quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Crítica – R.I.P.D: Agentes do Além

Resenha Crítica – R.I.P.D: Agentes do AlémUm jovem, enérgico e esquentado policial se depara com algo além de sua compreensão e sem esperar acaba sendo recrutado por uma antiga e oculta agência que monitora a presença de seres de fora do nosso mundo vivendo entre nós, para realizar seu novo trabalho conta com a ajuda de um parceiro mais velho, com anos na agência, que é durão e mal humorado. Ao longo da sua jornada irá utilizar armas esquisitas e enfrentará uma série de criaturas bizarras para salvar o mundo. Essa é a premissa MIBHomens de Preto (1997), mas é também exatamente o que acontece neste R.I.P.D: Agentes do Além, apenas substituindo os alienígenas por espíritos fugidos do inferno.
O filme acompanha o policial Nick (Ryan Reynolds) que junto com seu parceiro Hayes (Kevin Bacon) encontram misteriosas peças de ouro nas mãos de um traficante. Hayes está decido a ficar com o tesouro, mas Nick discorda e é morto pelo parceiro. Ao chegar no além é recepcionado pela supervisora (Mary Louise Parker) do R.I.P.D (Rest in Peace Department ou Departamento Descanse em Paz) a polícia da pós-vida, encarregada de ir à Terra resgatar espíritos malignos, chamados desmortos, que fugiram do julgamento eterno, que propõe que Nick use suas habilidades para servir no departamento para garantir sua vaga no paraíso. Para ensinar Nick o funcionamento de sua nova vida (ou falta dela) ele é posto para trabalhar com Roy (Jeff Bridges) um xerife do velho oeste que serve como agente do além desde sua morte, no século 19.

Inicialmente toda a ambientação é divertida e curiosa, como o fato deles assumirem outras aparências ao voltarem à Terra, Nick é visto como um velhinho asiático enquanto que Roy é uma exuberante e voluptuosa loira, além de suas armas serem vistas como bananas pelos vivos. Há também a curiosa ideia de que os espíritos infernais são vulneráveis à comida indiana, sabe-se lá por que. Esse tipo de abordagem bem-humorada e sem noção poderia conferir alguma identidade ao filme se levadas adiante e explorassem seu potencial, entretanto, muitos dos cenários e situações remetem bastante à MIB, até mesmo o design do departamento e das armas, dando aquela sensação de que entramos na sala de cinema para perder tempo vendo algo que já vimos. Do mesmo modo, a subtrama que envolve Nick tentando se reaproximar da esposa são incomodamente idênticas a muitas coisas que vimos em Ghost: Do Outro Lado da Vida (1990), alguns diálogos inclusive são quase que iguais aos do romance espiritual estrelado pelo finado Patrick Swayze.
Mesmo com tantos elementos remetendo a outras obras, o filme ainda poderia funcionar se conseguisse trabalhar bem esses elementos familiares, mas infelizmente isso não ocorre. A trama se desenvolve de forma acelerada e previsível ao longo dos poucos 90 minutos do filme. Tudo é muito rápido, sem dar tempo de criar expectativa ou suspense, principalmente porque em geral é fácil prever o que virá a seguir, mas também porque todos os mistérios são resolvidos com facilidade e as reviravoltas se atropelam sem sequer dar tempo de nos sentirmos surpresos pelos acontecimentos.
As cenas de ação são igualmente problemáticas e falham em empolgar ou produzir qualquer tipo de tensão, já que os personagens despacham sem dificuldades seus inimigos e nunca sentimos que eles estão realmente em perigo. Tudo isso é prejudicado por uma câmera epilética que é praticamente incapaz de parar quieta, investindo em desnecessários zoom-ins, zoom-outs e rodopios que ao invés de darem uma sensação de dinamismo e movimento, acabam tornando a movimentação demasiadamente truncada e fragmentada. Outro problema é a computação gráfica extremamente artificial, principalmente se levarmos em conta que o filme custou cerca de elevados 130 milhões, e em nenhum momento o alto custo parece ser visto na tela, ajudando a dificultar nossa imersão neste mundo e acreditar nas criaturas que nele habitam. Nesse sentido teria sido benéfico o uso de efeitos práticos e maquiagem, tal qual os três MIB faziam ocasionalmente, deixando a computação gráfica apenas para o que fosse realmente necessário.
Salva-se apenas a dinâmica entre Reynolds e Bridges, dois atores bastante carismáticos que conseguem atrair simpatia mesmo trabalhando com tipos tão rasos. Bridges, inclusive, parece estar se divertindo horrores ao interpretar um personagem que é basicamente uma caricatura do xerife que fez em Bravura Indômita (2010).
Isso, obviamente, é muito pouco para evitar que R.I.P.D: Agentes do Além seja uma reciclagem desprovida de brilho, encanto e empolgação de um monte de coisas que já vimos antes e dificilmente será capaz de entreter, sendo tédio o resultado mais provável. Uma pena, já que a ideia poderia render algo minimamente divertido.
Nota: 2/10

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