terça-feira, 29 de novembro de 2022

Crítica – Wandinha

 

Análise Crítica – Wandinha

Review – Wandinha
Tinha lá minhas dúvidas se uma série solo da Wandinha iria funcionar, já que muito do apelo da Família Addams vem das interações do núcleo familiar, algo que os dois filmes da década de noventa exploraram muito bem. Para minha surpresa Wandinha é uma série bacama principalmente por conta de algumas decisões certeiras de casting.

Na série, depois de quase matar um grupo de garotos que fazia bullying com o seu irmão, Wandinha (Jenna Ortega) é expulsa da escola e seus pais a matriculam no colégio interno Nunca Mais, instituição em que Gomez (Luis Guzman) e Mortícia (Catherine Zeta Jones) estudaram quando jovens. Apesar de situado em uma pacata cidade do interior, o colégio é frequentado por párias e seres sobrenaturais que, obviamente, não se dão bem com os habitantes da cidade. As coisas se complicam quando uma estranha criatura começa a matar tanto estudantes quanto locais, mas Wandinha decide investigar os crimes.

Jenna Ortega é uma escalação perfeita como Wandinha, captando os maneirismos secos, a fala direta e o senso de humor sombrio da jovem Addams. O carisma trevoso que Ortega traz para a personagem mantem a jornada de Wandinha interessante e excêntrica (a cena de dança no quarto episódio é impagável) mesmo quando tudo ao seu redor se limita a reproduzir clichês batidos de séries adolescentes.

Toda a estrutura de jovens colegiais resolvendo crimes em série em uma cidade de interior remete a produções como Riverdale enquanto que a ideia de um colégio interno de estudos sobrenaturais dividido em casas com competições entre elas remete a Harry Potter. Essas escolhas de estrutura narrativa soam convencionais demais para a pouco convencional Família Addams e o universo em que eles habitam.

Todos os colegas de escola de Wandinha são unidimensionais e feitos para reproduzir arquétipos comuns desse tipo de ficção. Isso inclui os dois possíveis interesses românticos da protagonista, que existem apenas para forçar um triângulo amoroso que sequer precisava existir e para aumentar o número de suspeitos. Os dois garotos são tão pouco memoráveis que sequer consigo lembrar o nome deles. Desde O Mundo Sombrio de Sabrina não vejo interesses românticos tão sem graça.

No núcleo da escola apenas Enid (Emma Myers) se salva. Sim, ela é a típica melhor amiga engraçadinha e espevitada, mas a garota tem uma presença enérgica o suficiente para encantar e sua personalidade colorida e ativa cria um contraste divertido com o jeito gótico trevoso da Wandinha. Além disso, ela é a única dos coadjuvantes com algum tipo de arco narrativo.

No lado dos Addams, que aparecem relativamente pouco, Catherine Zeta Jones e Fred Armisen divertem como Mortícia e Tio Chico, respectivamente. Por outro lado, Luis Guzman acaba não funcionando como Gomez, faltando a ele a presença vivaz do patriarca Addams. Além disso a narrativa coloca à família alguns conflitos que não fazem sentido diante do que sabemos sobre esses personagens. Considerando o que sabemos sobre a devoção de Gomez por Mortícia e vice-versa, é difícil crer que qualquer um dos dois hesitaria em matar para proteger o outro ou se sentiria culpado por isso. Por outro lado, a série acerta em construir uma temática bastante comum às histórias dos Addams, a de que são as pessoas comuns que posam como indivíduos de bem que são os verdadeiros monstros ameaçadores e intolerantes, não os excêntricos e sombrios Addams.

É graças ao talento de Jenna Ortega que Wandinha consegue divertir, já que a série se apoia demais nos lugares comuns da ficção adolescente.

 

Nota: 7/10


Trailer

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