A cobra vai fumar
A narrativa acompanha os amigos Doug (Jack Black), Griff (Paul Rudd), Claire (Thandiwe Newton) e Kenny (Steve Zahn). Quando jovens eles sonhavam em fazer cinema, mas abandonaram esse sonho. Apenas Griff segue tentando ser ator, mas sem muito sucesso. Um dia Griff procura os amigos dizendo que conseguiu os direitos de Anaconda e juntos eles decidem vir para o Brasil produzir uma nova versão. Aqui eles contratam Santiago (Selton Mello) tratador de animais que tem uma anaconda. Eles partem em uma viagem pelo rio Amazonas no barco de Ana (Daniela Melchior, a Caça-Ratos de O Esquadrão Suicida) e começam a filmar, mas as coisas se complicam quando a cobra de Santiago é acidentalmente morta durante as filmagens e o grupo decide entrar na floresta em busca de uma nova cobra.
O filme se assume desde o início como uma comédia, com o humor se construindo pelo contraste entre a idiotice dos protagonistas e o quanto eles se levam à sério, sendo alheios ao próprio ridículo. A condução do filme também opera nesse sentido, tratando como sérias os desdobramentos mais ridículos da trama. O principal arco de Kenny, por exemplo, é o de criar coragem para urinar em público. Uma meta meio patética, mas que o filme trata como um grande arco dramático, com o momento em que ele urina em público sendo tratado como um instante de triunfo e a comédia vindo da oposição entre o ridículo da situação e o quão sério o filme a trata.
Há também uma tentativa de comentar sobre a preguiça de Hollywood e a constante reciclagem de ideias da indústria, com direito a aparições de membros do elenco original. Esse humor metalinguístico, porém, nunca chega no mesmo grau de absurdo ou acidez que algo como os dois Anjos da Lei. Que funcionavam bem melhor como comédias que zoavam as produções que retomam.
Brasil na tela
Ainda que tenha seus momentos de diversão pelo senso de absurdo, é difícil não se incomodar com o modo estereotipado com o qual o Brasil é representado. É aquele olhar exotizante, que repete mitos coloniais sobre a selva e a população. Ao menos a narrativa acerta em apontar o problema do garimpo ilegal em áreas de floresta, ainda que obviamente fique na superfície dessas questões (afinal ninguém vai ver um Anaconda esperando reflexões políticas e sociais).
Incomoda também a portuguesa Daniela Melchior interpretando uma personagem brasileira com um sotaque que constantemente derrapa no sotaque de português. Se eles escalaram o Selton Mello, poderiam também ter escalado uma atriz brasileira. Selton, por sinal rouba todas as cenas em que aparece com seu excêntrico tratador de animais e a devoção que ele tem por sua cobra. Jack Black, Paul Rudd e Steve Zahn interpretam o mesmo tipo de personagem que costumam interpretar em comédias. Funcionam quando a narrativa investe no absurdo e por conta do entrosamento que há entre eles, mas não oferecem nada de muito marcante.
No fim das contas Anaconda consegue ser uma comédia
passável pelo seu senso de absurdo e pelo modo como brinca com a memória do
original.
Nota: 6/10
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