasiadamente superficial e historicamente míope para produzir algo consistente. No fim, é um produto que se esforça muito pouco para falar ou mostrar algo que outros filmes semelhantes já não tenham feito.


Nota: 4/10

Trailer

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