Um grupo de soldados de elite em
missão na floresta encontra uma criatura alienígena com armas avançadas que
começa a caçá-los. Essa é a premissa de O
Predador (1987) que é emulada diretamente por este Máquina de Guerra (não confundir com o filme de mesmo nome protagonizado por Brad Pitt e também lançado pela Netflix), que não faz nada interessante com o conceito
além de repetir de maneira burocrática elementos já conhecidos.
Conflito mecânico
A narrativa acompanha o soldado
81 (Alan Ritchson, de Reacher) que
tenta entrar para os rangers, a divisão de elite do exército dos Estados
Unidos. Anos atrás ele prometeu ao irmão que os dois fariam a seleção para os
rangers, mas o irmão é morto em combate junto com o resto da unidade, deixando
o protagonista como o único sobrevivente. Agora, ele tenta entrar para a
divisão de elite como meio de cumprir a promessa ao irmão. O protagonista chega
à etapa final da seleção, uma missão simulada em meio a montanhas remotas.
Durante a missão, no entanto, ele e os companheiros encontram uma enorme
criatura metálica que caiu dos céus em um meteoro e começa a caçá-los.
Dirigido por Maggie Gyllenhaal, A Noiva! é um filme esquisito e digo
isso como elogio. Nem tudo que ele tenta fazer funciona e parece ter
dificuldade de organizar suas várias ideias em um pacote coeso, no entanto, há
algo bastante singular na releitura que a diretora faz da história da “noiva do
Frankenstein”.
Casamento sangrento
A narrativa se passa nos Estados
Unidos na década de 1930. A criatura de Frankenstein (Christian Bale) vai ao
país procurando a doutora Euphronius (Annette Benning), uma cientista
proeminente no campo da reanimação. Ele pede ajuda para criar uma companheira e
aplacar a solidão que sente há mais de um século. Junto da cientista ele escava
um cadáver recém enterrado e reanima sua Noiva (Jessie Buckley), ela tem poucas
memórias de sua vida pregressa e disputa o controle do seu corpo com o espírito
da escritora Mary Shelley (também Jessie Buckley), autora do romance Frankenstein. Juntos Frank e sua Noiva
partem para explorar a cidade, mas logo se tornam alvo das pessoas por conta de
sua aparência.
Primeiro longa-metragem do
diretor francês Ugo Bienvenu, Arco funciona
como uma mistura entre E.T: O
Extraterrestre (1982) e os filmes do Hayao Miyazaki, somados com uma discussão
sobre meio-ambiente e como normalizamos o nosso caos climático.
De volta para o futuro
A narrativa começa no ano 3000. A
humanidade vive uma utopia movida a energia solar em casas acima das nuvens.
Nessa época, viagem espacial e no tempo também foi dominada com o uso de
arco-íris, com incursões no tempo sendo usadas, por exemplo, para recuperar espécimes
de plantas extintas. O garoto Arco vive nessa época e morre de vontade de
viajar no tempo para ver dinossauros, mas ainda não atingiu a idade permitida.
Um dia ele resolve pegar o traje da irmã para viajar no tempo, mas erra o
destino indo parar no ano 2075 e perdendo seu cristal de viagem no tempo
durante o desastroso pouso. Ele é resgatado pela garota Íris (Arco e Íris,
sacaram?), que vive com seu robô babá Mikki e sente saudades dos pais, que
trabalham na cidade grande e só aparecem nos finais de semana. Iris tenta
ajudar Arco a voltar para casa, mas são perseguidos por um trio de irmãos
atrapalhados que há anos tentam desvendar o mistério das “pessoas arco-íris”.
A série de livros All You Need is Kill de Hiroshi
Sakurazaka já tinha sido adaptada em mangá e levada para os cinemas via
Hollywood com No Limite do Amanhã
(2014). Agora retorna aos cinemas em forma de longa animado com este Você Só Precisa Matar.
Viva, Morra, Repita
A narrativa acompanha Rita, uma
jovem solitária que faz parte de uma força-tarefa dedicada a estudar o Darol,
um enorme alienígena em formato de planta que caiu na Terra um ano atrás. Um
dia, o ser emite um enorme pulso eletromagnético e libera várias criaturas no
planeta. Rita é morta por um deles, mas estranhamente acorda no mesmo dia, como
se nada tivesse acontecido. Ela tenta avisar os companheiros da catástrofe iminente,
mas ninguém acredita nela. Rita então tenta resolver as coisas sozinha,
aprendendo a cada morte como se fosse um videogame.
Depois de um ano de estreia bacana, Fallout retorna para sua
segunda temporada com uma trama que soa mais como uma grande preparação para um
conflito vindouro do que algo pensado como uma unidade autônoma. Por outro
lado, a série continua entregando uma adaptação competente, que aproveita bem o
universo dos games.
A guerra não muda
Depois dos eventos do primeiro ano, Lucy (Ella Purnell) e Cooper (Walton Goggins) viajam juntos em direção a
New Vegas atrás do esconderijo de Hank (Kyle MacLachlan). Enquanto isso,
Maximus (Aaron Moten) finalmente se torna o cavaleiro da Irmandade de Ferro que
sempre sonhou, mas isso não significa que sua vida tenha necessariamente
melhorado, principalmente quando o líder de sua divisão maquina um meio de
assumir o controle.
Em Predador: A Caçada(2022) e Predador: Assassino de Assassinos (2025) o diretor Dan Trachtenberg parece ter
encontrado a fórmula para fazer os filmes do Predador funcionarem: situar a
trama em um período histórico específico e colocar os yautja para enfrentar
guerreiros de diferentes épocas. Agora com Predador:
Terras Selvagens o diretor tenta sacudir essa fórmula.
Caçada selvagem
A narrativa é protagonizada por
Dek (Dimitrius Schuster-Koloamatangi), um jovem yautja que é considerado fraco
pelo seu clã por ser menor que o padrão da raça. Seu irmão, Kwei (Mike Homik)
tenta treiná-lo para que prove seu valor, mas o pai deles vê o esforço de Kwei
em proteger o irmão como fraqueza e tenta matar os dois. Dek sobrevive e para
provar a força ao pai e conquistar seu dispositivo de camuflagem viaja até um
remoto e perigoso planeta para caçar uma criatura que dezenas de outros
predadores tentaram e falharam. Chegando lá ele encontra a sintética Thia (Elle
Fanning), uma androide a serviço a corporação Weyland-Yutani (sim, a mesma de Alien) que está ali em uma missão para
capturar a mesma criatura. Dek decide ajudar Thia a consertar suas pernas em
troca do conhecimento dela a respeito da fauna e flora hostis do lugar. Agora
os dois precisam enfrentar tanto as criaturas do planeta, quanto as tropas da
Weyland, que veem o yautja como uma ameaça aos planos e Thia como um fracasso a
ser descartado.
Lançado em 1987, O Sobrevivente adaptava o romance O Concorrente de Stephen King em uma
típica farofa oitentista de ação protagonizada por Arnold Schwarzenegger, cheio
de canastrice e frases de efeito. Agora o diretor Edgar Wright (de Em Ritmo de Fugae Noite Passada em Soho) tenta fazer uma adaptação mais próxima à
distopia criada por King e a crítica social que o autor tentava fazer.
Jogos vorazes
A narrativa se passa em um futuro
no qual há um abismo social ainda maior no qual os ricos vivem em bairros
fechados, cheios de segurança, enquanto os mais pobres são abandonados à
própria sorte em periferias sujas. Ben (Glen Powell, de Twisterse Todos Menos Você)
acaba de perder o emprego e a filha está doente. Sem ter como pagar o
tratamento ele tenta se candidatar a uma das várias competições televisivas que
permitem aos mais pobres ganhar algum dinheiro às custas de humilhação ou
perigo. A raiva dele contra o sistema o faz ser selecionado para a principal e
mais mortal das competições. Chamada de “o sobrevivente” é um reality show no
qual os participantes precisam sobreviver por trinta dias sendo caçados pelas
autoridades e vigiados pela população para ganhar um prêmio milionário.
Nova série de Vince Gilligan,
criador de Breaking Bad, Pluribus estreou cercada de mistério. Só
se sabia que era uma ficção científica e que seria estrelada por Rhea Seehorn,
com quem Gilligan trabalhou em Better Call Saul. O primeiro episódio fazia parecer mais uma trama de invasão
alienígena, mas logo a narrativa se desloca de elementos familiares do gênero
para falar de questões mais contemporâneas. Aviso que o texto contem SPOILERS
da temporada.
Júbilo coletivo
Na série, cientistas encontram
uma mensagem vinda do espaço. A mensagem traz uma sequência de DNA. Eles
sintetizam essa sequência e começam a experimentar em ratos, mas logo um
pesquisador é mordido e sua primeira ação é infectar o maior número de pessoas
possível. Descobrimos que todos os “infectados” se unem em uma espécie de mente
coletiva que vive em plena harmonia, mas alguns humanos se mostram imunes ao
processo. Carol Surka (Rhea Seehorn) é uma entre cerca de uma dúzia de pessoas
ao redor do mundo que é imune à infecção da mente coletiva. O coletivo não
parece inicialmente hostil, disposto a ajudar Carol e conversar com ela, mas a
escritora desconfia deles, principalmente porque no processo de “união” sua
companheira, Helen (Miriam Shor), morre.
Depois do bacana Avatar: O Caminho da Água (2022), este Avatar: Fogo e Cinzas dá a impressão de que o diretor James Cameron
está se repetindo. Originalmente esses dois filmes seriam uma história só, mas
Cameron preferiu dividir em dois e é visível que tudo foi pensado junto, já que
esse filme traz os mesmos temas, conflitos e até situações do anterior.
Fogo selvagem
Depois dos eventos do segundo
filme, Jake (Sam Worthington), Neytiri (Zoe Saldana) e o resto da sua família
lidam com a perda do filho. As coisas se complicam quando o suprimento de oxigênio
de Spider (Jack Champion) começam a dar problemas e Jake pensa que talvez seja
melhor que o humano vá morar no esconderijo dos demais humanos que se aliaram
aos Na’vi. Na viagem eles são atacados por saqueadores da tribo do fogo
liderados por Varang (Oona Chaplin) e Spider fica sem oxigênio. Para que ele
não morra, Kiri (Sigourney Weaver) usa sua conexão com Eywa para ajudá-lo e fungos
da floresta se entranham no corpo dele, permitindo que ele respire o ar de
Pandora. Isso torna Spider dos humanos no planeta, já que a autonomia das
máscaras de oxigênio facilitaria a colonização. Para capturar o garoto,
Quaritch (Stephen Lang) forma uma aliança com Varang e ambos se unem para
encontrar o esconderijo de Jake.
Sempre achei a franquia Tron mal aproveitada. É um universo
muito interessante, mas como os filmes sempre rendem abaixo do esperado, esse
universo nunca decolou de fato. O primeiro filme, lançado em 1982, inovava com
cenários e personagens completamente digitais, algo muito novo para época, mas
os avanços tecnológicos fizeram um filme envelhecer mal. Uma continuação só
viria quase trinta anos depois com o bacana, mas subestimado, Tron: O Legado (2010), que atualizou
como esse universo computadorizado seria em um mundo ainda mais digital, mas
também não teve o resultado esperado na bilheteria. Agora, quinze anos depois,
temos mais um filme da franquia com este Tron:
Ares, que infelizmente não fez valer o tempo de espera.
Guerreiros digitais
Na trama, a tecnologia evoluiu
para ser possível trazer elementos do mundo digital para o nosso mundo. Há uma
espécie de corrida tecnológica entre a Encom, empresa criada por Kevin Flynn
(Jeff Bridges) e hoje chefiada por Eve Kim (Greta Lee, de Vidas Passadase The Morning
Show) e a Dillinger Systems, criada pelo rival de Flynn na época do
primeiro filme e hoje liderada por Julian Dillinger (Evan Peters). As duas
empresas buscam um meio de trazer permanentemente recursos digitais para o
mundo real, já que qualquer elemento trazido para o nosso mundo dura apenas
cerca de meia hora. Quando Eve descobre elementos para criar o “código da
permanência” em meio a antigos arquivos de Kevin Flynn, Julian traz para o
mundo real seu programa de segurança Ares (Jared Leto) para caçar Eve e
recuperar o código. O contato com Eve, no entanto, faz Ares questionar sua
programação.
Novo filme do diretor grego
Yorgos Lanthimos, Bugonia declara já
em seu título sua temática de morte e renovação da vida. O termo bugonia viria
de uma expressão grega que postulava que abelhas e outros insetos nasciam das
carcaças de boi. Essas ideias, no entanto, permanecem subjacentes ao longo de
boa parte do filme, que parece priorizar outros temas.
Teoria da conspiração
A narrativa gira em torno de
Michelle (Emma Stone), presidente de uma grande empresa que é sequestrada por
Teddy (Jesse Plemons). Ele acredita que a executiva é na verdade uma alienígena
que está na Terra para matar as abelhas e destruir nosso ecossistema, com uma
ação grande planejada para um eclipse que acontecerá em poucos dias. Teddy e o
primo, Don (Aidan Delbis) matem Michelle no porão e tentam forçá-la a admitir o
plano dos alienígenas.
Fui assistir este Love Me sem saber absolutamente nada
além dele ser estrelado por Kristen Stewart e Steven Yeun. Nada me preparou
para a natureza aloprada da narrativa, ainda que sinta que a produção não
consegue sustentar todas as ambições que tem.
Amor digital
A narrativa se passa milênios no
futuro quando a humanidade foi extinta e a Terra ficou desabitada. Um satélite
vaga na órbita do nosso planeta contendo todo o acervo digital da humanidade
para que outras formas de vida o encontrem. A única outra forma de vida
inteligente, porém, é uma boia marítima criada para analisar os níveis de
salinização da água. Ela entra em contato com o satélite e ao acessar seu
acervo se torna fixada em um casal de influencers (interpretados por Stewart e
Yeun) e decide experimentar a vida humana. Para isso tenta fazer a amizade com
o satélite e juntos tentam construir uma simulação de como era a vida desse
casal para reproduzir a experiência humana. Logicamente, viver um
relacionamento humano é bem mais complexo do que imitar algumas centenas de reels de influencers e logo o casal
começa a ter problemas.
A primeira temporada de Pacificadorfoi uma grata surpresa ao
entregar um consistente estudo de personagem que equilibrava bem o drama e a
comédia. Esse segundo ano segue na mesma linha, ampliando os dramas conforme
eles lidam com as consequências da aventura anterior, mas decepciona no final.
Multiverso de loucuras
Mesmo depois de ter salvado o
mundo na primeira temporada, Chris Smith (John Cena), o Pacificador, ainda é um
pária entre os super-heróis e as forças de inteligência. Cansado disso e
rejeitado em seus avanços pela agente Harcourt (Jennifer Holland) Chris se
entrega ao hedonismo, até que um dia entra na câmara quântica que seu pai,
Auggie (Robert Patrick), usava e descobre portas para outros universos. Um
desses universos é similar ao dele, mas lá o Pacificador é visto como herói ao
lado do pai e do irmão, Keith (David Denman), que está vivo nessa realidade. Ao
mesmo tempo, Economos (Steve Agee) e Adebayo (Danielle Brooks) descobrem que
Rick Flag Sr. se tornou o diretor da Argus depois dos eventos da primeira
temporada e de Comando das Criaturas,
usando a agência para monitorar Chris em busca de vingança pela morte de Flag
Jr (Joel Kinnaman) em O Esquadrão Suicida (2021). Sem perspectivas e perseguido, Chris pensa em fugir para a
realidade alternativa que descobriu, principalmente depois de matar
acidentalmente a versão do Pacificador dessa outra Terra.
Lançado em 2007, uma das coisas
mais interessantes de Saneamento Básico:
O Filme é como ele transita por várias ideias sem perder a coesão. Começa
como uma crítica bem-humorada à burocracia pública, pontuando a dificuldade de
conseguir um pequeno aporte para a construção de uma fossa, mas logo se torna
uma declaração de amor ao cinema e seu poder transformador. Claro, o diretor
Jorge Furtado já estava mais do que acostumado a transitar entre vários temas
em seus filmes, vide o curta Ilha das
Flores (1989) ou longas como O Homem
que Copiava (2003).
Artistas do desastre
A trama é centrada em Marina
(Fernanda Torres), que tenta pressionar a prefeitura de sua pequena cidade a
construir uma fossa para evitar que dejetos poluam o córrego da região. A
secretaria responsável lhe informa que não há mais verba para obras naquele
ano, no entanto, há disponível uma rubrica para a produção de um vídeo
educativo que não foi usada e que Marina poderia dispor caso fizesse o tal
vídeo. Pensando em usar o dinheiro para financiar a fossa, Marina decide
produzir um vídeo sobre um monstro de poluição que ataca a cidade por conta da
falta de saneamento básico. Para fazer isso recruta o marido, Joaquim (Wagner
Moura), e dos amigos Cilene (Camila Pitanga) e Fabrício (Bruno Garcia).
A primeira coisa que chamou minha
atenção enquanto assistia o novo Guerra
dos Mundos foi a opção de contar toda a história a partir da tela do
computador do protagonista que monitorava toda a situação. A escolha não
parecia casar com o escopo da narrativa. Depois descobri a real razão para o
filme ter sido feito dessa maneira e isso só piorou minha impressão a respeito
do resultado final.
Guerra confinada
A narrativa é protagonizada pelo
analista de inteligência William Radford (Ice Cube). Ele é responsável por
monitorar vazamentos de dados, mas também começou a receber pedidos das
agências especiais a respeito de estranhos fenômenos eletromagnéticos ocorrendo
ao redor do mundo. Quando estranhas máquinas de três pernas caem do céu e
começam a atacar várias cidades do mundo, William resolve analisar o que está
havendo para tentar articular uma resposta.
Tudo é narrado a partir da tela
do computador de William, no qual ele acessa imagens de câmeras, conversa com
colegas e familiares por chamadas de vídeo e se informa por noticiários. Como a
produção foi filmada em 2020, durante a pandemia de COVID-19, as medidas
sanitárias de isolamento provavelmente motivaram essa estrutura do filme. Seria
uma oportunidade de usar esse senso de isolamento como uma metáfora para o
temor e ansiedade do nosso confinamento durante a pandemia, quando estávamos fechados
em nossas casas temendo um inimigo invisível e sem saber o que estava acontecendo.
O Guerra dos Mundos de 2005 dirigido
por Steven Spielberg usava muito bem o romance de H.G Wells para refletir sobre
seu tempo, em especial o senso de insegurança, paranoia e vulnerabilidade dos
Estados Unidos pós 11 de setembro. Essa nova versão, no entanto, não faz nada
disso.
Não há qualquer tentativa de usar
o confinamento do personagem para refletir sobre o confinamento pandêmico.
Tampouco há qualquer senso da escala ou da gravidade dos ataques já que as
imagens da invasão e dos conflitos em si são poucas e sempre borradas ou pixelizadas
para disfarçar a qualidade baixa dos efeitos visuais. Em termos de narrativa,
há apenas o clichê do pai que tenta consertar a relação com os filhos e uma
trama sobre vigilância governamental e privacidade, mas nenhuma delas tem muito
a oferecer além de lugares comuns. Não ajuda que Ice Cube e o resto do elenco
entreguem performances automáticas, desinteressadas, que são incapazes de
injetar qualquer senso de drama ou urgência nos eventos. Apesar de noventa minutos,
a impressão é que a narrativa dura muito mais por conta das arrastadas videochamadas
nas quais tudo se desenvolve, lembrando o horrendo Black Wake(2020) protagonizado pela brasileira Nana Gouvea.
Cinismo corporativo
Além do vazio narrativo e dramatúrgico,
a produção também incomoda pelo excesso de exposição de marcas de ferramentas
digitais e o modo como o filme, sem qualquer sutileza, apresenta os atributos
positivos dessas ferramentas, mostrando essas plataformas como potenciais
salvadoras do mundo. São construções que quebram nossa imersão na narrativa e
também soam como uma tentativa cínica de construir uma representação positiva
de big techs que tem sido alvo de
bastante escrutínio nos últimos anos por seu papel em contribuir para
desinformação ou discursos de ódio. Aqui todos esses questionamentos são
sublimados e todas essas plataformas têm apenas impactos positivos no mundo.
O pior, no entanto, é o que
acontece no clímax, quando William precisa fisicamente fazer o upload de um
vírus em servidores e precisa de um pen drive, recorrendo a uma grande empresa
de comércio eletrônico. O que se segue é uma publicidade cínica da velocidade
de entregas da Amazon Prime com seu uso de drones, basicamente fazendo a Amazon
ser a responsável por salvar o mundo por sua suposta agilidade na entrega e
avanços tecnológicos. É uma escolha que reduz o filme a uma mera propaganda
corporativa (e uma propaganda ruim ainda por cima) pensada apenas para gerar
valor para a empresa sem qualquer preocupação em entreter o espectador ou
fazê-lo refletir.
Contando com a versão nunca
lançada oficialmente dirigida por Roger Corman, o Quarteto Fantástico já tinha
recebido quatro filmes sem que nenhum deles de fato acertasse o clima de
aventura da primeira família da Marvel. Só agora com este Quarteto Fantástico: Primeiros Passos que finalmente recebemos uma
produção que demonstra entender quem são esses personagens.
Família incrível
A trama se passa fora do universo
regular dos filmes da Marvel, em uma Terra na qual o Quarteto Fantástico são os
únicos heróis em atividade. Eles já atuam há anos e além de serem celebridades,
também tem uma ação filantrópica que transformou o mundo deles para melhor. Um
novo desafio se impõe a Reed (Pedro Pascal) e Sue (Vanessa Kirby) quando ela
descobre estar grávida. Com a ajuda de Johnny (Joseph Quinn) e Ben (Ebon Moss
Bachrach), Reed se prepara para a chegada do filho, mas o surgimento de uma
nova ameaça traz novas prioridades. A Surfista Prateada (Julia Garner) chega a
Terra avisando que em poucos meses o planeta será consumido por Galactus (Ralph
Ineson), o devorador de mundos.
Depois de uma excelente primeira
temporada que manteve a essência do primeiro game ao mesmo tempo em que
expandiu alguns elementos do seu universo, The Last of Uschega a sua segunda temporada com um desafio ainda maior. O
segundo game não é apenas mais longo e mais moralmente ambíguo, ele depende de
muitos elementos específicos da linguagem dos games para construir sua reflexão
sobre violência de maneira impactante.
Consequências violentas
A trama se passa alguns anos
depois da temporada anterior. Ellie (Bella Ramsay) e Joel (Pedro Pascal) agora
vivem na comunidade liderada por Tommy (Gabriel Luna). Apesar de seguros, Ellie
e Joel estão distantes um do outro. Porém quando Joel é morto por Abby (Kaitlyn
Dever) como vingança pelo que aconteceu no hospital dos Vaga-Lumes, Ellie
decide partir em uma jornada de vingança, mesmo que isso contrarie os conselho
da comunidade.
Quando Shrek foi lançado em 2001 sacudiu o meio da animação de Hollywood
ao apresentar um filme acessível para todas as idades com um protagonista que
estava bem distante do tipo de personagem típico das animações da Disney, a
principal referência no meio. Nesse sentido, não parece coincidência que pouco
tempo depois a Disney lança uma animação que, como o ogro Shrek, era
protagonizada por uma criatura bruta, destrutiva, mau-humorada e de caráter
duvidoso, quase como uma resposta à Dreamworks. Até a publicidade do filme era
focada em mostrar como o monstrinho Stitch era uma antítese de tudo que a
Disney tinha feito até então, deixando evidente que a Casa do Mickey queria
chamar atenção do público que gostou de Shrek por ser “anti-Disney”.
Ohana significa família
A trama acompanha Lilo, uma
menina de cinco anos que perdeu os pais e é criada pela irmã mais velha, Nani.
Lilo é bem solitária e Nani luta para manter um emprego sob o risco de perder a
guarda da irmã. Depois que Lilo cria problemas na escola, Nani decide levá-la
para adotar um cachorro, pensando que um animal de estimação aplacaria a
solidão da menina. É aí que Lilo encontra Stitch, uma criatura alienígena fruto
de experimentos genéticos que veio fugida para a Terra e está sendo caçado por
forças intergalácticas. Agora, Lilo deve ajudar Stitch a ser parte de sua
família, ao mesmo tempo em que a criatura tenta encontrar um meio de evadir
seus perseguidores.
Em um mundo pós apocalíptico em
que os recursos são escassos e há um grande controle populacional por parte do
governo, qualquer casal que deseje ter filhos precisa se submeter a um processo
no qual são avaliados por alguns dias para analisar se eles tem condições de
criar filhos. A Avaliação parte desse
conceito para pensar sobre relacionamentos afetivos, controle populacional e
totalitarismo estatal.
Teste despadronizado
A narrativa foca no casal Mia
(Elizabeth Olsen) e Aaryan (Himesh Patel), dois cientistas que se submetem ao
processo de avaliação para tentarem ter um filho. Eles são avaliados por
Virginia (Alicia Vikander) que irá ficar com eles por sete dias observando
diferentes aspectos da vida do casal para determinar se eles estariam aptos a
terem filhos ou não. De início Virginia age de forma bastante protocolar,
perguntando sobre o trabalho do casal ou a relação deles, mas a partir do
segundo dia, os testes passam a ser menos ortodoxos, incluindo Virginia se
comportando como criança para testar as reações deles ou tentando seduzi-los.
Depois de uma fraca sexta temporada não pensei que Black Mirror fosse
retornar para mais um conjunto de episódios. Esta sétima temporada é um pouco
melhor que a anterior, mas deixa a impressão de que a série está se repetindo e
não tem muito mais a dizer. Assim como na temporada anterior, por sinal, em
alguns episódios a questão da tecnologia chega a ser até marginal para as
narrativas.
Vida precarizada
O primeiro episódio é, talvez, o
melhor dessa nova leva. O casal Mike (Chris O’Dowd) e Amanda (Rashida Jones) se
vê com uma grande despesa médica quando ela passa a ser dependente de um
dispositivo tecnológico para se manter viva. O problema é que a empresa que faz
o dispositivo está sempre piorando seu serviço para oferecer pacotes mais caros
que são vendidos como melhorias, mas que na prática só entregam o mesmo básico
de antes.