Maldição familiar
A narrativa acompanha Charlie (Jack Reynor), um correspondente internacional morando no Cairo. Um dia sua filha mais velha, Katie, é sequestrada no quintal da casa em que moravam no Egito. Ele e a esposa, Larissa (Laia Costa, de Intimidade Forçada), entram em contato com as autoridades locais, mas eles não conseguem localizá-la. Oito anos se passam, Charlie e Larissa reconstruíram a vida nos Estados Unidos quando recebem uma ligação da embaixada dos EUA no Egito, Katie (Natalie Grace), foi encontrada. Ela estava dentro de um sarcófago encontrado em um avião que caiu e as autoridades desconfiam que ela estava sendo vítima de tráfico de pessoas. Os médicos julgam que ela está sofrendo de estresse pós traumático, já que não fala, sofre espasmos e não reage a estímulos. Acreditando que a família pode restaurar Katie, os pais a levam de volta aos Estados Unidos, mas lá fenômenos estranhos começam a acontecer.
Na prática é uma história que funciona mais como uma trama de possessão do que uma história sobre maldição de uma múmia. Katie age como todas as outras garotas possuídas que já vimos em narrativas sobre possessão demoníaca, com vômitos asquerosos, corpo se contorcendo e profanidades sendo proferidas. Inclusive, sua conduta é tão obviamente bizarra que chega a ser risível o quanto pais continuam a reagir a tudo como se fosse só estresse pós traumático e não algo mais grave. A menina começa a soltar tiras de pele e a mãe simplesmente faz um curativo como se fosse algo normal.
Jack Reynor não dá conta da dor e arrependimento que guiam a conduta de Charlie, se limitando a arregalar os olhos de maneira exasperada ou fechar a expressão facial para demonstrar raiva. Laia Costa se sai melhor ao evocar o apego de Larissa à filha, mesmo que no fundo a mãe saiba que há algo de terrivelmente errado com ela. Ambos são prejudicadas pelos já citados problemas de roteiro, que faz o casal soar como uma dupla de idiotas.
Investigação arrastada
O miolo do filme se arrasta conforme Jack e a policial egípcia Zaki (May Calamawy, de Cavaleiro da Lua) investigam o que aconteceu com Katie nos oito anos em que sumiu. O mistério, no entanto, é bem evidente para o público, já que a sequência inicial nos mostra que a mulher que sequestrou a menina estava envolvida em guardar uma criatura mumificada no sarcófago em que Katie foi encontrada, sendo fácil deduzir o que foi feito com a menina. Toda a investigação acaba sendo um entediante exercício de paciência, já que ficamos esperando os personagens descobrirem algo que já sabemos.
Não ajuda que o texto tenha algumas escolhas que não fazem muito sentido, tipo a policial Zaki sair do Egito para ir ao interior dos Estados Unidos para entregar pessoalmente um vídeo a Charlie, como se fosse uma viagem fácil aos moldes de novela da Glória Perez. Sim, ela está lá, na verdade, porque precisa proferir as palavras para o ritual que eventualmente irá conter Katie e a entrega do vídeo é só uma solução ruim que os roteiristas encontraram para levá-la aos Estados Unidos.
Ao menos o filme entrega algumas
boas cenas de gore conforme Katie
ataca pessoas ou solta pedaços da própria pele (esses momentos dão muita agonia
pelo quão explícitos são), com a maquiagem e a linguagem corporal da personagem
sendo bastante convincentes em dar a impressão de que ela ficou com o corpo
preso e enfaixado por anos dentro do sarcófago. Mesmo esses momentos de terror,
no entanto, não conseguem oferecer nada de muito diferente do que vimos em
outras produções do gênero e fazem pouco para afastar o sentimento que de é
mais uma história de possessão do que de múmia.
Nota: 4/10
Trailer


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