A volta de Matt Murdock em Demolidor Renascido teve seus altos e
baixos. Ainda que Charlie Cox e Vincent D’Onofrio continuem excelentes como
Matt e Wilson Fisk, a narrativa sofria ao replicar tramas e ideias que já
tinham sido trabalhadas na série da Netflix. Essa segunda temporada tinha o
potencial de levar tudo a outras direções por conta da maneira como tudo
terminou e em geral é competente nisso.
Nova Iorque sitiada
Depois dos eventos da primeira
temporada Wilson Fisk (Vincent D’Onofrio) se tornou prefeito de Nova Iorque e
usa sua autoridade para beneficiar seus negócios escusos através do porto livre
que abriu e também da força tarefa criada para deter vigilantes. Matt (Charlie
Cox) e Karen (Deborah Ann Woll) vivem escondidos enquanto tentam obter provas
dos crimes de Fisk. Quando o Demolidor tenta impedir a chegada de um navio
contendo armas ilegais, Fisk naufraga e o navio e coloca a culpa no Demolidor, iniciando
uma caçada contra o herói.
Eu não esperava nada da primeira
temporada de Monarch: Legado de Monstros
e me surpreendi como ela expandia o universo de monstros construído no cinema
e, ao mesmo tempo, finalmente contar uma história minimamente interessante com
personagens humanos. A segunda temporada continua os méritos do ano de estreia,
ainda que sofra um pouco com problemas de ritmo.
Negócio de família
A segunda temporada começa no ponto
em que o primeiro ano parou, com Cate (Anna Sawai, de Xógum) retornando do Axis Mundi junto com a avó, Keiko (Mari
Yamamoto), que por anos foi dada como morta, em uma estação da Monarch na Ilha
da Caveira, lar do King Kong. Contrariando as ordens da Monarch, Cate e Keiko
tentam abrir uma nova fenda para o Axis Mundi para resgatar Shaw (Kurt
Russell). Elas conseguem, mas um enorme titã, o Titã X, escapa da fenda e agora
cabe a elas encontrar um meio de deter a criatura para evitar um desastre.
Depois de uma excelente terceira temporada, Invencível volta para seu
quarto ano com a promessa de um conflito ainda mais intenso conforme a guerra
contra os viltrumitas chega ao seu ápice. É mais um ano em que a série consegue
equilibrar bem ação sangrenta e o drama de seus personagens.
Guerra iminente
Depois de aparentemente matar
Conquista, Mark lida com o fato de que talvez matar seus inimigos de fato
resolva seus problemas, algo que deixa seus aliados preocupados. Enquanto isso,
Nolan e Allen se preparam para a guerra contra os viltrumitas coletando aliados
e itens capazes de enfrentá-los.
Depois de um excelente ano de estreia
acompanhando um grupo de médicos em tempo real ao longo de um plantão, The Pitt retorna para sua segunda
temporada investindo ainda mais em explorar o peso que o trabalho em emergências
impõe aos profissionais. Em geral é tão bem sucedido quanto a primeira
temporada, ainda que não consiga equilibrar tão bem entre seus vários
personagens, incluindo algumas figuras novas. Aviso que o texto contem SPOILERS.
Feriado caótico
Se passando dez meses depois da
primeira temporada, acompanhamos a equipe de emergência do hospital de
Pittsburg em um plantão durante o feriado de quatro de julho, dia da independência
dos Estados Unidos. O Dr. Robby (Noah Wyle) está em seu último dia no comando da
emergência antes de embarcar em uma viagem de três meses de férias. Ao longo do
dia ele irá acompanhar a sua substituta, a Dra. Al Hashimi (Sepideh Moafi), em
um plantão cheio de casos tensos. O dia também marca o retorno de Langdon
(Patrick Ball), afastado para se tratar de seu vício em drogas, enquanto
Whitaker (Gerran Howell) está em seu primeiro dia como médico e não mais como
residente. Mel (Taylor Dearden) está tensa em ter que depor em um processo
contra o hospital e novos estudantes de medicina chegam no hospital.
Eu não era nascido quando
aconteceu o acidente radioativo com o césio-137 em Goiânia, mas lembro de ouvir
na escola a respeito dele. Um caso que se tornou símbolo da importância do
controle da circulação de elementos radioativos e como o menor dos vazamentos
pode trazer riscos catastróficos. Produzida pela Netflix, a minissérie Emergência Radioativa tenta recontar
essa história e como o descaso das autoridades causou consequências.
Cidade irradiada
A narrativa reconta o caso da
contaminação radioativa em Goiânia, que começa quando uma dupla de sucateiros
encontra a carcaça de uma máquina de raio-x em uma clínica desativada. Eles
levam o material para o ferro-velho de Evenildo (Bukassa Kabengele), que compra
o material por conta do valor do chumbo. Ele abre o dispositivo e encontra o
cabeçote que armazenava o pó radioativo do césio, achando bonito o pó brilhante
e levando ele para casa. Dias depois, a família dele começa a passar mal e a
esposa de Evenildo leva o cabeçote para um posto da vigilância sanitária
suspeitando que o objeto seja responsável. É nesse ponto que o físico nuclear
Márcio (Johnny Massaro), que está na cidade para o aniversário do pai, é
chamado por um colega da vigilância sanitária e faz a medição da radiação,
alertando o secretário de saúde da gravidade da situação. As autoridades são
alertadas e o físico Benny Orenstein (Paulo Gorgulho), membro da Comissão
Nacional de Energia Nuclear, vem do Rio de Janeiro para liderar a força tarefa
responsável para conter a contaminação e tratar os contaminados.
Depois de uma péssima quinta temporada estava disposto a largar O
Conto da Aia de mão considerando o quanto a série decaiu depois de sua
excelente estreia. Só retornei para essa sexta temporada porque era a última e
já que cheguei até aqui, melhor ver como tudo isso acaba. Esperava que ao menos
a série conseguisse entregar um final digno, mas essa última temporada não
consegue nem isso.
Começo do fim
A temporada começa no ponto em
que o ano anterior parou, com June (Elizabeth Moss) em um trem rumo ao Alasca,
uma das poucas partes dos Estados Unidos que ainda é livre de Gilead. No trem
ela descobre que Serena (Yvonne Strahovski) também está indo para o mesmo
destino. As ocupantes do trem descobrem quem Serena é e para protegê-la June
sugere que ela pule. Enquanto isso, Luke (O.T Fagbenle) e Moira conseguem fugir
do Canadá e se juntam à resistência de Gilead. O comandante Lawrence (Bradley
Whitford) tenta levar adiante sua iniciativa de abrir as fronteiras e repatriar
os refugiados de Gilead, mas enfrenta resistência dos outros comandantes, que o
consideram liberal demais.
Depois de uma envolvente primeira temporada que terminou em um gancho que me deixou ansioso pelo que viria a
seguir, a segunda temporada de Paradise chegou
para ampliar o universo da série para além do bunker e finalmente nos mostrar o estado do mundo ao redor. No
geral ela é quase tão boa quanto o primeiro ano, embora tenha sua parcela de
problemas. Aviso que o texto contém SPOILERS da temporada.
Admirável mundo novo
Depois de fugir do bunker em um avião em busca de sua
esposa no final da temporada anterior, reencontramos Xavier (Sterling K. Brown) ferido
nos destroços da aeronave. Ele está bem distante de seu destino e é encontrado
pela solitária Annie (Shailene Woodley) que passou os últimos anos vivendo em
Graceland, antiga mansão de Elvis Presley que se tornou um museu dedicado a
ele. Enquanto se recupera, ele conhece a história de Annie e como o mundo
externo está.
Quando escrevi sobre a primeira
temporada de Detetive Alex Cross
mencionei como a série executava bem sua trama de mistério, embora não saísse
muito do que é esperado pelo gênero. A série ainda sofria com o modo como
tentava observar as instituições policiais, com suas tentativas de crítica,
sempre esbarrando em um endosso dessas instituições. A segunda temporada tenta
resolver algumas dessas questões, mas nem sempre funciona.
Vingança em série
Alex Cross (Aldis Hodge) ganhou
ainda mais notoriedade depois dos eventos da temporada anterior quando ajudou a
prender um serial killer que vivia
nos mais altos escalões do poder. Agora ele é novamente solicitado pelo FBI
para ajudar em mais um caso de assassino em série, dessa vez com alvos
direcionados para pessoas ao redor do empresário Lance (Matthew Lilard), dono
de uma empresa que está para lançar um programa capaz de resolver problemas em
plantações no mundo inteiro. De início as autoridades pensam que é uma
tentativa de derrubar a iniciativa revolucionária da empresa, mas Alex logo
percebe que quem está por trás disso, Luz (Jeanine Mason), na verdade está em
busca por vingança em relação aos negócios escusos de Lance, envolvido na
exploração da mão de obra de imigrantes em regime análogo à escravidão, tráfico
de pessoas e tráfico sexual. Ao mesmo tempo Alex desconfia que Kayla (Alona
Tal), seu contato no FBI, parece mais interessada em avançar na carreira do que
em alcançar a verdade.
Já tinha ouvido falar bastante
sobre os livros de Patricia Cornwell protagonizados pela legista Kay Scarpetta,
mas nunca os tinha lido. Quando soube que a Prime faria uma série com a
personagem e protagonizada por Nicole Kidman parecia um bom lugar para começar
a conhecer a personagem. Infelizmente, Scarpetta:
Médica Legista não fez muito, ao menos para mim, para torná-la
interessante.
Corpo de delito
A narrativa começa com Kay
Scarpetta (Nicole Kidman) voltando para assumir o posto como médica legista no
estado da Virginia depois de anos ausente. Seu primeiro caso envolve um
assassinato que tem semelhanças com seu primeiro grande caso vinte anos atrás.
Para desvendar o que está acontecendo, a legista recruta ajuda de Pete Marino
(Bobby Cannavale), policial aposentado que trabalhou com ela no passado e que
hoje é seu cunhado, casado com sua irmã Dorothy (Jamie Lee Curtis). Dorothy e
Pete também retornam a Virginia para ajudar Lucy (Ariana DeBose), filha de
Dorothy, que recentemente perdeu a esposa, Janet (Janet Montgomery). Eles ficam
temporariamente na casa de Kay, o que causa atritos com ela e com Benton (Simon
Baker), marido de Kay e agente do FBI. A trama se desenvolve em duas
temporalidades, a do presente e a do passado, mostrando o que aconteceu no
primeiro grande caso de Kay.
Depois de uma primeira temporada
que fez um bom trabalho em adaptar a lógica do anime One Piece para live
action, a série da Netflix chega a sua segunda temporada mais segura de si
e capaz de lidar com alguns problemas de seu ano de estreia. É uma série que
continua surpreendendo pelo modo como captura o espírito do anime e o adequa ao
seu formato.
Mestre dos mares
A narrativa começa no ponto em
que o ano anterior parou, com Luffy (Iñaki Godoy) e os demais membros do bando
dos Chapéus de Palha buscando a entrada da Grand Line, a linha marítima que dá
a volta no globo e guarda vários perigos para aqueles que tentam atravessá-la,
mesmo os piratas. Ao longo da viagem eles passam por diferentes ilhas, lidando
com perigos, encontrando novos aliados, como Vivi (Charithra Chandran), e novos
inimigos na forma dos agentes da Baroque Works que caçam Vivi e os Chapéus de
Palha.
Depois de um ano de estreia bacana, Fallout retorna para sua
segunda temporada com uma trama que soa mais como uma grande preparação para um
conflito vindouro do que algo pensado como uma unidade autônoma. Por outro
lado, a série continua entregando uma adaptação competente, que aproveita bem o
universo dos games.
A guerra não muda
Depois dos eventos do primeiro ano, Lucy (Ella Purnell) e Cooper (Walton Goggins) viajam juntos em direção a
New Vegas atrás do esconderijo de Hank (Kyle MacLachlan). Enquanto isso,
Maximus (Aaron Moten) finalmente se torna o cavaleiro da Irmandade de Ferro que
sempre sonhou, mas isso não significa que sua vida tenha necessariamente
melhorado, principalmente quando o líder de sua divisão maquina um meio de
assumir o controle.
Como sou fã de romances
policiais, fiquei curioso para conferir a minissérie da Netflix Os Sete Relógios de Agatha Christie,
adaptando um romance da famosa escritora de mistério. Infelizmente o resultado deixa
a desejar e parece não compreender o que tornava as histórias de Christie tão
envolventes.
Assassinato no campo
A narrativa parte de uma premissa
típica dos livros de Christie. Durante uma festa em uma mansão, uma pessoa é
assassinada. Há um número limitado de suspeitos e uma arguta investigadora em
Lady Eileen (Mia McKenna-Bruce), amiga do falecido. Ela é auxiliada pelo
superintendente Battle (Martin Freeman) e ao longo da investigação se envolvem
com uma misteriosa organização secreta e o roubo de uma invenção
revolucionária.
Ao longo de três episódios a
impressão é que a trama caminha de maneira arrastada. Apesar de ser uma
história sobre conspirações, sociedades secretas, invenções sigilosas e muitos
segredos em jogo, não há qualquer senso de urgência, de que esses personagens
estão correndo contra o tempo ou sob algum senso real de ameaça. Mesmo durante
o clímax no trem com alianças mudando e armas sendo brandidas, nunca sentimos
que Eileen corre qualquer risco.
Os episódios conduzem a investigação
de modo bastante protocolar, mostrando as pistas, as reviravoltas e despistes.
A impressão é que os responsáveis pela série acham que basta reproduzir essa
natureza de quebra cabeça dos mistérios de Christie para fazer a história
funcionar, mas não entendem que há muito mais nesse tipo de narrativa do que
apresentar um mistério com pistas a serem desvendadas.
Além da já citada incapacidade de
construir intriga ou tensão, algo que os romances de Christie faziam muito bem,
a série deixa de lado outro aspecto muito importante da obra da escritora que é
a sua prosa e a personalidade que ela dá aos seus personagens. As histórias de
Christie normalmente são habitadas por um limitado plantel de suspeitos, cada
um com suas idiossincrasias e personalidades excêntricas. Aqui, os personagens
são figuras esquecíveis, que existem para mover a narrativa adiante, mas não
tem nada de memorável.
Os diálogos espirituosos e
mordazes, que constantemente comentavam sobre a sociedade britânica, também não
estão presentes nessa adaptação, perdendo muito do charme do texto de Christie.
O resultado são diálogos predominantemente expositivos, onde os personagens o
tempo todo explicam as pistas e seu raciocínio, mas sem muita coisa que dê
personalidade a essas falas. A jovem Mia McKenna-Bruce até tenta fazer de Lady
Eileen uma jovem destemida, que não hesita em falar o que pensa, porém é
limitada pelo texto insosso.
No fim, Os Sete Relógios de Agatha Christie entrega um mistério inane, sem
qualquer suspense, povoado por personagens desinteressantes e uma trama que
rapidamente mergulha no tédio.
Não creio que ninguém estivesse
clamando por uma série ou filme do Magnum,
herói da Marvel que começou como vilão e que também teve uma carreira como ator
de cinema. É o tipo de coisa que faz parecer que o estúdio está raspando o
tacho em meio a um desgaste de suas produções. O resultado, no entanto, é um
interessante estudo de personagem que explora a faceta do herói como ator de
cinema para pensar no estado atual de Hollywood e também no desgaste recente de
filmes de heróis.
Super astro
A narrativa é protagonizada por Simon
Williams (Yahya Abdul Mateen), um ator que há anos tenta, sem sucesso, vencer
em Hollywood. Um dia ele encontra Trevor Slattery (Ben Kingsley) em um cinema e
fica sabendo que estão acontecendo testes para um remake de Magnum, um antigo filme de super-herói que ele viu quando
era pequeno e que o inspirou a virar ator. Agora ele e Trevor se juntam para
tentar conseguir uma escalação no filme. Só há um problema, Simon tem super
poderes que ele não consegue controlar e Hollywood não permite pessoas com
poderes em sets de filmagem, então ele precisa manter seus poderes sob controle
e ocultos para conseguir o papel.
Depois de uma divertida primeira temporada, Palm Royale entra em sua
segunda temporada investindo ainda mais em seus excessos folhetinescos. Ainda
que seja sustentado pelo ótimo elenco, esse segundo ano acaba sendo um pouco
inferior que o primeiro.
Fundos de família
A narrativa se passa meses depois
do fim da primeira temporada. Maxine (Kristen Wiig) foi colocada em um
manicômio e Linda (Laura Dern) fugiu do país depois de ser considerada a
responsável pelo tiroteio que aconteceu no Palm Royale. Já recuperada, Norma
(Carol Burnett) incentiva Douglas (Josh Lucas) a casar com Mitzi (Kaia Garber)
que está grávida dele para que finalmente possam desbloquear o fundo fiduciário
para um herdeiro da família Dellacorte assim que o bebê nascer. Como os
Dellacorte morreram cedo e sem filhos, nas últimas décadas, com Norma e Douglas
sendo os últimos remanescentes, essa pode ser a única esperança de acessar o
dinheiro. O problema é que no final da temporada descobrimos que Norma não é
quem diz ser, tendo assumido o lugar da verdadeira Norma quando estudou com ela
em um colégio interno na juventude e Maxine busca meios de revelar a fraude de
Norma.
Com intervalos entre temporadas
cada vez maiores e o elenco infantil já tendo crescido para além da idade de
seus personagens. A impressão é que Stranger
Things perdeu parte do fôlego e do que o tornava interessante chegando
nessa temporada final. Esse ano derradeiro até consegue entregar um final que
respeita seus personagens e encerra seus ciclos, mas o caminho até lá não é dos
melhores.
Hawkins sitiada
A narrativa retorna um ano e meio
depois dos eventos da quarta temporada. Com a abertura das fendas, Hawkins foi
ocupada por militares que fecharam a cidade e controlam todo o fluxo de entrada
e saída. Para a população foi só um evento geológico, mas Mike (Finn Wolfhard),
Onze (Millie Bobby Brown) e os demais sabem que é Vecna (Jamie Campbell Bower)
que está por trás de tudo. Os militares controlam principalmente uma área com
uma grande fenda para o mundo invertido, com a implacável doutora Kay (Linda
Hamilton) tendo assumido a pesquisa de Brenner (Matthew Modine). Kay não só tem
pesquisado o mundo invertido como também está atrás de Onze, acreditando que a
garota ainda está em Hawkins. Assim, o grupo precisa tanto deter Vecna quando
se manter longe dos olhos dos militares.
Nova série de Vince Gilligan,
criador de Breaking Bad, Pluribus estreou cercada de mistério. Só
se sabia que era uma ficção científica e que seria estrelada por Rhea Seehorn,
com quem Gilligan trabalhou em Better Call Saul. O primeiro episódio fazia parecer mais uma trama de invasão
alienígena, mas logo a narrativa se desloca de elementos familiares do gênero
para falar de questões mais contemporâneas. Aviso que o texto contem SPOILERS
da temporada.
Júbilo coletivo
Na série, cientistas encontram
uma mensagem vinda do espaço. A mensagem traz uma sequência de DNA. Eles
sintetizam essa sequência e começam a experimentar em ratos, mas logo um
pesquisador é mordido e sua primeira ação é infectar o maior número de pessoas
possível. Descobrimos que todos os “infectados” se unem em uma espécie de mente
coletiva que vive em plena harmonia, mas alguns humanos se mostram imunes ao
processo. Carol Surka (Rhea Seehorn) é uma entre cerca de uma dúzia de pessoas
ao redor do mundo que é imune à infecção da mente coletiva. O coletivo não
parece inicialmente hostil, disposto a ajudar Carol e conversar com ela, mas a
escritora desconfia deles, principalmente porque no processo de “união” sua
companheira, Helen (Miriam Shor), morre.
Quando foi anunciado, esperei o
pior da série It: Bem-Vindos a Derry.
Era o tipo de projeto que soava como mais um prelúdio caça-níqueis feito para
capitalizar em cima de uma produção conhecida em uma Hollywood cada vez mais
aversa a riscos e nem mesmo a presença de Andy Muschietti, responsável pelos doisIt: A Coisa, no comando da série
me empolgava. Fui conferir a estreia por pura curiosidade e fui imediatamente
fisgado. Claro, a aversão a riscos e explorar o sucesso de um nome conhecido
pode de fato ter sido o gatilho para que o projeto fosse aprovado, mas o
resultado final é muito bom.
Cidade do Medo
A narrativa se passa na Derry da
década de 60. O major Leroy Hanlon (Jovan Adepo) chega na cidade para uma
missão secreta na base militar do local. Lá ele conhece Dick Halloran (Chris
Chalk), um aviador com dons sobrenaturais que aparentemente está ajudando os
militares a encontrar algo nos subterrâneos da cidade. Ao mesmo tempo um grupo
de crianças liderados por Lilly (Clara Stack) tenta investigar a morte de um
garoto local, mas esbarram em Pennywise (Bill Skarsgard) como o responsável
pelo desaparecimento de crianças na cidade. Will (Blake Cameron James), filho
de Leroy eventualmente se juntando ao grupo, conectando os dois núcleos.
A primeira temporada de Twisted Metalfoi uma grata surpresa ao
entregar uma aventura sangrenta e cômica em um mundo pós-apocalíptico no qual
as pessoas cotidianamente recorrem à barbárie para sobreviver. A segunda
temporada amplia a mitologia dos games ao finalmente colocar os personagens
para disputar o brutal torneio de combate veicular que dá nome ao título.
Metal pesado
Depois dos eventos do primeiro
ano, John (Anthony Mackie) continua a viver em uma cidade murada enquanto é
treinado pela nova Raven (Patty Guggenheim, de Mulher Hulk) para disputar o torneio Twisted Metal. O protagonista,
no entanto, não se adequa à vida na cidade nem com a ideia de ser um lacaio de
Raven. Ele acaba deixando a cidade na busca por Quiet (Stephanie Beatriz) e
descobre que ela está trabalhando com as Dolls, um grupo de saqueadoras que
visa acabar com as muralhas. Para tal, planejam competir no Twisted Metal, cujo
prêmio é dar ao vencedor o que mais deseja. John decide se juntar a elas, mas o
caminho até o torneio não será fácil.
A primeira temporada de Gen V foi uma grata surpresa ao manter o
espírito de The Boysao mesmo tempo
em que construía uma identidade e personagens capazes de despertar nosso
interesse independente das conexões com o universo da série principal. Essa
segunda temporada consegue tanto mostrar as consequências da quarta temporada
de The Boys quanto explorar as
repercussões da temporada de estreia de Gen V.
Dando sangue
O segundo ano começa algum tempo
depois da primeira temporada em que Marie (Jaz Sinclair) e os demais “Guardiões
da Godolkin” foram aprisionados e considerados culpados pela tragédia que, na
verdade, ajudaram a evitar. Marie conseguiu escapar e tenta reencontrar a irmã
da qual foi separada desde a infância. As coisas mudam quando ela encontra
Annie (Erin Moriarty), a Luz-Estrela, que se tornou a principal força de
oposição ao Capitão Pátria (Antony Starr). Annie pede que Marie retorne à
universidade Godolkin para investigar o misterioso Projeto Odessa, que
aparentemente daria uma arma contra o Capitão Pátria. A contragosto Marie
retorna e descobre que seus colegas também foram levados de volta e todos tem a
imagem reabilitada pelo novo reitor Cipher (Hamish Linklater), que tem um
interesse especial em Marie e em desenvolver seus poderes.
A primeira temporada de Pacificadorfoi uma grata surpresa ao
entregar um consistente estudo de personagem que equilibrava bem o drama e a
comédia. Esse segundo ano segue na mesma linha, ampliando os dramas conforme
eles lidam com as consequências da aventura anterior, mas decepciona no final.
Multiverso de loucuras
Mesmo depois de ter salvado o
mundo na primeira temporada, Chris Smith (John Cena), o Pacificador, ainda é um
pária entre os super-heróis e as forças de inteligência. Cansado disso e
rejeitado em seus avanços pela agente Harcourt (Jennifer Holland) Chris se
entrega ao hedonismo, até que um dia entra na câmara quântica que seu pai,
Auggie (Robert Patrick), usava e descobre portas para outros universos. Um
desses universos é similar ao dele, mas lá o Pacificador é visto como herói ao
lado do pai e do irmão, Keith (David Denman), que está vivo nessa realidade. Ao
mesmo tempo, Economos (Steve Agee) e Adebayo (Danielle Brooks) descobrem que
Rick Flag Sr. se tornou o diretor da Argus depois dos eventos da primeira
temporada e de Comando das Criaturas,
usando a agência para monitorar Chris em busca de vingança pela morte de Flag
Jr (Joel Kinnaman) em O Esquadrão Suicida (2021). Sem perspectivas e perseguido, Chris pensa em fugir para a
realidade alternativa que descobriu, principalmente depois de matar
acidentalmente a versão do Pacificador dessa outra Terra.