Depois de um ano de estreia bacana, Fallout retorna para sua
segunda temporada com uma trama que soa mais como uma grande preparação para um
conflito vindouro do que algo pensado como uma unidade autônoma. Por outro
lado, a série continua entregando uma adaptação competente, que aproveita bem o
universo dos games.
A guerra não muda
Depois dos eventos do primeiro ano, Lucy (Ella Purnell) e Cooper (Walton Goggins) viajam juntos em direção a
New Vegas atrás do esconderijo de Hank (Kyle MacLachlan). Enquanto isso,
Maximus (Aaron Moten) finalmente se torna o cavaleiro da Irmandade de Ferro que
sempre sonhou, mas isso não significa que sua vida tenha necessariamente
melhorado, principalmente quando o líder de sua divisão maquina um meio de
assumir o controle.
Como sou fã de romances
policiais, fiquei curioso para conferir a minissérie da Netflix Os Sete Relógios de Agatha Christie,
adaptando um romance da famosa escritora de mistério. Infelizmente o resultado deixa
a desejar e parece não compreender o que tornava as histórias de Christie tão
envolventes.
Assassinato no campo
A narrativa parte de uma premissa
típica dos livros de Christie. Durante uma festa em uma mansão, uma pessoa é
assassinada. Há um número limitado de suspeitos e uma arguta investigadora em
Lady Eileen (Mia McKenna-Bruce), amiga do falecido. Ela é auxiliada pelo
superintendente Battle (Martin Freeman) e ao longo da investigação se envolvem
com uma misteriosa organização secreta e o roubo de uma invenção
revolucionária.
Ao longo de três episódios a
impressão é que a trama caminha de maneira arrastada. Apesar de ser uma
história sobre conspirações, sociedades secretas, invenções sigilosas e muitos
segredos em jogo, não há qualquer senso de urgência, de que esses personagens
estão correndo contra o tempo ou sob algum senso real de ameaça. Mesmo durante
o clímax no trem com alianças mudando e armas sendo brandidas, nunca sentimos
que Eileen corre qualquer risco.
Os episódios conduzem a investigação
de modo bastante protocolar, mostrando as pistas, as reviravoltas e despistes.
A impressão é que os responsáveis pela série acham que basta reproduzir essa
natureza de quebra cabeça dos mistérios de Christie para fazer a história
funcionar, mas não entendem que há muito mais nesse tipo de narrativa do que
apresentar um mistério com pistas a serem desvendadas.
Além da já citada incapacidade de
construir intriga ou tensão, algo que os romances de Christie faziam muito bem,
a série deixa de lado outro aspecto muito importante da obra da escritora que é
a sua prosa e a personalidade que ela dá aos seus personagens. As histórias de
Christie normalmente são habitadas por um limitado plantel de suspeitos, cada
um com suas idiossincrasias e personalidades excêntricas. Aqui, os personagens
são figuras esquecíveis, que existem para mover a narrativa adiante, mas não
tem nada de memorável.
Os diálogos espirituosos e
mordazes, que constantemente comentavam sobre a sociedade britânica, também não
estão presentes nessa adaptação, perdendo muito do charme do texto de Christie.
O resultado são diálogos predominantemente expositivos, onde os personagens o
tempo todo explicam as pistas e seu raciocínio, mas sem muita coisa que dê
personalidade a essas falas. A jovem Mia McKenna-Bruce até tenta fazer de Lady
Eileen uma jovem destemida, que não hesita em falar o que pensa, porém é
limitada pelo texto insosso.
No fim, Os Sete Relógios de Agatha Christie entrega um mistério inane, sem
qualquer suspense, povoado por personagens desinteressantes e uma trama que
rapidamente mergulha no tédio.
A premissa de O Som da Morte era basicamente a da
franquia Premonição ao trazer um
grupo de adolescentes tentando fugir da “morte”, então não estava
particularmente empolgado para assistir. Ainda assim resolvi conferir e ao
menos o resultado final tem elementos suficientes para agradar fãs de terror.
Morte à espreita
A trama é protagonizada por Chrys
(Dafne Keen), que se muda para uma nova cidade e uma nova escola depois de uma
tragédia pessoal. No primeiro dia de aula, ela descobre um estranho apito maia
em seu armário, que aparentemente pertencia ao aluno que usava o armário antes
dela e morreu sob circunstâncias misteriosas. Obviamente a garota resolve pegar
o estranho artefato que sussurra coisas sombrias para ela e mostra para seu
novo grupo de amigos. Quando um deles assopra o apito, porque claro que
adolescentes vão achar uma boa ideia usar um artefato ancestral com um entalhe
que diz que ele invoca a morte, descobrem que atraíram suas mortes futuras para
o presente e que elas estão os perseguindo. Agora eles precisam encontrar um
jeito de eliminar a maldição.
Não creio que ninguém estivesse
clamando por uma série ou filme do Magnum,
herói da Marvel que começou como vilão e que também teve uma carreira como ator
de cinema. É o tipo de coisa que faz parecer que o estúdio está raspando o
tacho em meio a um desgaste de suas produções. O resultado, no entanto, é um
interessante estudo de personagem que explora a faceta do herói como ator de
cinema para pensar no estado atual de Hollywood e também no desgaste recente de
filmes de heróis.
Super astro
A narrativa é protagonizada por Simon
Williams (Yahya Abdul Mateen), um ator que há anos tenta, sem sucesso, vencer
em Hollywood. Um dia ele encontra Trevor Slattery (Ben Kingsley) em um cinema e
fica sabendo que estão acontecendo testes para um remake de Magnum, um antigo filme de super-herói que ele viu quando
era pequeno e que o inspirou a virar ator. Agora ele e Trevor se juntam para
tentar conseguir uma escalação no filme. Só há um problema, Simon tem super
poderes que ele não consegue controlar e Hollywood não permite pessoas com
poderes em sets de filmagem, então ele precisa manter seus poderes sob controle
e ocultos para conseguir o papel.
Considerando as bombas que Gerard
Butler vem fazendo, Destruição Final: O Último Refúgio (2021) era uma produção competente, que reproduzia muitos
lugares comuns de filmes catástrofe, mas ao menos acertava ao focar no elemento
humano. Já sua continuação Destruição
Final 2 (aparentemente a primeira destruição não foi definitiva o suficiente),
ignora o que o primeiro fez bem e entrega algo bem pior.
Destruição vazia
Cinco anos depois dos eventos do
primeiro filme, a paisagem da Terra mudou radicalmente depois da queda do
cometa. O clima mudou em muitos lugares, impossibilitando a vida, a radiação
aumentou em vários territórios e chuvas de meteoros ainda atingem o planeta.
John (Gerard Butler) vive com sua família, a esposa Allison (Morena Baccarin) e
o filho Nathan (Roman Griffin Davis, de Jojo Rabbit), no bunker no qual se abrigaram no fim do filme anterior, mas
quando uma catástrofe atinge o local são obrigados a fugir para a Europa. Lá
eles decidem ir até a cratera onde o principal cometa caiu cinco anos atrás, já
que sondagens indicam que o local se tornou um vale habitável.
Os filmes do diretor Park
Chan-Wook normalmente envolvem atos de vingança ou personagens envolvidos em
violência, como o caso de Oldboy(2003). Não é diferente neste A Única
Saída, no qual o protagonista, ainda que comece como um sujeito comum e
pacato, acabe recorrendo à violência por crer ser a única maneira de lidar com
a situação.
Vida de trabalho
A trama é protagonizada por
Man-su (Lee Byung-hun), um engenheiro que trabalhou por décadas em uma fábrica
de papel. Sua vida parece perfeita até que sua empresa anuncia uma fusão com
uma companhia dos Estados Unidos. A primeira decisão dos novos donos é uma onda
de demissões e Man-su é um dos demitidos. Tendo trabalhado por praticamente
toda vida com papel, ele não sabe fazer outra coisa e não vê futuro. Ele tenta
um cargo inferior ao seu em uma companhia menor, no qual trabalharia como
subalterno de um ex-funcionário, mas sua entrevista é um desastre. Ele então
encontra uma maneira de ficar com a vaga, matando seus competidores. Para isso
publica um falso anúncio nos classificados, se passando por uma nova empresa de
papel, para receber currículos de potenciais rivais e então obter suas
informações.
Em 2025 eu acabei vendo menos
filmes do que em anos anteriores por ter sido um ano mais corrido
profissionalmente. Por conta disso fui mais seletivo no que assisti, o que não
significa que eu não tenha encarado (voluntariamente ou ignorantemente) algumas
produções verdadeiramente horrendas. Alguns filmes dessa lista me surpreenderam
com o tanto que são ruins. Como fiz em outros anos e como faço na lista de melhores do ano, minha lista leva em
consideração filmes que foram lançados comercialmente no Brasil (em cinema ou
streaming) ao longo de 2025. Vamos aos piores do ano.
Dirigido por Sam Raimi, Socorro! é um filme cuja existência não
sabia até cerca de uma semana antes da sessão para imprensa. Não sabia nada a
respeito dele além de que era estrelado por Rachel McAdams e fui assistir sem
sequer ter assistido trailer. O que encontrei foi uma grata surpresa misturando
terror, comédia e a esquisitice que sempre está presente nos filmes de Raimi.
Sobrevivência corporativa
Na trama, Rachel McAdams
interpreta Linda Liddle (um nome que facilmente poderia ter sido criado pelo
Stan Lee), responsável pelo planejamento estratégico da empresa onde trabalha.
Quando Bradley (Dylan O’Brien), filho do dono da empresa, assume a presidência
do negócio e dá a promoção que seu pai prometera a Linda para um amigo pessoal,
a protagonista se sente frustrada. Para compensar, Bradley promete levá-la a
uma viagem de negócios para a Tailândia, onde ela poderia provar seu valor. No
caminho o avião cai e Linda e Bradley são os únicos sobreviventes. Bradley não
tem qualquer habilidade para sobreviver na ilha deserta em que caem, mas Linda
é uma experiente amante da natureza e engenhosa no modo como lida com os
elementos, o que muda a dinâmica entre ela e seu chefe.
Em 2025 eu acabei vendo menos filmes
do que em anos anteriores por ter sido um ano mais corrido profissionalmente.
Por conta disso fui mais seletivo no que assisti, o que talvez impacte a lista
de piores filmes (embora eu tenha, de fato, assistido algumas bombas
homéricas), mas isso não implica que não tenha assistido filmes bons o
suficiente para um top 10 de melhores do ano. Como fiz em outros anos minha
lista leva em consideração filmes que foram lançados comercialmente no Brasil
(em cinema ou streaming) ao longo de 2025. Confiram a lista completa abaixo e contem quais foram seus filmes favoritos do ano passado.
Realizar um documentário implica
em estar aberto ao que a realidade vai apresentar a você, mesmo que você tenha
feito planos diferentes a respeito do que deseja filmar. Alabama: Presos do Sistema é um exemplo disso. Os diretores Andrew
Jarecki e Charlotte Kaufman foram à mais severa prisão do estado do Alabama nos
Estados Unidos para filmar um avivamento religioso feito por pastores que atuam
no sistema prisional. Chegando lá, no entanto, são abordados por vários presos
que denunciam maus tratos no local e os funcionários do presídio logo encerram
a filmagem e colocam a equipe para fora. Os diretores então passam a investigar
o que acontece no sistema prisional.
Cárcere rígido
O documentário então se
desenvolve através de conversas que os documentaristas tem com presos através de
celulares que os detentos conseguem trazer ilegalmente dentro da prisão e também
de vídeos feitos por esses detentos documentando os maus tratos. A ação à
margem da lei se dá porque as autoridades não permitem que os presos falem com
imprensa ou recebam pessoas, numa prática que não é comum no sistema prisional.
É um documentário de natureza expositiva e, talvez por isso, soe um pouco
cansativo, já que ele nos bombardeia o tempo todo com depoimentos ou dados que
estão sempre nos explicando as coisas, pegando o espectador pela mão sem dar
muito espaço para reflexão.
Um bilionário é morto em sua
cobertura em Mônaco. Ele estava trancado em seu quarto do pânico, mas morreu
asfixiado pela fumaça de um incêndio iniciado por invasores. Parece a premissa
de um mistério escrito por Agatha Christie, mas é o caso real envolvendo a
morte do banqueiro Edmond Safra. Produzido pela Netflix, o documentário Assassinato em Mônaco reconta essa
história e vai um pouco além, ponderando também sobre objetividade no
documentário e o que acontece quando um cineasta se envolve demais com os sujeitos
filmados.
Mistério do quarto fechado
O documentário narra como o
banqueiro Edmond Safra foi morto em sua cobertura em Mônaco e toda a
investigação que se seguiu, com direito a várias teorias conspiratórias e
diferentes suspeitos que iam desde a máfia russa, para quem Safra supostamente
lavava dinheiro, passando pela sua viúva, a brasileira Lily Safra cujo marido
anterior também morrera em condições suspeitas, chegando até o enfermeiro de
Edmond, Ted, que teria inventado a história de invasores no apartamento,
simulado ter sido esfaqueado por eles e iniciado um incêndio para alertar as
autoridades, que demoraram demais a vir.
A Academia de Artes e Ciências
Cinematográficas divulgou hoje os indicados ao Oscar 2026. O filme Pecadoreslidera em número de
indicações, concorrendo em dezesseis categorias, seguido por Uma Batalha Após a Outraque recebeu
treze indicações. O filme brasileiro O Agente Secretoigualou o recorde de Cidade
de Deus como o filme nacional com mais indicações, disputando quatro
categorias, incluindo melhor filme, melhor filme em língua estrangeira e melhor
ator para Wagner Moura. Além disso, o brasileiro Adolpho Veloso concorre ao
Oscar de melhor fotografia pelo filme Sonhos de Trem. A cerimônia do Oscar acontecerá em 15 de março. Confiram abaixo a
lista completa de indicados.
Como qualquer país o Japão tem
sua parcela de paradoxos e contradições. Por um lado é um país bastante
avançado tecnologicamente, com uma ética de trabalho admirável. Por outro ainda
é uma sociedade extremamente rígida e apegada a tradições, inclusive em relação
a questões de gênero, sexualidade e relacionamentos. Família de Aluguel explora algumas dessas contradições do país ao
observar dinâmicas de relações familiares.
Performance cotidiana
A narrativa é protagonizada por
Philip (Brendan Fraser), um ator dos Estados Unidos que mora há anos no Japão e
cuja carreira está estagnada. As coisas mudam para ele quando vai trabalhar na
empresa de Shinji (Takehiro Hira, de Monarch: Legado de Monstros) que contrata atores para atuarem como “familiares de
aluguel” para seus clientes. Boa parte desses serviços visa contornar tradições
rígidas da vida familiar japonesa. Uma jovem lésbica contrata Philip para posar
como seu marido para os pais para finalmente poder sair do país e viver com a
namoradas. Maridos adúlteros contratam as atrizes para se passarem por suas
amantes para pedir perdão às esposas sem precisar expor suas amantes reais. Uma
mãe pede a Philip para se passar por seu marido para que sua filha tenha chance
em entrar em uma escola de prestígio, já que uma mãe solteira não seria bem
vista.
Sinto que desde que chamou
atenção com o ótimo Narc (2002), o
diretor Joe Carnahan nunca mais fez algo no mesmo nível, variando entre algumas
coisas divertidas, mas pouco memoráveis, como seu reboot de Esquadrão Classe A (2010),
ou péssimas, como pavoroso Shadow Force: Sentença de Morte (2025). Talvez por conta disso fui assistir esse Dinheiro Suspeito, produzido pela
Netflix, esperando mais um chorume genérico de streaming, no entanto, o resultado é um sólido thriller e o melhor trabalho de Carnahan em muito tempo.
A cor do dinheiro
A narrativa é levemente baseada
na história real de agentes de Narcóticos da Flórida que encontraram mais de
vinte milhões de dinheiro de tráfico de drogas guardado em uma casa. Aqui a
trama é protagonizada por Dane (Matt Damon), o segundo no comando de sua
unidade que assume a liderança depois que sua capitã, Jackie (Lina Esco), é
assassinada em uma emboscada ainda não investigada. Dane leva sua unidade a uma
casa nos subúrbios depois de supostamente receber uma denúncia de que o local
guardava dinheiro dos cartéis. Chegando lá, a única habitante é Desi (Sasha
Calle, a Supergirl de Flash) que diz
não saber nada do dinheiro. Investigando o local, descobrem ainda mais dinheiro
do que a denúncia inicial sugeria e logo eles sabem que virarão alvos. Dane
decide seguir o protocolo de contar o dinheiro no local e depois chamar o
comando para vir pegá-los, mas o tempo para contar tanto dinheiro significa
mais tempo para as coisas darem errado, seja em termos dos donos do dinheiro
aparecerem, seja porque os membros da unidade podem se interessar em ficar com
parte do valor.
Biografias de artistas da música
normalmente se debruçam sobre figuras de grande sucesso, que marcaram época e
tiveram canções que ficaram no imaginário da população. O que me chamou atenção
neste Song Sung Blue: Um Sonho a Dois
foi justamente o fato do filme ir na contramão disso ao acompanhar uma dupla de
músicos de modesto sucesso local.
Música em família
A trama se baseia na história
real do casal Mike (Hugh Jackman) e Claire (Kate Hudson) Sardina, duas pessoas
de meia idade que se apaixonam pelo desejo de viver de música e juntos formam
uma banda-tributo a Neil Diamond que faz muito sucesso na cidade de Milwaukee.
A narrativa mostra as vidas difíceis dos dois e como eles se conectam pelo amor
música, com a banda servindo para que eles superem os momentos mais difíceis de
suas vidas.
Depois de uma divertida primeira temporada, Palm Royale entra em sua
segunda temporada investindo ainda mais em seus excessos folhetinescos. Ainda
que seja sustentado pelo ótimo elenco, esse segundo ano acaba sendo um pouco
inferior que o primeiro.
Fundos de família
A narrativa se passa meses depois
do fim da primeira temporada. Maxine (Kristen Wiig) foi colocada em um
manicômio e Linda (Laura Dern) fugiu do país depois de ser considerada a
responsável pelo tiroteio que aconteceu no Palm Royale. Já recuperada, Norma
(Carol Burnett) incentiva Douglas (Josh Lucas) a casar com Mitzi (Kaia Garber)
que está grávida dele para que finalmente possam desbloquear o fundo fiduciário
para um herdeiro da família Dellacorte assim que o bebê nascer. Como os
Dellacorte morreram cedo e sem filhos, nas últimas décadas, com Norma e Douglas
sendo os últimos remanescentes, essa pode ser a única esperança de acessar o
dinheiro. O problema é que no final da temporada descobrimos que Norma não é
quem diz ser, tendo assumido o lugar da verdadeira Norma quando estudou com ela
em um colégio interno na juventude e Maxine busca meios de revelar a fraude de
Norma.
Estrelado por Dave Bautista, fui
assistir Boca de Fumo esperando ao
menos um filme B de ação divertido, mas nem isso ele consegue entregar. É uma
trama que poderia render algo interessante se não se acomodasse no mais
rasteiro do cinema de ação e nem isso conseguisse fazer direito.
Crime em família
O agente Ray (Dave Bautista) e
seu parceiro Washburn (Bobby Cannavale) trabalham para a DEA em El Paso e
investigam um perigoso cartel operando na cidade. As coisas se complicam quando
o cartel passa a ser alvo de roubos e a dupla tenta investigar quem os está
atacando. O que Ray não sabe é que a gangue é liderada por seu filho, Cody
(Jack Champion, o Spider de Avatar).
Cody e outros colegas de escola, também filhos de agentes do DEA passaram a
usar o equipamento dos pais para roubar o cartel depois que o pai de outro
colega foi morto durante a operação. Vendo que o DEA não daria apoio financeiro
à família do falecido, Cody e os amigos decidiram roubar o cartel para dar a
família deles meios para sobreviverem.
Dirigido por Mary Bronstein, Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria
transita entre o horror, a comédia, o drama e o surrealismo para acompanhar a
ansiedade constante da maternidade, em especial quando uma mãe tenta lidar com
tudo sozinha, cuidando da filha, tendo uma profissão e ainda lidando com os
problemas do lar. É um exame angustiante de uma mulher em crise que não dá ao
espectador ou a sua protagonista um instante para respirar.
Crise maternal
A narrativa é protagonizada por
Linda (Rose Byrne) uma mulher lidando com uma misteriosa doença que acomete a
filha, obrigando a garota a usar uma sonda. Ela também se encontra morando em
um quarto de hotel, já que o teto de seu apartamento desabou por conta de mofo
e de encanamento defeituoso. Ela lida com tudo isso sozinha já que o marido
(Christian Slater) é um militar que trabalha longe. Linda trabalha como
terapeuta e uma de suas pacientes, a jovem mãe Caroline (Danielle Macdonald),
desaparece no meio de uma sessão e deixa seu bebê no consultório. Linda faz
terapia para tentar enfrentar todas essas crises, mas sente que seu terapeuta
(Conan O’Brien) não dá a mínima para ela.
Os irmãos Josh e Benny Safdie
dirigiram juntos filmes intensos como Bom Comportamento(2017) e Joias Brutas(2019). Esse ano eles
resolveram trabalhar cada um em um projeto solo, com Benny dirigindo o morno Coração de Lutador e Josh conduzindo
este Marty Supreme, que é bem mais
próximo da energia insana dos filmes da dupla.
Destino na mesa
A narrativa se passa na Nova
Iorque da década de 50 e acompanha Marty (Timothee Chalamet), um jovem que
trabalha na loja de sapatos do tio, mas que sonha em se tornar uma estrela do
ping pong. Ele larga o emprego, roubando dinheiro da loja financiar a viagem já
que tem a certeza que vencerá o campeonato e voltará como um herói com fama e
dinheiro para fazer todos os seus problemas sumirem. Os planos de Marty não dão
certo e ele volta ao país com dívidas e problemas com a lei, ainda assim ele
acredita que se conseguir vencer o próximo torneio, que será no Japão, ele
conseguirá resolver tudo. No percurso ele tenta conseguir patrocínio do
empresário Milton Rockwell (Kevin O’Leary, em um papel que certamente iria para
Bob Hoskins se esse filme fosse feito nos anos 90), mas se envolve com a esposa
dele, a atriz Kay Stone (Gwyneth Paltrow), que é infeliz no relacionamento e
quer voltar a atuar. As coisas se complicam ainda mais quando Rachel (Odessa
A’zion), uma garota com quem Marty se relacionou no passado, aparece grávida
dizendo que o filho é dele.
Escrito por Manuel Puig, o
romance O Beijo da Mulher Aranha já
tinha sido levado aos cinemas em 1985 no ótimo filme homônimo dirigido por Hector Babenco e estrelado por Raul Julia e William Hurt. O texto foi também
levado ao teatro, onde foi adaptado como musical e agora esse musical teatral é
levado aos cinemas neste novo O Beijo da
Mulher Aranha.
Porões da ditadura
A narrativa se passa em 1983
durante a ditadura militar argentina. Valentin Arregui (Diego Luna, em mais um
papel de revolucionário depois de Andor)
é um preso político detido por seu envolvimento em movimentos contra a
ditadura. Ele vai parar na mesma cela que Luis Molina (Tonatiuh), um homem gay
preso por “atos obscenos”. Para lidar com a realidade brutal da prisão, Molina
fala sobre os filmes que gosta. Arregui inicialmente se aborrece com a conduta
pueril do companheiro de cela, mas logo ele passa a se interessar sobre a
narrativa de Molina, usando-a para debater sobre política e como o cinema
transmite ideologias. Os dois logo se tornam amigos e tentam sobreviver juntos
aos horrores do lugar, principalmente às torturas.
Em Predador: A Caçada(2022) e Predador: Assassino de Assassinos (2025) o diretor Dan Trachtenberg parece ter
encontrado a fórmula para fazer os filmes do Predador funcionarem: situar a
trama em um período histórico específico e colocar os yautja para enfrentar
guerreiros de diferentes épocas. Agora com Predador:
Terras Selvagens o diretor tenta sacudir essa fórmula.
Caçada selvagem
A narrativa é protagonizada por
Dek (Dimitrius Schuster-Koloamatangi), um jovem yautja que é considerado fraco
pelo seu clã por ser menor que o padrão da raça. Seu irmão, Kwei (Mike Homik)
tenta treiná-lo para que prove seu valor, mas o pai deles vê o esforço de Kwei
em proteger o irmão como fraqueza e tenta matar os dois. Dek sobrevive e para
provar a força ao pai e conquistar seu dispositivo de camuflagem viaja até um
remoto e perigoso planeta para caçar uma criatura que dezenas de outros
predadores tentaram e falharam. Chegando lá ele encontra a sintética Thia (Elle
Fanning), uma androide a serviço a corporação Weyland-Yutani (sim, a mesma de Alien) que está ali em uma missão para
capturar a mesma criatura. Dek decide ajudar Thia a consertar suas pernas em
troca do conhecimento dela a respeito da fauna e flora hostis do lugar. Agora
os dois precisam enfrentar tanto as criaturas do planeta, quanto as tropas da
Weyland, que veem o yautja como uma ameaça aos planos e Thia como um fracasso a
ser descartado.
Produzido pela Netflix, Influencer do Mal: A História de Jodi
Hildebrandt é mais um daqueles documentários true crime para streaming que
segue à risca a cartilha do formato e se sustenta mais pela história tenebrosa
que conta do que pelo modo como conta essa história.
Tratamento de choque
A história começa quando uma
criança é encontrada vagando pelas ruas de uma pequena cidade do estado de
Utah. A criança está visivelmente desnutrida e tem ferimentos nos braços e nas
pernas que denotam que ela estava amarrada. As autoridades descobrem que ela
escapou da casa da influencer Jodi Hildebrandt e que outras crianças estavam
sendo mantidas em cativeiro lá. A investigação acaba por revelar anos de abusos
cometidos por Jodi, maltratando crianças e afastando casais, sob a
justificativa de serem métodos psicoterapêuticos.
Depois de uma ótima primeira parte, esperava que Wicked: Parte 2
entregasse um clímax tão bacana quanto. Infelizmente isso não acontece, com a
segunda parte falhando em dar a devida dimensão aos eventos que seguem a
rebelião de Elphaba (Cynthia Erivo) contra o Mágico de Oz (Jeff Goldblum).
Magia enganosa
Depois dos eventos da primeira
parte, Elphaba decide enfrentar o Mágico e denunciar suas mentiras para o povo
de Oz. O regime do mágico, no entanto, usa toda sua capacidade de comunicação
para convencer as pessoas que Elphaba quer destruir Oz e é uma inimiga do povo.
Glinda (Ariana Grande) se alia ao Mágico e a Madame Morrible (Michelle Yeoh) já
que eles dão tudo que ela sempre quis. Ainda assim Glinda teme por Elphaba e
deseja resolver o conflito entre ela e o mágico.
Lançado em 1987, O Sobrevivente adaptava o romance O Concorrente de Stephen King em uma
típica farofa oitentista de ação protagonizada por Arnold Schwarzenegger, cheio
de canastrice e frases de efeito. Agora o diretor Edgar Wright (de Em Ritmo de Fugae Noite Passada em Soho) tenta fazer uma adaptação mais próxima à
distopia criada por King e a crítica social que o autor tentava fazer.
Jogos vorazes
A narrativa se passa em um futuro
no qual há um abismo social ainda maior no qual os ricos vivem em bairros
fechados, cheios de segurança, enquanto os mais pobres são abandonados à
própria sorte em periferias sujas. Ben (Glen Powell, de Twisterse Todos Menos Você)
acaba de perder o emprego e a filha está doente. Sem ter como pagar o
tratamento ele tenta se candidatar a uma das várias competições televisivas que
permitem aos mais pobres ganhar algum dinheiro às custas de humilhação ou
perigo. A raiva dele contra o sistema o faz ser selecionado para a principal e
mais mortal das competições. Chamada de “o sobrevivente” é um reality show no
qual os participantes precisam sobreviver por trinta dias sendo caçados pelas
autoridades e vigiados pela população para ganhar um prêmio milionário.
Com intervalos entre temporadas
cada vez maiores e o elenco infantil já tendo crescido para além da idade de
seus personagens. A impressão é que Stranger
Things perdeu parte do fôlego e do que o tornava interessante chegando
nessa temporada final. Esse ano derradeiro até consegue entregar um final que
respeita seus personagens e encerra seus ciclos, mas o caminho até lá não é dos
melhores.
Hawkins sitiada
A narrativa retorna um ano e meio
depois dos eventos da quarta temporada. Com a abertura das fendas, Hawkins foi
ocupada por militares que fecharam a cidade e controlam todo o fluxo de entrada
e saída. Para a população foi só um evento geológico, mas Mike (Finn Wolfhard),
Onze (Millie Bobby Brown) e os demais sabem que é Vecna (Jamie Campbell Bower)
que está por trás de tudo. Os militares controlam principalmente uma área com
uma grande fenda para o mundo invertido, com a implacável doutora Kay (Linda
Hamilton) tendo assumido a pesquisa de Brenner (Matthew Modine). Kay não só tem
pesquisado o mundo invertido como também está atrás de Onze, acreditando que a
garota ainda está em Hawkins. Assim, o grupo precisa tanto deter Vecna quando
se manter longe dos olhos dos militares.