domingo, 22 de setembro de 2013

Crítica - Rayman Legends


De um tempo para cá a indústria de videogames para ter redescoberto ou relembrado dos jogos de plataforma bidimensionais que fizeram grande sucesso no final dos anos 80 e boa parte dos 90, como os New Super Mario Bros ou jogos independentes como Braid, Super Meat Boy e Guacamelee. Este Rayman Legends é mais um ótimo exemplar do gênero e mostra como ainda há muitas possibilidades a serem exploradas.

A história é bastante simples, depois de séculos em sono profundo, Rayman, Globox e seus aliados são acordados para impedir que criaturas sombrias destruam o mundo dos sonhos. Essa simplicidade e falta de um maior contexto narrativo acaba beneficiando o game, dando aos realizadores a oportunidade de deixar a imaginação fluir e inventar toda a sorte de situações alopradas que ajudam a progressão do jogo a ser um pouco mais imprevisível. Assim, sem mais nem menos o jogo te transforma em pato em uma determinada fase, em outra você irá diminuir e aumentar de tamanho, entre uma série de outras coisas.

Todo o design das fases é altamente criativo e é impressionante como cada estágio é carregado de identidade própria, há sempre algo diferente para ver ou fazer em cada fase e toda vez que eu achava que não era possível ter uma fase mais interessante daquela que acabei de passar, a seguinte vinha e me surpreendia novamente. Além disso, o game oferece alguma variedade ao inserir estágios nos quais se deve correr contra o relógio e a grande novidade que são as fases musicais. Nesses estágios o jogador precisa correr, pular e atacar no ritmo de uma música, muitas delas versões de canções famosas, como Eye of the Tiger (o tema de Rocky 3) que é tocada como uma música de mariachi mexicano. Isso sem falar nos chefões, normalmente criaturas bem bizarras e cujas batalhas são também bem interessantes e inventivas.

Mas não deixem o visual bonitinho de Rayman Legends te enganar, por trás de todas as criaturas esquisitas reside um game de plataforma realmente desafiador, que cobra precisão, velocidade e atenção do jogador, não chega a ser algo absurdo e frustrante que te dá vontade de desistir como o recente Ducktales Remastered, aqui os checkpoints são generosos e não há limite de vidas.

Em todas as fases é necessário resgatar um determinado número de criaturinhas azuis chamados Teenies, que servem para abrir novas fases, e pequenos insetos luminosos chamados Lums que servem para desbloquear novos personagens jogáveis. Ao fim de cada fase sua performance é avaliada com troféus, dependendo da quantidade de Teenies e Lums adquiridos. É possível também adquirir raspadinhas a cada fase encerrada, dependendo da performance, que servem para obter mais Lums, Teenies, abrir fases ocultas baseadas em Rayman Origins, game anterior do personagem, e adquirir criaturas de estimação para sua galeria. Esse senso de constante recompensa e de que há sempre algo novo a ser obtido, uma fase, um personagem, uma criatura, ajuda a impelir o jogador e estimula a exploração.

O game permite que até quatro pessoas joguem ao mesmo tempo, mas o modo cooperativo é apenas local, não havendo opção para jogar online com outros jogadores, o que é uma pena. O principal problema são os controles, cuja movimentação é um pouco escorregadia e imprecisa, resultando em algumas mortes desnecessárias.

Apesar desses pequenos problemas, Rayman Legends é um belo e desafiador jogo de aventura e plataforma, beneficiado pela criatividade em sua concepção e pelo carisma do universo criado.


Nota: 9/10

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