Depois de um ano de estreia bacana, Fallout retorna para sua
segunda temporada com uma trama que soa mais como uma grande preparação para um
conflito vindouro do que algo pensado como uma unidade autônoma. Por outro
lado, a série continua entregando uma adaptação competente, que aproveita bem o
universo dos games.
A guerra não muda
Depois dos eventos do primeiro ano, Lucy (Ella Purnell) e Cooper (Walton Goggins) viajam juntos em direção a
New Vegas atrás do esconderijo de Hank (Kyle MacLachlan). Enquanto isso,
Maximus (Aaron Moten) finalmente se torna o cavaleiro da Irmandade de Ferro que
sempre sonhou, mas isso não significa que sua vida tenha necessariamente
melhorado, principalmente quando o líder de sua divisão maquina um meio de
assumir o controle.
Como sou fã de romances
policiais, fiquei curioso para conferir a minissérie da Netflix Os Sete Relógios de Agatha Christie,
adaptando um romance da famosa escritora de mistério. Infelizmente o resultado deixa
a desejar e parece não compreender o que tornava as histórias de Christie tão
envolventes.
Assassinato no campo
A narrativa parte de uma premissa
típica dos livros de Christie. Durante uma festa em uma mansão, uma pessoa é
assassinada. Há um número limitado de suspeitos e uma arguta investigadora em
Lady Eileen (Mia McKenna-Bruce), amiga do falecido. Ela é auxiliada pelo
superintendente Battle (Martin Freeman) e ao longo da investigação se envolvem
com uma misteriosa organização secreta e o roubo de uma invenção
revolucionária.
Ao longo de três episódios a
impressão é que a trama caminha de maneira arrastada. Apesar de ser uma
história sobre conspirações, sociedades secretas, invenções sigilosas e muitos
segredos em jogo, não há qualquer senso de urgência, de que esses personagens
estão correndo contra o tempo ou sob algum senso real de ameaça. Mesmo durante
o clímax no trem com alianças mudando e armas sendo brandidas, nunca sentimos
que Eileen corre qualquer risco.
Os episódios conduzem a investigação
de modo bastante protocolar, mostrando as pistas, as reviravoltas e despistes.
A impressão é que os responsáveis pela série acham que basta reproduzir essa
natureza de quebra cabeça dos mistérios de Christie para fazer a história
funcionar, mas não entendem que há muito mais nesse tipo de narrativa do que
apresentar um mistério com pistas a serem desvendadas.
Além da já citada incapacidade de
construir intriga ou tensão, algo que os romances de Christie faziam muito bem,
a série deixa de lado outro aspecto muito importante da obra da escritora que é
a sua prosa e a personalidade que ela dá aos seus personagens. As histórias de
Christie normalmente são habitadas por um limitado plantel de suspeitos, cada
um com suas idiossincrasias e personalidades excêntricas. Aqui, os personagens
são figuras esquecíveis, que existem para mover a narrativa adiante, mas não
tem nada de memorável.
Os diálogos espirituosos e
mordazes, que constantemente comentavam sobre a sociedade britânica, também não
estão presentes nessa adaptação, perdendo muito do charme do texto de Christie.
O resultado são diálogos predominantemente expositivos, onde os personagens o
tempo todo explicam as pistas e seu raciocínio, mas sem muita coisa que dê
personalidade a essas falas. A jovem Mia McKenna-Bruce até tenta fazer de Lady
Eileen uma jovem destemida, que não hesita em falar o que pensa, porém é
limitada pelo texto insosso.
No fim, Os Sete Relógios de Agatha Christie entrega um mistério inane, sem
qualquer suspense, povoado por personagens desinteressantes e uma trama que
rapidamente mergulha no tédio.
Não creio que ninguém estivesse
clamando por uma série ou filme do Magnum,
herói da Marvel que começou como vilão e que também teve uma carreira como ator
de cinema. É o tipo de coisa que faz parecer que o estúdio está raspando o
tacho em meio a um desgaste de suas produções. O resultado, no entanto, é um
interessante estudo de personagem que explora a faceta do herói como ator de
cinema para pensar no estado atual de Hollywood e também no desgaste recente de
filmes de heróis.
Super astro
A narrativa é protagonizada por Simon
Williams (Yahya Abdul Mateen), um ator que há anos tenta, sem sucesso, vencer
em Hollywood. Um dia ele encontra Trevor Slattery (Ben Kingsley) em um cinema e
fica sabendo que estão acontecendo testes para um remake de Magnum, um antigo filme de super-herói que ele viu quando
era pequeno e que o inspirou a virar ator. Agora ele e Trevor se juntam para
tentar conseguir uma escalação no filme. Só há um problema, Simon tem super
poderes que ele não consegue controlar e Hollywood não permite pessoas com
poderes em sets de filmagem, então ele precisa manter seus poderes sob controle
e ocultos para conseguir o papel.
Depois de uma divertida primeira temporada, Palm Royale entra em sua
segunda temporada investindo ainda mais em seus excessos folhetinescos. Ainda
que seja sustentado pelo ótimo elenco, esse segundo ano acaba sendo um pouco
inferior que o primeiro.
Fundos de família
A narrativa se passa meses depois
do fim da primeira temporada. Maxine (Kristen Wiig) foi colocada em um
manicômio e Linda (Laura Dern) fugiu do país depois de ser considerada a
responsável pelo tiroteio que aconteceu no Palm Royale. Já recuperada, Norma
(Carol Burnett) incentiva Douglas (Josh Lucas) a casar com Mitzi (Kaia Garber)
que está grávida dele para que finalmente possam desbloquear o fundo fiduciário
para um herdeiro da família Dellacorte assim que o bebê nascer. Como os
Dellacorte morreram cedo e sem filhos, nas últimas décadas, com Norma e Douglas
sendo os últimos remanescentes, essa pode ser a única esperança de acessar o
dinheiro. O problema é que no final da temporada descobrimos que Norma não é
quem diz ser, tendo assumido o lugar da verdadeira Norma quando estudou com ela
em um colégio interno na juventude e Maxine busca meios de revelar a fraude de
Norma.
Com intervalos entre temporadas
cada vez maiores e o elenco infantil já tendo crescido para além da idade de
seus personagens. A impressão é que Stranger
Things perdeu parte do fôlego e do que o tornava interessante chegando
nessa temporada final. Esse ano derradeiro até consegue entregar um final que
respeita seus personagens e encerra seus ciclos, mas o caminho até lá não é dos
melhores.
Hawkins sitiada
A narrativa retorna um ano e meio
depois dos eventos da quarta temporada. Com a abertura das fendas, Hawkins foi
ocupada por militares que fecharam a cidade e controlam todo o fluxo de entrada
e saída. Para a população foi só um evento geológico, mas Mike (Finn Wolfhard),
Onze (Millie Bobby Brown) e os demais sabem que é Vecna (Jamie Campbell Bower)
que está por trás de tudo. Os militares controlam principalmente uma área com
uma grande fenda para o mundo invertido, com a implacável doutora Kay (Linda
Hamilton) tendo assumido a pesquisa de Brenner (Matthew Modine). Kay não só tem
pesquisado o mundo invertido como também está atrás de Onze, acreditando que a
garota ainda está em Hawkins. Assim, o grupo precisa tanto deter Vecna quando
se manter longe dos olhos dos militares.
Nova série de Vince Gilligan,
criador de Breaking Bad, Pluribus estreou cercada de mistério. Só
se sabia que era uma ficção científica e que seria estrelada por Rhea Seehorn,
com quem Gilligan trabalhou em Better Call Saul. O primeiro episódio fazia parecer mais uma trama de invasão
alienígena, mas logo a narrativa se desloca de elementos familiares do gênero
para falar de questões mais contemporâneas. Aviso que o texto contem SPOILERS
da temporada.
Júbilo coletivo
Na série, cientistas encontram
uma mensagem vinda do espaço. A mensagem traz uma sequência de DNA. Eles
sintetizam essa sequência e começam a experimentar em ratos, mas logo um
pesquisador é mordido e sua primeira ação é infectar o maior número de pessoas
possível. Descobrimos que todos os “infectados” se unem em uma espécie de mente
coletiva que vive em plena harmonia, mas alguns humanos se mostram imunes ao
processo. Carol Surka (Rhea Seehorn) é uma entre cerca de uma dúzia de pessoas
ao redor do mundo que é imune à infecção da mente coletiva. O coletivo não
parece inicialmente hostil, disposto a ajudar Carol e conversar com ela, mas a
escritora desconfia deles, principalmente porque no processo de “união” sua
companheira, Helen (Miriam Shor), morre.
Quando foi anunciado, esperei o
pior da série It: Bem-Vindos a Derry.
Era o tipo de projeto que soava como mais um prelúdio caça-níqueis feito para
capitalizar em cima de uma produção conhecida em uma Hollywood cada vez mais
aversa a riscos e nem mesmo a presença de Andy Muschietti, responsável pelos doisIt: A Coisa, no comando da série
me empolgava. Fui conferir a estreia por pura curiosidade e fui imediatamente
fisgado. Claro, a aversão a riscos e explorar o sucesso de um nome conhecido
pode de fato ter sido o gatilho para que o projeto fosse aprovado, mas o
resultado final é muito bom.
Cidade do Medo
A narrativa se passa na Derry da
década de 60. O major Leroy Hanlon (Jovan Adepo) chega na cidade para uma
missão secreta na base militar do local. Lá ele conhece Dick Halloran (Chris
Chalk), um aviador com dons sobrenaturais que aparentemente está ajudando os
militares a encontrar algo nos subterrâneos da cidade. Ao mesmo tempo um grupo
de crianças liderados por Lilly (Clara Stack) tenta investigar a morte de um
garoto local, mas esbarram em Pennywise (Bill Skarsgard) como o responsável
pelo desaparecimento de crianças na cidade. Will (Blake Cameron James), filho
de Leroy eventualmente se juntando ao grupo, conectando os dois núcleos.
A primeira temporada de Twisted Metalfoi uma grata surpresa ao
entregar uma aventura sangrenta e cômica em um mundo pós-apocalíptico no qual
as pessoas cotidianamente recorrem à barbárie para sobreviver. A segunda
temporada amplia a mitologia dos games ao finalmente colocar os personagens
para disputar o brutal torneio de combate veicular que dá nome ao título.
Metal pesado
Depois dos eventos do primeiro
ano, John (Anthony Mackie) continua a viver em uma cidade murada enquanto é
treinado pela nova Raven (Patty Guggenheim, de Mulher Hulk) para disputar o torneio Twisted Metal. O protagonista,
no entanto, não se adequa à vida na cidade nem com a ideia de ser um lacaio de
Raven. Ele acaba deixando a cidade na busca por Quiet (Stephanie Beatriz) e
descobre que ela está trabalhando com as Dolls, um grupo de saqueadoras que
visa acabar com as muralhas. Para tal, planejam competir no Twisted Metal, cujo
prêmio é dar ao vencedor o que mais deseja. John decide se juntar a elas, mas o
caminho até o torneio não será fácil.
A primeira temporada de Gen V foi uma grata surpresa ao manter o
espírito de The Boysao mesmo tempo
em que construía uma identidade e personagens capazes de despertar nosso
interesse independente das conexões com o universo da série principal. Essa
segunda temporada consegue tanto mostrar as consequências da quarta temporada
de The Boys quanto explorar as
repercussões da temporada de estreia de Gen V.
Dando sangue
O segundo ano começa algum tempo
depois da primeira temporada em que Marie (Jaz Sinclair) e os demais “Guardiões
da Godolkin” foram aprisionados e considerados culpados pela tragédia que, na
verdade, ajudaram a evitar. Marie conseguiu escapar e tenta reencontrar a irmã
da qual foi separada desde a infância. As coisas mudam quando ela encontra
Annie (Erin Moriarty), a Luz-Estrela, que se tornou a principal força de
oposição ao Capitão Pátria (Antony Starr). Annie pede que Marie retorne à
universidade Godolkin para investigar o misterioso Projeto Odessa, que
aparentemente daria uma arma contra o Capitão Pátria. A contragosto Marie
retorna e descobre que seus colegas também foram levados de volta e todos tem a
imagem reabilitada pelo novo reitor Cipher (Hamish Linklater), que tem um
interesse especial em Marie e em desenvolver seus poderes.
A primeira temporada de Pacificadorfoi uma grata surpresa ao
entregar um consistente estudo de personagem que equilibrava bem o drama e a
comédia. Esse segundo ano segue na mesma linha, ampliando os dramas conforme
eles lidam com as consequências da aventura anterior, mas decepciona no final.
Multiverso de loucuras
Mesmo depois de ter salvado o
mundo na primeira temporada, Chris Smith (John Cena), o Pacificador, ainda é um
pária entre os super-heróis e as forças de inteligência. Cansado disso e
rejeitado em seus avanços pela agente Harcourt (Jennifer Holland) Chris se
entrega ao hedonismo, até que um dia entra na câmara quântica que seu pai,
Auggie (Robert Patrick), usava e descobre portas para outros universos. Um
desses universos é similar ao dele, mas lá o Pacificador é visto como herói ao
lado do pai e do irmão, Keith (David Denman), que está vivo nessa realidade. Ao
mesmo tempo, Economos (Steve Agee) e Adebayo (Danielle Brooks) descobrem que
Rick Flag Sr. se tornou o diretor da Argus depois dos eventos da primeira
temporada e de Comando das Criaturas,
usando a agência para monitorar Chris em busca de vingança pela morte de Flag
Jr (Joel Kinnaman) em O Esquadrão Suicida (2021). Sem perspectivas e perseguido, Chris pensa em fugir para a
realidade alternativa que descobriu, principalmente depois de matar
acidentalmente a versão do Pacificador dessa outra Terra.
A primeira temporada de Wandinha sofria por sacrificar muito do
que torna a personagem (e toda a família Addams) singular em prol de uma trama
adolescente excessivamente aderente aos clichês desse tipo de história. Essa
segunda temporada prometia evitar esses lugares comuns e ser mais fiel ao
espírito da personagem. Tendo assistido a temporada completa é possível ver um
vislumbre disso, mas a verdade é que ainda soa como uma série adolescente
genérica vestindo a aparência do universo dos Addams.
Visões sinistras
A trama começa com Wandinha
(Jenna Ortega) tendo uma visão de eventos catastróficos acontecendo na sua escola
que culminariam na morte de sua amiga Enid (Emma Myers). Diante disso, a jovem
Addams decide investigar o que suas visões significam ao mesmo tempo que lida
com mudanças na escola, como a chegada do irmão Feioso (Isaac Ordonez) para
estudar lá e o novo diretor, Dort (Steve Buscemi), que parece ter seus próprios
interesses com o local.
Eu lembro que o reality show The Biggest Loser (algo como
O Grande Perdedor em português) teve
uma versão aqui no Brasil chamada Quem
Perde Ganha. Não consegui assistir sequer um episódio inteiro. Apesar de se
colocar como um programa focado em saúde ao colocar pessoas obesas em uma
competição na qual quem perdesse mais peso ao longo de um determinado período
de tempo ganharia um prêmio em dinheiro, o que eu via nas telas era que essas
pessoas eram colocadas em situações vexatórias ou em exercícios pouco adequados
para elas. A minissérie documental Magreza
na TV: A Verdade de The Biggest Loser reforçou minhas impressões ao
explorar os bastidores da versão original do reality nos Estados Unidos, que durou dezessete temporadas entre
2004 e 2016.
Nem ganhar ou perder
Ao longo de três episódios a
série tenta mostrar como o reality se
vendia como um estímulo a uma vida saudável e à perda de peso em um país com
crescentes taxas de obesidade e sedentarismo. A série confronta essa proposta
com a realidade do programa, no qual pessoas obesas eram colocadas diante de
treinadores cujos programas de exercícios físicos eram pouco adequados para
pessoas obesas e sem condicionamento físico, além do fato de que esses
treinadores constantemente humilhavam e criticavam os participantes. Isso,
somado ao fato de que os participantes eram encorajados a comer o mínimo de
calorias possível enquanto mantinham uma rotina diária de várias horas de
exercício mostra como a perda rápida de peso que era exibida pelo programa era
pouco saudável.
Anunciada em 2020, mas só lançada
agora em 2025, Coração de Ferro foi
parte de um período conturbado da divisão de televisão da Marvel em que suas
produções foram reavaliadas e passaram por revisões, refilmagens, quando não
foram refeitas do zero. Séries como Ecoou
Demolidor: Renascido conseguiram sair
desse crisol ao menos como produtos coesos, com uma visão bem demarcada da
história que queriam contar. Coração de
Ferro, por outro lado, não tem a mesma sorte. Aviso que o texto contem spoilers da série.
Gênia indomável
A narrativa segue Riri Williams
(Dominique Thorne) depois dos eventos de Pantera Negra: Wakanda Para Sempre (2022). Riri continua tentando criar um novo
traje de ferro e uma IA similar à que encontrou em Wakanda, mas quando seus
experimentos causam mais um grande acidente na faculdade, ela termina expulsa.
Riri volta para Chicago, sua cidade natal, e para financiar sua pesquisa não encontra
outro meio senão colaborar com os esquemas criminosos da gangue liderada por Parker
(Anthony Ramos), que recebe a alcunha de Capuz por conta do capuz místico que
lhe confere estranhos poderes.
A minissérie Sereias é um novelão. Digo isso não em um sentido perjorativo, já
que sua abordagem novelesca, cheia de excessos e histrionismos é parte do que a
torna divertida, no entanto, sei que muita gente não se atrai por esse tipo de
produto. Por isso aviso logo que se algo com uma pegada novelesca não é a sua
praia, você talvez não se atraia pela série. Aviso que o texto contem SPOILERS
da série.
O canto da sereia
A trama é centrada em Devon
(Meghann Fahy), uma mulher que abriu mão de muita coisa na vida para cuidar da
irmã mais nova depois do falecimento da mãe e agora tem que cuidar do pai que
está em estado avançado de demência. Não conseguindo lidar sozinha com a
responsabilidade, ela tenta contato com a irmã mais nova, Simone (Milly
Alcock), que a ignora. Devon decide então ir até onde a irmã está, uma luxuosa
casa de veraneio em uma ilha habitada por ricaços na qual Simone trabalha como
assistente pessoal de Michaela (Julianne Moore), a esposa filantropa do
bilionário Peter Kell (Kevin Bacon). Lá vê uma estranha relação de
co-dependência entre Michaela e Simone, decidindo tirar a irmã dali, mas logo a
própria Devon é puxada para a órbita de Michaela.
Uma das coisas mais engraçadas
que já li na internet foi o fio que o ator Paulo Vieira fez no finado Twitter
contando as histórias de sua família, em especial as desventuras de seu pai,
Luís, e o melhor amigo dele, Pablo. No longo fio, Paulo Vieira narrava como
Pablo e Luisão sempre se metiam em roubadas ao tentarem inventar novos
empreendimentos ou formas de economizar dinheiro.
Algumas situações eram tão
absurdas que eu só acreditava porque Vieira colocava fotos e vídeos nos
relatos. Eram coisas que pareciam ter saído diretamente de uma sitcom, então
não foi surpresa quando foi anunciado que Pablo
& Luisão viraria uma série. Por mais empolgado que estivesse, no
entanto, também estava receoso, já que a última vez que a Globoplay tentou
transformar um fio cômico de internet em série o resultado foi a péssima Eu, a Vó e a Boi(2019). Felizmente esse
não é o caso e Pablo & Luisão é
uma das melhores comédias dos últimos anos.
Depois de uma excelente primeira
temporada que manteve a essência do primeiro game ao mesmo tempo em que
expandiu alguns elementos do seu universo, The Last of Uschega a sua segunda temporada com um desafio ainda maior. O
segundo game não é apenas mais longo e mais moralmente ambíguo, ele depende de
muitos elementos específicos da linguagem dos games para construir sua reflexão
sobre violência de maneira impactante.
Consequências violentas
A trama se passa alguns anos
depois da temporada anterior. Ellie (Bella Ramsay) e Joel (Pedro Pascal) agora
vivem na comunidade liderada por Tommy (Gabriel Luna). Apesar de seguros, Ellie
e Joel estão distantes um do outro. Porém quando Joel é morto por Abby (Kaitlyn
Dever) como vingança pelo que aconteceu no hospital dos Vaga-Lumes, Ellie
decide partir em uma jornada de vingança, mesmo que isso contrarie os conselho
da comunidade.
Há uma contradição fundamental
entre o regime estético e a narrativa de O
Estúdio. De um lado temos uma série de escolhas estéticas altamente
sofisticadas, com longos planos sequência conforme os personagens caminham em
sets de filmagem ou grandes eventos construindo um senso de constante movimento
e unidade espacial para as cenas. Por outro lado, por mais que haja uma encenação
cuidadosamente planejada que reflete bastante atenção na linguagem do cinema, a
série é fundamentalmente sobre um grupo de pessoas vulgares, estúpidas e que
podem até pensar que se importam com a arte, mas na prática produzem o mesmo
lixo corporativo de sempre.
Indústria caótica
Essa contradição não é um
equívoco ou uma escolha impensada. Na verdade soa como uma decisão bem
deliberada de construir um regime visual que tenta evocar como esses
personagens, em especial o chefe de estúdio Matt Remick (Seth Rogen), pensam
sobre si mesmos e faz o estilo chocar com a realidade estúpida do que eles de
fato são, desnudando de maneira ainda mais escancarada o cinismo, a estupidez e
a visão mercantilizada, utilitarista e imatura que eles tem do cinema enquanto
arte. A dissonância entre estética e narrativa é, na prática, uma maneira de
ilustrar a dissonância cognitiva de seu protagonista.
Depois de uma fraca sexta temporada não pensei que Black Mirror fosse
retornar para mais um conjunto de episódios. Esta sétima temporada é um pouco
melhor que a anterior, mas deixa a impressão de que a série está se repetindo e
não tem muito mais a dizer. Assim como na temporada anterior, por sinal, em
alguns episódios a questão da tecnologia chega a ser até marginal para as
narrativas.
Vida precarizada
O primeiro episódio é, talvez, o
melhor dessa nova leva. O casal Mike (Chris O’Dowd) e Amanda (Rashida Jones) se
vê com uma grande despesa médica quando ela passa a ser dependente de um
dispositivo tecnológico para se manter viva. O problema é que a empresa que faz
o dispositivo está sempre piorando seu serviço para oferecer pacotes mais caros
que são vendidos como melhorias, mas que na prática só entregam o mesmo básico
de antes.
Entre as várias séries que saíram
da parceria entre Marvel e Netflix, Demolidorera a mais consistente delas, então quando as duas terminaram a colaboração
se esperava que os personagens retornassem ao universo Marvel de alguma
maneira. Durante um tempo tudo ficou no limbo, muito incerto, até que Matt
Murdock (Charlie Cox) foi incorporado ao MCU em Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa(2021) e o Rei do Crime (Vincent
D’Onofrio) na série do Gavião Arqueiro(2021).
Eventualmente a Disney/Marvel anunciou que o Homem Sem Medo voltaria para uma
série do Disney+ intitulada Demolidor:
Renascido.
Vindo das cinzas
Na trama, depois de uma tragédia
pessoal, Matt tenta reconstruir sua vida como advogado e deixar para trás suas
atividades como Demolidor. Ao mesmo tempo, Wilson Fisk retorna a Nova Iorque
depois dos eventos da série Eco(2024)
para retomar seu império criminal e sua relação com a esposa, Vanessa (Ayelet
Zurer). Fisk se lança como prefeito e passa a governar a cidade. Com o Rei do
Crime na prefeitura, Matt começa a perceber que agir dentro lei não garante que
a justiça será feita já que a estrutura do Estado foi aparelhada por um
criminoso.
Nunca fui muito de acompanhar
séries médicas. No máximo acompanhei algumas temporadas de House por conta de sua estrutura de mistério e investigação que
remetia a uma dinâmica de histórias do Sherlock Holmes. The Pitt, no entanto, chamou minha atenção pela sua forma de contar
a história, acompanhando um plantão de emergência em tempo real, com cada
episódio cobrindo uma hora de plantão. O resultado é algo que soa como uma
mistura de Plantão Médico com 24 Horas, mas acaba sendo mais do que
uma mera combinação de elementos conhecidos.
Sob pressão
A série acompanha um turno do
plantão de emergência de um hospital em Pittsburgh que é liderado pelo Dr.
Michael “Robby” Robinavitch (Noah Wyle, veterano da série Plantão Médico). Robby comanda a equipe formada por médicos,
enfermeiros, residentes e estudantes de medicina, lidando não só com a urgência
de casos complicados, mas com os recursos limitados do hospital.