sexta-feira, 5 de abril de 2019

Crítica – Power Rangers: Battle For The Grid


Análise Crítica – Power Rangers: Battle For The Grid


Review – Power Rangers: Battle For The Grid
Os últimos jogos realmente bons dos Power Rangers foram lançados lá na era 16 bits, com as versões para Mega Drive e Super Nintendo de Power Rangers The Movie, que eram relativamente diferentes entre si. De lá para cá foram lançados jogos para diferentes consoles, todos de qualidade duvidosa.

Os dois últimos que joguei foram Lightspeed Rescue e Time Force ambos para o primeiro Playstation e ambos muito ruins. O que saiu até então me escapou, inclusive porque parei de acompanhar a série, mas confesso que fiquei curioso com o anúncio deste Power Rangers: Battle For The Grid, jogo de luta em equipes de 3 vs 3 estilo Marvel Vs Capcom. Depois de ter passado um considerável tempo com ele, devo dizer que é o melhor game dos Rangers em muito tempo.

A narrativa é baseada no arco Shattered Grid dos quadrinhos no qual o vilão Lord Drakkon, uma versão do Tommy Oliver de um universo paralelo que se manteve maligno mesmo depois do feitiço de Rita Repulsa ser quebrado, viaja pelo multiverso caçando Rangers para roubar seus poderes e assim controlar a grade de morfagem. Explico tudo isso porque quem não estiver familiarizado com a história não irá receber muito mais do modo Arcade que vem no jogo.

Constando de um total de oito lutas, o modo Arcade apresenta alguns diálogos entre os personagens escolhidos pelo jogador e os vilões durante as lutas finais, mas a maioria deles é genérico, revela pouco sobre a trama ou a personalidade de cada personagem. As falas podiam ser trocadas de um personagem para o outro que não fazia a menor diferença.

Esse é o principal problema do game, a apresentação pobre. Os menus e interfaces são simples demais em termos de design e o mesmo pode ser dito da maioria dos cenários, que parecem algo saído da geração anterior de consoles. Há também um problema de desenho sonoro, já que exceto pelo narrador praticamente não há vozes no jogo, o que é bastante curioso considerando que na série eles constantemente gritam o nome de seus ataques.

Os modelos de personagem, no entanto, são bem animados e detalhados, sendo possível ver o cuidado e atenção até mesmo em pequenos detalhes, como o fato da skin do Jason portando o Escudo do Dragão (o colete amarelo do Tommy) tem também um pequeno coldre lateral no qual é possível ver a Adaga do Dragão.

A quantidade de modos também é modesta, já que além do modo Arcade, há um modo Versus local (contra outros jogadores ou CPU), um tutorial relativamente limitado que apenas ensina o básico dos controles, um modo de treinamento e modos online com partidas casuais e ranqueadas.

É preciso, no entanto, salientar que este é um game de sessenta reais (ao menos no PS4), então não dá para esperar dele valores de produção e um apuro audiovisual que se esperaria de um jogo que custasse preço cheio. Levando em conta que pesa pouco no bolso, o game compensa a modéstia de sua apresentação com a qualidade das mecânicas de combate.

O jogo conta com apenas nove personagens, mas isso acaba não sendo um problema por cada um deles ser realmente singular na maneira de jogar e construir combos. As lutas usam um esquema de quatro botões: ataque fraco, médio, forte e especial, com variações de cada um a partir de combinações com o direcional (tipo em Super Smash Bros). As batalhas se dão em trios, com os jogadores podendo trocar livremente os personagens ou chamar os que não estão sendo usados para assists, tal como em Ultimate Marvel vs Capcom 3.

Apesar de simples, as combinações de diferentes tipos de ataques e assists abrem inúmeras possibilidades para combos devastadores que podem eliminar um personagem do time adversário com uma única sequência de golpes. Ou seja, mesmo quem não tem muita habilidade com o gênero consegue se divertir criando combos e que é habituado a jogos de luta terá muito o que explorar para extrair o máximo de dano de cada personagem, sendo simultaneamente acessível a novatos e instigante para veteranos.

São batalhas ágeis, divertidas e dotadas de relativa complexidade apesar dos controles parecerem simples demais em uma primeira observação. Além do time de três personagens, cada jogador pode levar um Zord para batalha (existem três disponíveis por enquanto). O uso dos Zords fica disponível quando se perde um dos lutadores do seu time e ele só pode ser chamado uma vez. Invocá-los faz esses robôs gigantes invadirem o campo de batalha com ataques e pisões que tomam boa parte da tela e podem mudar os rumos de uma luta quando o jogador estiver em desvantagem. Assim nenhuma luta, por mais fácil que pareça inicialmente, tem resultado garantido e o usuário precisa ficar atento para que o jogador adversário não vire rapidamente as marés do combate.

Os modos online fluem sem engasgos ou quedas de frames (ao menos no PS4), o que é surpreendente para um jogo que parece ter tido um orçamento bem baixo. Por outro lado, carecem de funções bastante típicas de jogos do gênero, como a possibilidade de dar um rematch imediatamente depois da luta. A ausência da função significa que o jogador precisa retornar à tela de matchmaking sem ter a possibilidade de uma revanche ou uma segunda luta para garantir sua supremacia contra o usuário que acabou de enfrentar.

Considerando o baixo preço em relação à apresentação simplória e conteúdo modesto, Power Rangers: Battle For The Grid surpreende positivamente com um combate ágil, divertido, equilibrado e espalhafatoso. Espero que a desenvolvedora NWay continue a dar suporte a ele, inserindo mais personagens, Zords, modos e também alinhavando problemas, os Rangers merecem algo digno depois de anos relegados a produtos ruins.

Nota: 6/10


O jogo está disponível para PS4, Xbox One, Switch e PC.

Trailer

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