sábado, 27 de maio de 2017

Crítica - War Machine

Análise War Machine


Review War Machine
Escrito e dirigido por David Michôd, este War Machine é baseado na história real do general Stanley McChrystal. Ele foi demitido do cargo depois que uma matéria da revista Rolling Stone expôs suas extravagâncias, delírios de grandeza e como ele estava disposto até a contrariar ordens presidenciais para ter a guerra que tanto almejava no Afeganistão. O interesse de Michôd, no entanto, não é construir uma biografia do general, mas usar sua história para lançar um olhar crítico e paródico sobre as obsessões bélicas dos Estados Unidos.

A trama é centrada na figura do general Glen McMahon (Brad Pitt), famoso por seu pragmatismo e por sempre cumprir seus objetivos, McMahon é despachado para o Afeganistão para liderar os esforços contra a insurgência local. Acompanhado de uma equipe de oficiais de confiança, McMahon logo descobre que sua missão não é tão simples e factível quanto parece.

O filme trata de como aquela é uma guerra na qual não há chance de ganhar, revela os absurdos e a falta de sentido na presença dos militares ali e como muita gente sequer entende a situação do local. Todos esses temas já foram tratados exaustivamente pelo cinema. Dr Fantástico (1964) já tinha falado sobre como a guerra é essencialmente algo estúpido, O Senhor das Armas (2005) já tinha usado ironia e cinismo para mostrar a infraestrutura financeira que estimula conflitos armados no mundo inteiro, Soldado Anônimo (2005) já tinha falado de como é para os soldados ficar em uma base esperando por uma guerra que nunca vem enquanto todos ficam inquietos com a falta de ação, Guerra ao Terror (2008) já tinha discorrido sobre a guerra enquanto vício. Enfim, não há nada aqui que já não tenha sido dito antes e melhor pelo próprio cinema hollywodiano e War Machine tem muito pouco a acrescentar a esses discursos.


O que acaba nos prendendo ao material é o elenco, em especial o trabalho de Brad Pitt, que faz de McMahon um homem completamente certo de sua grandeza, mas que nunca percebe o quanto é patético e bizarro. Com uma linguagem corporal esquisita e respostas "duras" que na maioria das vezes soam hilárias ao invés de intimidadoras, Pitt parodia e ridiculariza toda a postura de autoridade desses homens que se acham grandes guerreiros, mas que no fundo não tem a menor ideia do que estão fazendo.

Ao lado dele está toda uma trupe de soldados leais, mas não menos estúpidos e sem noção como o absurdamente irado general interpretado por Anthony Michael Hall ou o oficial de tecnologia vivido por RJ Cyler (o Billy do recente Power Rangers).O veterano Ben Kingsley faz uma ponta como um presidente afegão igualmente sem noção, rendendo alguns momentos de puro absurdo, como quando ele pede para McMahon se sentar no chão ao lado de sua cama. As narrações do repórter Sean (Scoot McNairy) muitas vezes tem uma função didática e expositiva, mas evitam que tudo soe maçante ao adotar um tom cínico e jocoso em relação ao eventos narrados.

A natureza exagerada e claramente caricatural dos personagens, no entanto, acaba indo de encontro ao tom realista e duro que Michôd imprime nas cenas de guerra. Cheias de tensão e mostrando de maneira crua e sem concessão a violência do conflito e as consequências dele para a população civil afegã, elas parecem estar em um filme diferente do qual estão sujeitos cartunescos como McMahon ou o presidente do Afeganistão.

War Machine não consegue oferecer nenhuma ideia relativamente nova em seu comentário satírico sobre a guerra, mas consegue divertir pelo comprometimento de seu elenco com o exagero e o absurdo.


Nota: 6/10 

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