segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Lixo Extraodinário - Meu Parceiro é um Dinossauro

Resenha Meu Parceiro é um Dinossauro


Análise Meu Parceiro é um Dinossauro
The Room, abordado anteriormente nessa coluna, era daqueles filmes que é tão ruim que se torna divertido de ver. Meu Parceiro é um Dinossauro (Theodore Rex no título original), o filme ruim a ser explorado hoje aqui, no entanto, pertence a uma categoria diferente: é daqueles que te faz querer queimar o olhos com ferro quente para não ter que aturar mais um segundo dele e desejar ser capaz de "desver" toda essa porcaria.

Os Bastidores da Produção


Em 1995, quando esse filme foi lançado, a atriz Whoopi Goldberg estava em alta. Ela tinha vencido um Oscar por seu papel em Ghost: Do Outro Lado da Vida (1990) e tinha alcançado sucesso financeiro e de público com Mudança de Hábito (1992) e Mudança de Hábito 2 (1993). Diante desse sucesso, a atriz foi procurada pela produtora New Line (que hoje pertence à Warner) para participar deste Meu Parceiro é um Dinossauro e Whoopi chegou a dar verbalmente sua aceitação. A New Line tocou a produção adiante com o aceite da atriz, mas posteriormente Whoopi mudou de ideia (imagino que tenha visto o roteiro ou o horrendo dinossauro animatrônico).

O estúdio não ficou contente com a atriz e ameaçou processá-la. Como já havia precedente por estúdios ganharem processos envolvendo contratos verbais, Whoopi decidiu evitar litígio e fez o filme. Com o filme pronto, ele seguiu um processo típico em Hollywood de passar por exibições-teste na qual os espectadores avaliavam o filme e diziam o que gostaram ou não. A reação foi tão negativa que a New Line decidiu não colocar o filme nos cinemas, lançando-o diretamente em vídeo (na época VHS). O resultado não foi muito melhor, com a fita sendo tão universalmente detestada que hoje ele está entre os 100 mais mal avaliados do IMDb e na época de seu lançamento teve a duvidosa honraria de ser o primeiro filme lançado direto em vídeo a ser indicado ao Framboesa de Ouro, premiação que "celebra" os piores filmes do ano.

A narrativa


Meu Parceiro é um Dinossauro se passa em um futuro alternativo no qual seres humanos convivem com dinossauros humanoides inteligentes. A policial durona Katie Coltrane (Whoopi Goldberg) é obrigada a trabalhar com o novato e atrapalhado policial dinossauro Theodore "Teddy" Rex (voz de George Newbern) para investigar o assassinato de um outro dinossauro, o primeiro caso já registrado. A investigação os leva até o cientista Elizar Kane (Armin Mueller-Stahl), que tem um plano vago de destruição global.

A personagem de Whoopi deveria ser alguém experiente, engenhosa e durona, mas a atriz está tão desconfortável em cena que sua expressão varia entre "me tirem daqui!" e "vamos acabar logo com isso para eu poder descontar meu cheque". Sem qualquer personalidade, é difícil se importar com a personagem. O mesmo pode ser dito de Teddy Rex (T. Rex, sacaram?), cujos únicos traços discerníveis são o fato dele ser atrapalhado, se esbarrando em tudo, e sua adoração por biscoitos.

No caso de Rex há também o problema do péssimo e inexpressivo dinossauro animatrônico, cujos movimentos faciais são tão limitados e problemáticos que é impossível vê-lo como qualquer coisa além de um fantoche tosco. Em momentos que ele deveria demonstrar alegria, mais parece uma careta assustadora e em uma cena que ele deveria intimidar alguém, seu rosto dá a entender que ele está com prisão de ventre. Em alguns momentos o boneco parece não funcionar direito, com uma de suas pálpebras travando em meio ao movimento de abrir ou fechar ou seus olhos se movimentam de maneira assíncrona, dando a impressão de que a criatura está tendo um derrame cerebral.

A construção do universo ficcional também não faz muito sentido. É dito que o cientista Elizar Kane foi o responsável pela criação dos dinossauros inteligentes, o que significa que eles são uma ocorrência relativamente recente naquele mundo (no máximo algumas décadas). Era de se imaginar que nem todos fossem aceitar que dinossauros inteligentes se misturassem com a sociedade, tratando-os com preconceito ou relegando-os a guetos, do mesmo modo que é fácil pensar que haveria algum tipo de discordância com um cientista que brinca de deus criando uma nova espécie inteligente e introduzindo-a na sociedade, mas nada disso é abordado. Vemos a relutância de Katie em trabalhar com um dinossauro, mas em nenhum momento o filme trabalha a existência de uma grave tensão social decorrente da convivência entre as duas espécies ou dos experimentos de Elizar Kane.

Em todo meu tempo com o filme me questionei a qual público ele era direcionado. Por um lado os capangas idiotas do vilão, bem como todo o humor do filme que consiste de Teddy esbarrando em coisas ou devorando biscoitos parece claramente voltado para crianças. Por outro lado a trama de investigação de assassinato, com direito a uma tomada de um cadáver dinossauro com ferimentos no corpo parece se levar a sério demais para um produto infantil. Nesse sentido, acaba sendo uma produção que acaba não tendo nada a dizer a qualquer segmento de público, já que falta humor e ludicidade para ser atraente às crianças e falta estofo à trama e personagens para que adultos se interessem.

A trama investigativa, por sinal, é um tédio de se acompanhar, já que o letreiro inicial do filme explica logo de cara quem foi o responsável e qual sua motivação para o crime. Assim, toda a trama é um grande teste de paciência conforme o público espera quase noventa minutos para que os personagens descubram algo que eles já sabem. Se ao menos os protagonistas ou o universo fossem interessantes, haveria algo a apreciar, mas não é o caso.

 Em Síntese


Meu Parceiro é um Dinossauro é daqueles filmes que você se pergunta como alguém achou que seria uma boa ideia ou acreditou tanto que ele poderia dar certo ao ponto de praticamente obrigar sua estrela a participar. Vazio, tosco, sem graça e entediante, não serve nem para dar risada de sua ruindade.

Trailer (sem legendas):

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