Considerando as bombas que Gerard
Butler vem fazendo, Destruição Final: O Último Refúgio (2021) era uma produção competente, que reproduzia muitos
lugares comuns de filmes catástrofe, mas ao menos acertava ao focar no elemento
humano. Já sua continuação Destruição
Final 2 (aparentemente a primeira destruição não foi definitiva o suficiente),
ignora o que o primeiro fez bem e entrega algo bem pior.
Destruição vazia
Cinco anos depois dos eventos do
primeiro filme, a paisagem da Terra mudou radicalmente depois da queda do
cometa. O clima mudou em muitos lugares, impossibilitando a vida, a radiação
aumentou em vários territórios e chuvas de meteoros ainda atingem o planeta.
John (Gerard Butler) vive com sua família, a esposa Allison (Morena Baccarin) e
o filho Nathan (Roman Griffin Davis, de Jojo Rabbit), no bunker no qual se abrigaram no fim do filme anterior, mas
quando uma catástrofe atinge o local são obrigados a fugir para a Europa. Lá
eles decidem ir até a cratera onde o principal cometa caiu cinco anos atrás, já
que sondagens indicam que o local se tornou um vale habitável.
A primeira coisa que chamou minha
atenção enquanto assistia o novo Guerra
dos Mundos foi a opção de contar toda a história a partir da tela do
computador do protagonista que monitorava toda a situação. A escolha não
parecia casar com o escopo da narrativa. Depois descobri a real razão para o
filme ter sido feito dessa maneira e isso só piorou minha impressão a respeito
do resultado final.
Guerra confinada
A narrativa é protagonizada pelo
analista de inteligência William Radford (Ice Cube). Ele é responsável por
monitorar vazamentos de dados, mas também começou a receber pedidos das
agências especiais a respeito de estranhos fenômenos eletromagnéticos ocorrendo
ao redor do mundo. Quando estranhas máquinas de três pernas caem do céu e
começam a atacar várias cidades do mundo, William resolve analisar o que está
havendo para tentar articular uma resposta.
Tudo é narrado a partir da tela
do computador de William, no qual ele acessa imagens de câmeras, conversa com
colegas e familiares por chamadas de vídeo e se informa por noticiários. Como a
produção foi filmada em 2020, durante a pandemia de COVID-19, as medidas
sanitárias de isolamento provavelmente motivaram essa estrutura do filme. Seria
uma oportunidade de usar esse senso de isolamento como uma metáfora para o
temor e ansiedade do nosso confinamento durante a pandemia, quando estávamos fechados
em nossas casas temendo um inimigo invisível e sem saber o que estava acontecendo.
O Guerra dos Mundos de 2005 dirigido
por Steven Spielberg usava muito bem o romance de H.G Wells para refletir sobre
seu tempo, em especial o senso de insegurança, paranoia e vulnerabilidade dos
Estados Unidos pós 11 de setembro. Essa nova versão, no entanto, não faz nada
disso.
Não há qualquer tentativa de usar
o confinamento do personagem para refletir sobre o confinamento pandêmico.
Tampouco há qualquer senso da escala ou da gravidade dos ataques já que as
imagens da invasão e dos conflitos em si são poucas e sempre borradas ou pixelizadas
para disfarçar a qualidade baixa dos efeitos visuais. Em termos de narrativa,
há apenas o clichê do pai que tenta consertar a relação com os filhos e uma
trama sobre vigilância governamental e privacidade, mas nenhuma delas tem muito
a oferecer além de lugares comuns. Não ajuda que Ice Cube e o resto do elenco
entreguem performances automáticas, desinteressadas, que são incapazes de
injetar qualquer senso de drama ou urgência nos eventos. Apesar de noventa minutos,
a impressão é que a narrativa dura muito mais por conta das arrastadas videochamadas
nas quais tudo se desenvolve, lembrando o horrendo Black Wake(2020) protagonizado pela brasileira Nana Gouvea.
Cinismo corporativo
Além do vazio narrativo e dramatúrgico,
a produção também incomoda pelo excesso de exposição de marcas de ferramentas
digitais e o modo como o filme, sem qualquer sutileza, apresenta os atributos
positivos dessas ferramentas, mostrando essas plataformas como potenciais
salvadoras do mundo. São construções que quebram nossa imersão na narrativa e
também soam como uma tentativa cínica de construir uma representação positiva
de big techs que tem sido alvo de
bastante escrutínio nos últimos anos por seu papel em contribuir para
desinformação ou discursos de ódio. Aqui todos esses questionamentos são
sublimados e todas essas plataformas têm apenas impactos positivos no mundo.
O pior, no entanto, é o que
acontece no clímax, quando William precisa fisicamente fazer o upload de um
vírus em servidores e precisa de um pen drive, recorrendo a uma grande empresa
de comércio eletrônico. O que se segue é uma publicidade cínica da velocidade
de entregas da Amazon Prime com seu uso de drones, basicamente fazendo a Amazon
ser a responsável por salvar o mundo por sua suposta agilidade na entrega e
avanços tecnológicos. É uma escolha que reduz o filme a uma mera propaganda
corporativa (e uma propaganda ruim ainda por cima) pensada apenas para gerar
valor para a empresa sem qualquer preocupação em entreter o espectador ou
fazê-lo refletir.
Filmes-catástrofe não fazem muito
meu estilo e não morro de amores pelo primeiro Twister (1996), então não fiquei exatamente empolgado com o anúncio
desse Twisters. Parecia só mais uma
dessas continuações tardias que existe para capitalizar em cima da nostalgia do
espectador. Talvez por isso eu tenha ficado surpreso com o fato de que o filme
se concentra mais em seus novos personagens sem se preocupar muito com
referências ao original.
Novos rostos
A trama é protagonizada por Kate
(Daisy Edgar-Jones), meteorologista que desenvolve um protótipo que pode
dissipar tornados. As coisas dão errado durante o teste e quase toda sua equipe
morre. Anos depois, ela trabalha em Nova Iorque quando o antigo colega, Javi
(Anthony Ramos), a procura para uma nova caçada a tornados. Javi está
trabalhando para o empreendedor Scott (David Corenswet), que financia sua
pesquisa de escaneamento de tornados. Com esse mapeamento, Kate poderia
aperfeiçoar seu protótipo e, assim, ela aceita participar da empreitada.
Chegando no interior do país, a equipe de Kate esbarra no grupo de youtubers
liderado por Tyler (Glen Powell), cuja postura é bem menos profissional que a
equipe de cientistas da qual Kate faz parte.
Os filmes de Roland Emmerich
nunca foram exatamente inteligentes e sempre usavam de maneira bem solta os
conceitos científicos que ele usava. Ao menos, porém, produções como Independence Day (1996)ou O
Dia Depois de Amanhã (2004) tinham uma certa autoconsciência da própria
estupidez e conseguiam criar um senso de diversão ao redor de seus conceitos
absurdos. O mesmo não acontece com este Moonfall:
Ameaça Lunar, que não apenas leva a imbecilidade típica das tramas de
Emmerich a patamares ainda mais elevados como também o faz sem qualquer
espírito de diversão ou galhofa, levando tudo a sério e sendo tão cinzento que
mais parece uma tentativa de Zack Snyder imitar o estilo de Emmerich. E não,
isso não é um elogio.
Depois dos fracassos que foram Independence Day: O Ressurgimento(2016)
e Midway: Batalha em Alto Mar (2019),
grandes estúdios sabiamente passaram a não querer investir em Emmerich e para
fazer Moonfall o diretor precisou
levantar os 140 milhões de seu orçamento de produção (ou seja, o valor não leva
em conta os custos de marketing e distribuição) de diferentes parceiros
comerciais, incluindo companhias chinesas. Isso faz de Moonfall o mais caro “filme independente” estadunidense, o que
seria um grande feito se não fosse tão pavorosamente ruim.
Misturando o otimismo de
películas natalinas com o niilismo de filmes sobre o iminente fim do mundo,
este A Última Noite é certamente uma
mistura insólita. A diretora Camille Griffin tenta construir uma trama sobre
celebrações e encerramentos, mas nem tudo se encaixa como deveria.
A narrativa começa com o casal
Nell (Keira Knightley) e Simon (Matthew Goode) esperando um grupo de amigos
para as comemorações de Natal em sua casa de campo. Aos poucos o filme vai
dando indícios de que há algo estranho no ar e logo descobrimos a razão. A
atmosfera se tornou tóxica por conta das mudanças climáticas, gerando tornados
e tempestades de substâncias mortais. Para evitar uma morte lenta e sofrida, a
família de Nell e seus amigos decidiram tomar os comprimidos distribuídos pelo
governo para terem uma morte sem sofrimento.A comemoração de Natal é, portanto, a última noite deles neste mundo. O
problema é que Art (Roman Griffin Davis, filho da diretora), o filho mais velho
de Nell, não aceita de bom grado a ideia do suicídio coletivo.
Depois de três filmes (Godzilla, Kong: A Ilha da Caveirae Godzilla 2: Rei dos Monstros)
construindo o universo de monstros e preparando terreno para o embate entre os
dois famosos monstros gigantes do cinema neste Godzilla vs Kong. Eles mostram que aprenderam algumas lições com os
filmes anteriores, embora ainda insistam em repetir alguns dos problemas.
Na trama, Godzilla começa
estranhamente a atacar cidades humanas e as pessoas começam a pensar na
criatura, que até então protegia o mundo de outros monstros, como uma ameaça. O
aumento da agressividade do réptil atômico preocupa a pesquisadora Ilene
(Rebecca Hall), que supervisiona o Kong na Ilha da Caveira e teme que Godzilla
o ataque. Ao mesmo tempo, Madison (Millie Bobby Brown) desconfia que haja um
motivo para os ataques de Godzilla, que não seja apenas agressividade
irracional e decide investigar os eventos.
Um grupo de ladrões tenta um roubo de itens valiosos durante
um furacão. Espera, eu já analisei esse filme, se chama No Olho do Furacão, lançado em 2018. O quê? Esse A Força da Natureza é outro filme sobre
um roubo em pleno furacão? Qual o problema de Hollywood com roubos e furacões?
Não é como se No Olho do Furacãotivesse
sido um baita sucesso ao ponto de gerar imitadores, na verdade foi um grande
fracasso e A Força da Natureza é
igualmente ruim.
Cardillo (Emile Hirsch) é o clichê do policial atormentado
por um erro do passado. Ele trabalha em Porto Rico e, ao lado da parceira Jess
(Stephanie Cayo), acaba indo parar em um prédio que é atacado por assaltantes
bem quando um poderoso furacão atinge a ilha. Os ladrões são liderados por John
(David Zayas) que está em busca de valiosas pinturas escondidas por um morador
do prédio.
Na prática é uma mistura de Duro de Matar (1988) com Twister
(1996), mas sem a tensão do primeiro ou o espetáculo destrutivo do segundo. O
que ele tem a oferecer então? Bem, nada. Apesar de termos dois policiais
confinados em um prédio com bandidos em maior número, não há qualquer sensação
de urgência, os vilões, apesar de cientes da presença de Cardillo, não fazem muito
esforço para procurá-lo e a maioria dos embates acontece porque os personagens
se encontram fortuitamente nos corredores.
Confesso que fui assistir este Destruição Final: O Último Refúgio esperando que fosse uma porcaria
monumental do nível de Tempestade:Planeta em Fúria (2017), última incursão do ator Gerard Butler nos filmes
catástrofes. O que encontrei, no entanto, foi uma narrativa razoavelmente
competente sobre pessoas tentando sobreviver ao fim do mundo.
Na trama o mundo está a alguns dias de uma catástrofe que
pode acabar com a vida no planeta conforme pedaços de um cometa passando
próximo à Terra começam a cair na atmosfera. Governos começam a se preparar
para o pior, selecionando cidadãos para abrigos que podem protegê-los da
destruição. O engenheiro John (Gerard Butler) é um dos selecionados e ele parte
com a esposa, Allison (Morena Baccarin), e o filho para a base militar na qual
serão transportados para o abrigo. Chegando lá, o abrigo é atacado por pessoas
não selecionadas tentando invadir os aviões de transporte e na confusão John se
separa de Allison e do filho. Agora a família precisa se reunir e pensar no que
fará diante do fim iminente.
Kursk: A Última Missão é um daqueles filmes sobre tragédias reais
feito para levar o público às lágrimas que sempre chega aos cinemas ao menos
uma vez por ano. É tão quadrado e preso aos lugares-comuns desse tipo de
produção que chega ser uma surpresa ver o nome de alguém como Thomas Vinterberg
na cadeira de diretor.
A trama é centrada em Mikhail
(Matthias Schoenarts), um dos oficiais a bordo do submarino nuclear Kursk.
Quando um exercício de treinamento dá errado e um torpedo explode dentro do
submarino, cabe a Mikhail liderar os sobreviventes enquanto esperam o resgate.
Enquanto isso, Tanya (Lea Seydux), esposa de Mikhail, tenta conseguir
informações com as autoridades russas, que teimam em não admitir que não estão
devidamente equipados para o resgate.
A narrativa segue a estrutura
padrão desse tipo de filme, com um começo que mostra esses personagens como
maridos e pais de família (um deles é recém-casado, inclusive) na esperança que
isso seja suficiente para angariar simpatia do público, já que o texto nunca se
esforça para dar personalidades discerníveis a cada um deles ou mesmo ao
próprio Mikhail, figura central da trama, mostrado apenas como um pai de família,
como se isso bastasse em termos de construção de personagem.
Eu não sei por onde começar a
falar de 11 de Setembro: O Resgate.
Um projeto tão equivocado e que trata de modo tão aproveitador uma tragédia
real que me surpreendo que parentes das vítimas não tenham protestado contra
esse filme, embora suspeito de que seja porque a maioria das pessoas sequer
saiba que ele exista e talvez seja melhor assim.
A trama se passa durante os
atentados de 11 de setembro de 2001 no qual as torres gêmeas do World Trade
Center em Nova Iorque foram derrubadas por um ataque terrorista. Apesar de se
basear em uma história real, a narrativa segue um grupo de personagens
fictícios que fica preso em um dos elevadores durante o ataque às torres. Jeff
(Charlie Sheen), Eve (Gina Gershon), Eddie (Luis Guzman), Michael (Wood Harris)
e Tina (Olga Fonda). Enquanto estão presos no elevador, eles conversam com a
supervisora de segurança Metzie (Whoopi Goldberg), que tenta encontrar um jeito
de tirá-los de lá.
É impressionante que um filme
sobre pessoas tentando sobreviver a um desastre iminente consiga ser tão chato.
Os personagens são unidimensionais, funcionando como uma coleção de clichês,
tipo o rico empresário que não presta atenção na família, o trabalhador
simplório que só quer voltar para a família, a patricinha materialista, o
sujeito com problemas de vício (em jogos de azar, nesse caso) e daí por diante.
Eles trocam confidências sobre seus problemas, como uma espécie de Clube dos Cinco (1985) adulto, mas o
texto nunca vai além desses dados expositivos. Não há praticamente nenhum
aprendizado ou transformação experimentado por esses personagens e todos eles
são um tédio de acompanhar.
Godzilla(2014)
caía no erro de dedicar mais tempo aos personagens humanos do que ao monstro
que dá título ao filme, que mal aparecia direito exceto por alguns minutos do
fim. Este Godzilla 2: Rei dos Monstros,
tem menos pudor em mostrar suas criaturas, mas continua a insistir demasiado em
uma quantidade excessiva de humanos desinteressantes.
A trama é centrada na garota Madison (Millie Bobby Brown, a
Eleven de Stranger Things), que
perdeu o irmão durante os eventos do primeiro filme. Por conta disso, os pais
de Madison se divorciaram e agora ela mora com a mãe, Emma (Vera Farmiga), que
trabalha para a Monarch, a instituição que pesquisa e vigia os monstros
gigantes. Emma desenvolve uma maneira de se comunicar com as criaturas, mas é
sequestrada por um grupo de ecoterroristas que querem usar a invenção para
despertarem o temível King Ghidorah para restaurar a natureza. Com o sequestro
a Monarch procura Mark (Kyle Chandler), ex-marido de Emma, que ajudou a
construir o dispositivo para que ele tente encontrá-la.
Quando você entra para assistir
um filme sobre um tubarão gigante, o mínimo que se espera é algo divertido.
Este Megatubarão, no entanto, é tão
derivativo e sem personalidade que nem isso consegue oferecer.
Na trama, o especialista em
resgates submarinos Jonas Taylor (Jason Statham) tem uma missão fracassada e
credita o insucesso à presença de uma imensa criatura, mas ninguém acredita
nele. Tempos depois, um grupo de cientistas fica preso sob profundidades abissais
depois de ser atacado por um imenso tubarão pré-histórico e Jonas é chamado
para realizar o resgate.
Esse não é o tipo de filme que
vamos assistir interessados em trama ou desenvolvimento de personagem, mas Megatubarão insiste em fazer isso e
escolhe trilhar esse caminho transitando por uma coleção de lugares-comuns. Jonas
é o clichê do herói com um trauma a superar e o filme gasta uma boa parte de
sua minutagem tentando nos convencer que ele é esse indivíduo devastado pelo
trauma, apenas para abandonar essa faceta do personagem quase que completamente
quando o tubarão aparece e ele se joga diante do perigo sem pensar duas vezes
ou sem duvidar da própria capacidade.
Na superfície Arranha-Céu: Coragem Sem Limites parece
uma colagem pouco inspirada de Duro de
Matar (1988) com pitadas de Inferno
na Torre (1974) e, bem, é só isso mesmo. Não é exatamente um produto ruim,
mas é tão derivativo, sem personalidade e apoiado em refazer cenas que já vimos
em filmes melhores que não me produziu nada além de apatia.
A trama é centrada em Will Sawyer
(Dwayne “The Rock” Johnson), um ex-militar que depois de perder a perna em
combate passou a trabalhar com segurança privada. Ele é contratado pelo
bilionário Zhao (Chin Han) para avaliar a segurança de seu novo empreendimento:
o Pérola, um arranha-céu tão grande que é praticamente uma cidade vertical. A
avaliação de Will está quase acabando quando criminosos armados invadem o
prédio e incendeiam parte dos andares, incluindo o pavimento no qual a família
de Will está. Assim, o protagonista precisa salvar a família e deter os
criminosos.
The Rock se afasta um pouco dos
tipos invencíveis que vinha fazendo, como no recente Rampage: Destruição Total, para assumir a persona de um herói mais vulnerável, nos moldes do John McClane de Duro de Matar. Além das dificuldades
envolvendo sua prótese na perna, Will se fere a cada confronto, precisando
parar para improvisar curativos e pensar cuidadosamente suas ações. Tudo isso
ajudaria a construir uma sensação de perigo e nos fazer temer pelo personagem
conforme seus ferimentos se agravam, mas é tudo tão igual a Duro de Matar e seus muitos clones, que
nada soa genuíno, mesmo com o carisma de The Rock.
Meu primeiro pensamento ao entrar
para assistir No Olho do Furacão foi:
“eu não já vi esse filme antes”? Na verdade eu tinha confundido com No Olho do Tornado (2014), que não tem
nenhuma relação com este No Olho do
Furacão além do fato de ambos serem filmes muito ruins sobre ciclones.
A trama é centrada no
meteorologista Will (Toby Kebbell), que está em uma pequena cidade no sul dos
Estados Unidos para investigar a formação de uma possível supertempestade na
região. A cidade, que abriga uma instalação do governo federal de descarte de
cédulas de dinheiro velhas, é evacuada por precaução, mas bandidos tomam o
controle do prédio do governo para roubar os milhões armazenados ali, usando o
furacão como cobertura. Sim, os vilões conceberam um plano que só poderia ser
executado na ocorrência de um furacão forte o bastante para motivar uma
evacuação da cidade, o que é estranhamente específico e imprevisível. O que
eles fariam se um evento climático dessa magnitude não acontecesse? Iam esperar
até morrer de velhice? De todo modo, a agente federal Casey (Maggie Grace) é a
única a não ser capturada pelos bandidos e com a ajuda de Will tentará deter o
audacioso (ou estúpido) roubo.
Considerando que a Warner vem
obtendo relativo sucesso com seus filmes de monstro como Godzilla (2013) ou Kong: A Ilha da Caveira (2017), inclusive com uma cena pós-créditos ligando os dois
filmes em um universo compartilhado, é estranho que o estúdio tenha escolhido
adaptar um antigo jogo de videogame sobre monstros gigantes que mal tinha uma
trama. O que Rampage: Destruição Total tem
a oferecer aos fãs desse tipo de filme que outros não fazem? Bem, nada.
A trama começa quando uma estação
espacial explode e os cilindros contendo um patógeno capaz de manipular o DNA
animal caem em diferentes pontos dos Estados Unidos, transformando a fauna
local em monstros gigantes. Um dos cilindros cai na reserva animal na qual
Davis (Dwayne "The Rock" Johnson) cuida de gorilas, tornando um
gorila albino em um animal gigantesco. Para controlar a situação, os irmãos
Claire (Malin Akerman) e Brett Wyden (Jake Lacy), donos da empresa responsável
pelos experimentos despacham uma equipe de mercenários para capturar as
criaturas, mas quando os soldados falham, os executivos resolvem usar um sinal
de rádio que só pode ser ouvido pelas criaturas para atraí-los à sede da
empresa, eliminá-los e coletar seu DNA para futuros experimentos porque, claro,
atrair monstros gigantes para uma grande cidade é algo bastante responsável e
inteligente.
Faz um bom tempo que o ator
Gerard Butler não faz um filme realmente bom. Também faz algum tempo que o ator
Ed Harris não faz um filme realmente ruim. Com trajetórias opostas os dois se
encontram neste Tempestade: Planeta em
Fúria. O resultado? Bem, vamos dizer que Ed Harris saiu prejudicado nessa.
Na trama, a humanidade é capaz de
controlar e dissipar desastres naturais graças a uma rede de satélites que é
capaz de deter tornados, terremotos, tsunamis e outras ocorrências. O aparato,
no entanto, começa a apresentar falhas, causando desastres naturais ao redor do
mundo. A recorrência desses problemas faz os responsáveis pelo sistema
considerarem que alguém está deliberadamente interferindo no funcionamento do
aparato. Agora cabe ao astronauta Jake (Gerard Butler) desativar os satélites,
mas para isso será necessário que seus aliados em Terra localizem o presidente
Andrew (Andy Garcia), o único que tem os códigos de desativação dos satélites.
Os personagens são unidimensionais
e suas personalidades são uma coleção de clichês, sendo difícil nutrir simpatia
ou torcer pela sua sobrevivência. O roteiro demora a engrenar e ainda está
apresentando novos personagens mesmo quando já passaram cerca de cinquenta
minutos de duração. Há uma tentativa de injetar humor ao dar aos personagens
frases de efeito engraçadinhas mas a maioria delas é digna daquele seu tio que
sempre faz a piada do pavê nos almoços de domingo e servem mais para constranger
do que para fazer rir. Igualmente constrangedoras são as cenas românticas
envolvendo Max (Jim Sturgess) e Sarah (Abbie Cornish) que deveriam ser
engraçadinhas, mas não funcionam.
Quando escrevi sobre Terremoto: A Falha de San Andreas (2015)
disse que "filmes catástrofe são normalmente mais focados na criação do
espetáculo destrutivo do que em elaborar uma narrativa envolvente ou
personagens interessantes". Quando temos ainda um filme catástrofe baseado
em uma tragédia real, espera-se também uma certa medida de sentimentalismo em
relação às pessoas que lutaram pela sobrevivência. A mistura por vezes
funciona, como em O Impossível
(2012), mas pesar a mão no sentimentalismo pode descambar fácil para um
sensacionalismo apelativo e é isso que acontece neste Horizonte Profundo: Desastre no Golfo.
Baseado no incidente da
plataforma Deepwater Horizon, o maior vazamento de petróleo a acontecer na costa
dos Estados Unidos. O filme acompanha o engenheiro Mike (Mark Wahlberg) que vai
trabalhar na plataforma e percebe que os executivos da companhia, ansiosos com
os atrasos no cronograma, estão querendo pular as verificações de segurança.
Obviamente tudo dá muito errado e os operários precisam dar um jeito de evitar
um desastre maior e esvaziar a plataforma.
O primeiro Independence Day (1996) não era lá grande coisa, mas funcionava
como uma diversão descartável e descompromissada graças aos efeitos especiais
que criavam uma destruição em larga escala e ao carisma de Will Smith. Vinte
anos depois, esses efeitos especiais se tornaram lugar comum em grandes
produções de Hollywood e Will Smith preferiu não voltar para a continuação.
Assim, esse Independence Day: O
Ressurgimento já nascia como um projeto desprovido daquilo que chamava
atenção do primeiro (a inovação visual e o seu astro) deixando em dúvida se
seria capaz de entregar algo que preste e a verdade é que realmente não
consegue.
Vinte anos depois do primeiro
filme, a Terra vem se preparando para uma nova ofensiva dos alienígenas, com
David Levinson (Jeff Goldblum) liderando a força-tarefa responsável. O
ex-presidente Whitmore (Bill Pullman) começa a ter visões envolvendo o retorno
dos inimigos e avisa sua filha Patricia (Maika Monroe, do ótimo Corrente do Mal), mas ninguém lhe dá
ouvidos, julgando ser estresse pós-traumático. Apesar de toda a preparação,
nada estava à altura do novo ataque, que mais uma vez parece prestes a
extinguir a raça humana.
Se a história anterior não era
exatamente um primor narrativo, pelo menos ia direto ao ponto, rapidamente
estabelecendo a ameaça e fazendo os arcos dos personagens convergirem
rapidamente para dar prosseguimento à ação. Esse novo filme não consegue fazer
nem isso e na marca dos quarenta minutos, de um total de cento e vinte, ainda
está introduzindo seus personagens quando já deveria estar iniciando o
conflito.
A
ideia de fazer um remake do clássico
de ação Caçadores de Emoção (1991) da
diretora Kathryn Bigelow (de Guerra ao
Terror e A Hora Mais Escura) e
estrelado por Keanu Reeves e Patrick Swayze me parecia um esforço inútil e
provavelmente fadado a fracassar. Primeiro porque o filme de 1991 continua a se
sustentar muito bem hoje, não precisando de nenhum tipo de atualização e
segundo porque ele praticamente já tinha recebido um remake na forma de Velozes e
Furiosos (2001), tornando o esforço de uma nova versão ainda mais
irrelevante. Sério pessoal, a trama e o desenvolvimento do primeiro Velozes e Furiosos é idêntica a de Caçadores de Emoção, apenas substituindo
o surfe por corridas. A questão é que mesmo tendo em mente todo o potencial que
esse filme tinha para dar errado, ainda assim eu não esperava por algo tão ruim
quanto ele de fato é.
Assim
como no filme original, acompanhamos o jovem agente do FBI Johnny Utah (Luke
Bracey, o Comandante Cobra de G.I Joe:Retaliação) em sua investigação por uma gangue que comete crimes
audaciosos. Suas suspeitas o levam para o mundo dos esportes radicais no qual
conhece o misterioso Bodhi (Edgar Ramirez, que também está em cartaz no
igualmente fraco Joy: O Nome do Sucesso),
que pode ser o líder da gangue. O atleta busca completar uma série de façanhas
conhecidas como as "Oito de Ozaki", proezas tidas como impossíveis,
mas que se alcançadas deixariam uma pessoa em tal comunhão com o planeta que
ele alcançaria o nirvana (o espiritual, não a banda) e, além disso, Bodhi
acredita que cumprir o desafio salvaria o mundo, pois sua a comunhão com o planeta
permitiria que o mundo se curasse das feridas causadas pela humanidade. Não contente,
Bodhi decide fazer "oferendas" ao planeta para ser auxiliado em sua
jornada e assim comete crimes como destruir uma madeireira ou implodir uma
mina.
Quando
pensamos em filmes envolvendo pessoas escalando montanhas o que nos vem a
memória são trabalhos bem fracos como Limite
Vertical (2000) ou Risco Total
(1993), então não tinha grandes expectativas quando entrei para ver este Evereste. Embora não seja tão ruim
quanto os produtos anteriormente citado, Evereste
apresenta problemas demais para ser completamente satisfatório.
Baseado
em uma história real, acompanhamos uma excursão de alpinistas liderados pelo
profissional Rob Hall (Jason Clarke) para chegar ao topo do Monte Evereste, o
ponto mais alto do mundo. Não bastando o risco natural que envolve uma
empreitada como essa, a montanha é atingida por uma violenta tempestade durante
a escalada, tornando tudo ainda mais mortal.
As
paisagens do Nepal são muito bem filmadas e a fotografia consegue compor esse
cenário como simultaneamente belo e hostil, beneficiado pelas amplas
panorâmicas filmadas para o formato IMAX. As cenas de escalada são carregadas
de tensão e mostram bem as dificuldades enfrentadas pelos alpinistas. O
problema é que quando as coisas deveriam realmente engrenar e nos deixarna beira da poltrona, os eventos não nos
atingem como deveriam.