quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Crítica - Annabelle 2: A Criação do Mal

Análise Annabelle 2: A Criação do Mal


Review Annabelle 2: A Criação do Mal
A boneca Annabelle chamou atenção em sua breve, mas marcante presença em Invocação do Mal (2013) e logo recebeu seu filme derivado no decepcionante Annabelle (2014). O anúncio de uma sequência que funcionaria como prelúdio não foi muito animador, uma vez que o primeiro tinha sido tão fraquinho e o diretor David F. Sandberg já tinha desapontado no fraco Quando as Luzes se Apagam (2016). A verdade, no entanto, é que Annabelle 2: A Criação do Mal acerta em tudo que o anterior não conseguiu, ainda que não sai do traçado já estabelecido pelo primeiro e segundo Invocação do Mal.

Na trama, um fabricante de bonecas, Samuel (Anthony LaPaglia), e sua esposa, Esther (Miranda Otto), perdem a filha pequena em um trágico acidente. Doze anos depois, Esther está doente demais para sair da cama e Samuel decide ceder a casa para que um orfanato de meninas liderado pela freira Charlotte (Stephanie Sigman). Brincando pela casa as crianças encontram uma misteriosa boneca e coisas sinistras começam a acontecer.

Assim como os dois Invocação do Mal, o filme entende que muito do terror está no desconhecido, no não visto. Durante boa parte da narrativa, o filme esconde sob sombras, lençóis ou deixa fora de quadro as criaturas e espíritos que vagam pela casa. A ameaça pode estar em qualquer canto, sob qualquer móvel e isso cria uma sensação real de tensão. Ao mostrar somente as mãos sombrias da entidade que se apossa da boneca, o filme nos faz deixa intrigados e temerosos pelo que aquela criatura pode ser ou qual a sua aparência. De maneira semelhante, a imagem desfocada de algo se movendo atrás de uma das meninas é igualmente eficiente em despertar tensão.

O trabalho de câmera dá um senso de coesão espacial. Na primeira vez que as garotas entram na casa, a câmera as acompanha em um plano contínuo que serve não apenas para dar ao público a sensação de que aquele é um espaço real (e não um conjunto de cenários desconectados uns dos outros), como também compreender a lógica daquele espaço, que sala ou quarto se liga ao quê. Isso é importante quando as ameaças se agravam e as personagens correm para sobreviver, pois sabemos quais tipos de obstáculos as aguardam e tememos por elas. Por outro lado, ocasionalmente se entrega a sustos súbitos óbvios. Toda vez que a câmera fica parada por tempo demais ou se move muito lentamente em zoom nos rostos dos personagens fica evidente que algo vai saltar em cima deles. Uma vez que já sabemos exatamente quando a ameaça vem, parte do suspense e do temor se esvai.

Não há muito tempo dedicado a desenvolver as personalidades das crianças do orfanato e o filme claramente as usa como uma muleta afetiva. Afinal de contas, ninguém (ou a maioria das pessoas, imagino) quer ver crianças serem dilaceradas por monstros sombrios, então o público automaticamente torce por elas, mas afora esse mínimo de empatia não há nada muito interessante nelas. Anthony LaPaglia, por sua vez, traz certa ambiguidade a Samuel, deixando em dúvida inicialmente se ele é simplesmente um pai devastado pelo luto ou se é  um homem sinistro que atraiu deliberadamente as órfãs para uma ameaça macabra.

Deixando alguns ganchos para outros derivados e amarrando as pontas soltas entre esse e o primeiro filme, Annabelle 2: A Criação do Mal consegue oferecer uma experiência eficiente de terror, ainda que não muito diferente do que já foi feito no universo iniciado em Invocação do Mal.

Nota: 7/10


Obs: Há duas cenas adicionais durante os créditos

Trailer

Um comentário:

Mariana Torres disse...

O gênero de terror/suspense nunca foi um dos meus preferidos, porém devo reconhecer que Nunca Diga Seu Nome, foi uma surpresa pra mim, já que apesar dos seus dilemas é uma historia de horror que segue a nova escola, utilizando elementos clássicos. Com protagonistas sólidos e um roteiro diferente. Considero que todos os aspectos do filme estiveram muitos cuidados. Um muito bom filme que vale a pena ver.