terça-feira, 10 de março de 2020

Crítica – A Maldição do Espelho


Análise Crítica – A Maldição do Espelho


Review – A Maldição do Espelho
Eu realmente não entendo o que acontece com alguns filmes russos que chegam ao Brasil, como A Sereia (2019) ou Os Guardiões (2017). Este A Maldição do Espelho é mais um que tem um lançamento bizarro, chegando aqui dublado em inglês e com legendas em português. Aqui, mais que qualquer outro caso desses, a dublagem é um problema por conta da péssima qualidade, já que os dubladores parecem apenas estar lendo as falas de seus personagens sem muita expressividade. Não que uma boa dublagem ou o acesso ao áudio original pudessem salvar o desastre que é o filme.

A trama é focada nos irmãos Olya (Angelina Strechina) e Artyom (Daniil Izotov). Depois que a mãe deles morre em um acidente de carro, os dois são mandados para um colégio interno sediado em uma antiga mansão. Bisbilhotando pelos cantos antigos da propriedade, Olya, Artyom e outros estudantes encontram um antigo espelho com marcas satânicas que serviria para invocar a lendária Rainha de Espadas, que concederia desejos a quem invocasse em troca da vida das pessoas que a invocaram. O que os adolescentes fazem? Invocam a criatura, claro, e obviamente começam a morrer.

Os personagens são uma coleção de clichês adolescentes, com a patricinha, o valentão, o nerd tímido e daí em diante. Nenhum deles tem qualquer personalidade que consiga ir além disso e, como já falei, a dublagem não faz nenhum favor ao filme. Assim como em outros filmes russos de terror lançados por aqui, o texto se apoia em diálogos excessivamente expositivos que explicam o tempo todo o que acontece, quem são aquelas pessoas ou como elas estão se sentido, embora não dê espaço para que os personagens demonstrem isso, com muita coisa só ficando clara para o espectador por conta dos diálogos.

Falando em diálogos, o filme coloca muitas situações sem nexo, tanto em termos de conduta dos personagens quanto em relação à coesão do universo. Os estudantes parecem livres para andar pela mansão à noite, sem qualquer supervisão adulta, inclusive com espaços e áreas comuns, como o refeitório, abertas até altas horas sem nenhum responsável monitorando, como se um bando de adolescentes confinados não fossem tirar vantagem de uma mansão enorme para se pegarem, beberem ou qualquer coisa do tipo. A menos que o roteiro exija, nunca há um adulto por perto. A diretora se comporta de maneira tão blasé diante das mortes e sumiços que acontecem em sua escola que cheguei a pensar que ela estivesse de algum modo em conluio com a entidade que assombra o lugar, mas não, a personagem é só estúpida, incompetente e mal construída.

Outras situações não fazem sentido em termos de coesão espacial. Em um determinado momento do filme, Olya tenta fugir do colégio em um caminhão de entregas. A cena toda é um absurdo começando pelo professor que simplesmente a deixa ir e ainda lhe dá dinheiro, o que é completamente irresponsável e certamente lhe custaria o emprego, e se torna ainda mais quando, no meio da estrada Olya enxerga Artyom andando em um lago. Ora, se a adolescente precisou entrar escondida em um caminhão para chegar até aquele ponto, como Artyom, que é muito mais novo, chegou até ali a pé? Não há grades ou portões na escola?

Para piorar a trama também não explica muito as regras de como sua assombração funciona, com Artyom sendo capaz de vê-la e ouvi-la mesmo antes de interagir com o espelho e fazer um pedido e a entidade podendo atacar até mesmo pessoas que não fizeram nenhum desejo. A trama é, em geral, incapaz de criar um senso de medo ou tensão, com muitas cenas que deveriam provocar choque muitas vezes descambando para o humor involuntário. Vemos isso na cena em que um personagem vê a madrasta toda acabada em uma poça do próprio sangue e pergunta ao pai se ela está bem, como se estar toda acabada em uma poça do próprio sangue não fosse indicativo o bastante que a pessoa não está bem.

Sequer capaz de contar uma história minimamente coesa, A Maldição do Espelho é um terror tão ruim que se torna acidentalmente cômico.

Nota: 1/10


Trailer

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