Considerando seu lançamento logo depois da segunda temporada de Demolidor: Renascido e que Frank Castle vai estar no próximo filme do Homem-Aranha imaginei que o especial Justiceiro: Uma Última Morte fosse servir de ponte entre esses vários projetos do universo Marvel. O que ele é, na verdade, é uma espécie de reintrodução do personagem que conecta a série do Justiceiro na Netflix com a atual cronologia do MCU.
Missão cumprida
A narrativa parece se passar depois dos eventos de Demolidor: Renascido. Ao invés de auxiliar Matt Murdock a derrubar o Rei do Crime, Frank Castle (Jon Bernthal) voltou seu foco a matar os responsáveis pelo assassinato da sua família. Ele acabou de eliminar todos os membros da família Gnucci, o último grupo mafioso que restava entre seus alvos. Perdido, agora que sua vingança está completa, Frank é obrigado a lutar novamente quando se torna alvo da Ma Gnucci (Judith Light), a matriarca e última remanescente da família. Ela colocou uma recompensa em Frank e deu a localização dele a todos os criminosos da cidade, obrigando Frank a se defender para sobreviver e proteger os moradores do prédio que usou como esconderijo.
É uma estrutura que lembra Operação Invasão (2011) ao acompanhar um protagonista navegando por um prédio cheio de criminosos, tendo que despachar todos em seu caminho. A ação é bem violenta e mostra a competência brutal de Castle em eliminar seus oponentes com qualquer coisa que encontre em seu caminho, desde armas de fogo, passando a machados e bastões de beisebol, até utensílios comuns a exemplo do que acontece na luta na lanchonete. Alguns embates no entanto, sofrem um pouco com a câmera chacoalhante e alguns cortes abruptos.
Como já mostrou em outras ocasiões, Jon Bernthal é competente em mostrar a psique traumatizada de Frank, um sujeito levado ao limite em sua jornada de vingança e que agora questiona a própria existência depois de cumprir sua missão. A primeira vez que vemos Frank em seu apartamento ele está sozinho nesse ambiente escuro, com as paredes ao seu redor todas tomadas por fotos de alvos, mapas e outras informações de seu plano de vingança. Sua missão literalmente não deixa espaço para mais nada no apartamento, ele vive cercado por ela, sufocado por ela.
Não é à toa que quando Frank anda pelas ruas em meio ao tumulto no início tudo menos ele está fora de foco. Com sua vingança completa ele foi tomado pela apatia, o caos ao redor não o afeta nem lhe causa reação. É só depois ao ataque no prédio quando ele desperta para a necessidade de proteger as pessoas que ele percebe que ainda há o que fazer, encontrando um novo propósito em defender os inocentes. Tanto que quando ele retorna às ruas e caminha em meio ao caos perto do final, a violência ao redor agora está em foco. Frank vê tudo e não está mais disposto a deixar barato.
De certa forma, Justiceiro: Uma Última Morte não traz
nada de novo ao personagem que a série da Netflix já não tenha explorado, mas
serve como um competente exame da psique fraturada e do que move Frank Castle a
continuar lutando, introduzindo devidamente o personagem no MCU.
Nota: 7/10
Trailer

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