Mulher do amanhã
A narrativa segue Kara (Milly Alcock) enquanto ela viaja pelo espaço para comemorar seu aniversário. Ela vai a planetas de sol vermelho que tiram seus poderes e permitem que ela fique embriagada. Em um bar ela conhece a garota Ruthye (Eve Ridley), que busca vingança contra os criminosos espaciais que mataram sua família. Quando o cachorro Krypto é envenenado pelo líder dos criminosos, Krem (Matthias Schoenaerts), Kara decide caçá-los para conseguir o antídoto, ajudando a busca por vingança de Ruthye.
Milly Alcock é ótima em nos fazer sentir como Kara carrega consigo o fardo de uma civilização inteira, já que, diferente de Clark (David Corenswet), ela viveu em Krypton e viu seu povo morrer. Se para o primo foi fácil se conectar com a Terra, ela ainda vive o luto da perda do planeta. A trama constrói de maneira convincente o cinismo de Kara em ser um símbolo de esperança como o primo, tendo visto o pai tentar salvar sua civilização apenas para seus esforços fracassarem amargamente. Isso ajuda a entender a conduta autodestrutiva da personagem, alguém que sente que não tem nada a perder e que mesmo com seus poderes não seria capaz de fazer a diferença. A performance de Alcock traz uma emoção genuína para a relação entre Kara e Krypto, mesmo o cachorro sendo criado por computação gráfica, o trabalho da atriz nos faz sentir o tanto que ele significa para Kara.
Ela tem uma boa química com a garota Ruthye, vendo muito de si na menina, se identificando com a raiva e o desamparo da garota que, assim como ela, também viu tudo que lhe era querido ser destruído subitamente. Ao longo da jornada, a relação com Ruthye ajuda Kara a entender seus próprios sentimentos em relação a tudo que perdeu e as possibilidades de reconstruir a vida que o primo lhe apresenta.
O maioral e os malfeitores
Matthias Schoenaerts faz de Krem um vilão sádico e o dota de certa imprevisibilidade, mas como a narrativa não tem muito a fazer com ele além de ser um sujeito violento e instável, ele nunca se torna um antagonista interessante ou mesmo à altura da Supergirl. Talvez por isso a trama precise a todo momento criar desculpas para que Kara perca os poderes, caso contrário a trama se resolveria em poucos minutos. Isso fica muito evidente durante o clímax quando o vilão foge para um planeta com um sol verde e se equipa com armas de kryptonita. Ora, ele conheceu Kara há apenas um dia e nesse universo o Superman ou a Supergirl não são heróis conhecidos pela galáxia. Um diálogo com Ruthye deixa evidente que todos acham que kryptonianos foram extintos e que ninguém sabe que eles teriam poderes, então não faz sentido que em pouco tempo o vilão tenha desenvolvido uma estratégia para lidar com Kara ou mesmo tenha buscado recursos para tal.
Durante a caçada Kara e Ruthye ainda encontram o mercenário Lobo (Jason Momoa). Momoa é uma escolha óbvia para ser o maioral da DC, considerando que sua persona em cena sempre teve muito do jeito abrasivo e bonachão do mercenário espacial. Lobo tem uma participação pequena, com seus objetivos brevemente cruzando os de Kara, mas serve para dar um gostinho do que Momoa pode fazer com o personagem e me faz querer uma adaptação em live action da história em que o Lobo enfrenta o Papai Noel.
As cenas de ação oferecem alguns embates criativos, como na sequência em que Kara enfrenta uma gangue de ladrões espaciais que se teletransportam, e também mostram que Kara, diferente do primo, pouco se importa em conter a própria força perante dos inimigos, não se importando com o que acontece com eles, embora tente evitar danos colaterais e proteger as pessoas ao redor. Ela mostra como um kryptoniano pode ser um oponente terrível quando luta sem se limitar. Por outro lado, algumas cenas são prejudicadas por uma computação gráfica pouco convincente, principalmente quando Kara voa durante o confronto final.
Embora não encante como o recente
Superman (2025), Supergirl entrega uma aventura competente que se sustenta
principalmente pelo carisma de Milly Alcock.
Nota: 7/10
Trailer


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