quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Crítica - Dirk Gently's Holistic Detective Agency: Segunda Temporada

Análise Dirk Gently's Holistic Detective Agency: Segunda Temporada


Review Dirk Gently's Holistic Detective Agency: Segunda Temporada
A primeira temporada de Dirk Gently's Holistic Detective Agency me surpreendeu com o quanto conseguia ser fiel ao espírito aloprado e nonsense dos livros homônimos de Douglas Adams e sua habilidade de tecer uma trama investigativa no qual nada parecia se conectar de acordo com alguma lógica causal. Essa segunda temporada (e última, já que a série foi cancelada) tenta manter o mesmo clima de absurdo, mas não se sai tão bem quanto a temporada de estreia.

A trama começa mais ou menos no ponto em que a primeira temporada encerrou. Dirk (Samuel Barnett) foi capturado pela CIA, enquanto Todd (Elijah Wood) e Farah (Jade Eshete) cruzam o país em busca de pistas sobre o paradeiro dele. O trio inadvertidamente acaba encontrando um novo caso para investigar quando habitantes do reino mágico de Wendimoor chegam ao nosso mundo. Eles falam de uma profecia na qual Dirk Gently salvará Wendimoor do poderoso e maligno Mago (John Hannah) ao encontrar o "garoto escolhido". Assim, Dirk e os demais começam uma corrida contra o tempo para encontrar o garoto e desvendar outras ocorrências bizarras que encontram pelo caminho.


A primeira metade da temporada traz o mesmo tipo de trama surtada cheia de eventos inexplicáveis e abordando tudo com muito bom humor. De um navio que aparentemente cai do céu, a um carro antigo preso em uma árvore e uma casa com um portal para uma dimensão paralela, tudo segue o senso de humor absurdo da trama. A segunda metade da temporada, no entanto, perde um pouco o ritmo ao levar os personagens para Wendimoor e tudo se torna uma narrativa mais típica de fantasia, com profecias, escolhidos e facções diferentes em guerra. O visual do reino mágico diverte pelos figurinos exageradamente coloridos, paisagens que parecem saídas de um livro infantil (como a lua) e o fato de todos portarem grandes tesouras como se fossem espadas.

Samuel Barnett, mantém a mesma personalidade alegre e blasé de Gently, mas ao mesmo tempo demonstra que todas as ocorrências bizarras e matanças que ocorrem ao seu redor o afetam de alguma maneira e pesam sobre seus ombros. A jornada dele e de Todd ao longo desta temporada é justamente a de aceitar que eles não podem controlar tudo ao seu redor.

O vilão Friedkin (Dustin Milligan), responsável pela divisão da CIA que supervisiona pessoas com habilidades esquisitas, também aprende da pior maneira que não pode controlar pessoas como Dirk ou Bart (Fiona Dourif), falhando consistentemente em capturá-los. Assim como na primeira temporada, Milligan diverte ao fazer de Friedkin um completo imbecil que não tem a menor ideia do que está acontecendo e sempre tem uma expressão beócia em sua face. Igualmente divertida é a "bruxa" Suzie (Amanda Walsh), uma dona de casa frustrada e com delírios de grandeza que acidentalmente encontra a varinha mágica do Mago e entra por acidente em toda a disputa por Wendimoor.

Se alguns vilões divertem, outros acabam sendo desperdiçados. O Mago vivido por John Hannah começa com muito potencial ao misturar um senso crível de ameaça com o senso de humor caótico que é típico da série, mas conforme a trama avança o personagem vai perdendo espaço. O mesmo pode ser dito do agente especial Padre (Alan Tudyk), que diverte com sua personalidade sádica e surtada, mas também não recebe muito o que fazer.

Igualmente desperdiçada é a "assassina holística" Bart, uma das personagens mais legais da primeira temporada e que aqui passa boa parte da temporada presa em uma cela. Os momentos em que ela está em cena são sempre divertidos graças à sua mistura de ingenuidade e personalidade homicida, mas são tão poucos que deixam a impressão que ela poderia ser melhor aproveitada. Ken (Mpho Koaho) também é outro cuja jornada ao longo da temporada também deixa a sensação de que seu percurso não foi muito bem construído. Se o fato de Ken tomar o comando das operações de Friedkin faz sentido considerando a estupidez cavalar do agente, a transformação dele em um fascistoide controlador que quer prender todos com habilidades especiais parece vir do nada. Sim, ele presenciou em primeira mão o que pessoas como Bart ou Dirk podem fazer, mas ao mesmo tempo ele sabe que esses personagens são responsáveis por evitar grandes catástrofes, então não faz muito sentido que Ken tente impedir Dirk de levar o "escolhido" embora no final da temporada.

Falando em habilidades, a narrativa cai no mesmo erro da temporada anterior de desnecessariamente tentar explicar como Dirk está sempre no lugar certo na hora certa, constantemente esbarrando com esses casos bizarros. O mote da série é justamente a aleatoriedade das coisas e como nem sempre os eventos se conectam da maneira como esperamos, então tentar dar sentido ao "poder" de Dirk, ou mesmo conceber isso como um poder, vai de encontro à natureza do material.

Apesar de continuar divertindo com sua trama surtada e senso de humor absurdo, essa segunda temporada de Dirk Gently's Holistic Detective Agency acaba se mostrando relativamente inferior à primeira ao repetir alguns dos mesmos erros e desperdiçar o potencial de alguns de seus personagens.

Considerando que é a última temporada, é uma despedida pouco digna do quão promissor era o material. Eu sempre imaginei que a natureza nonsense da série dificultaria que ela se tornasse um grande sucesso, mas não imaginei que ela seria encerrada tão prematuramente, principalmente porque havia muito por onde crescer. Lamentavelmente essa segunda temporada acabou sendo uma involução em relação à anterior e encerra a série sem que ela tenha conseguido fazer jus ao seu potencial.


Nota: 6/10

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