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sexta-feira, 5 de maio de 2023

Crítica – O Exorcista do Papa

 

Análise Crítica – O Exorcista do Papa

Review – O Exorcista do Papa
Levemente baseado nos casos reais do padre Gabriele Amorth, cujos exorcismos já foram narrados por William Friedkin no péssimo documentário O Diabo e o Padre Amorth (2018), este O Exorcista do Papa não faz muito além de repetir os lugares comuns que já vimos em outros filmes de exorcismo. A narrativa se passa na década de 80 e leva o padre Amorth (Russell Crowe) até a Espanha para investigar a possível possessão de uma família que vive próxima a uma igreja em reforma. Lá Amorth encontra a pior ameaça sobrenatural que encontrou até então.

Não tem nada aqui que já não tenhamos visto antes em produções similares. Possuídos mutilam o próprio corpo, gritam profanidades, testam a fé dos envolvidos, se contorcem em posições humanamente impossível e arremessam coisas com o poder da mente. Temos também um padre em crise por conta de erros do passado e o demônio que possui a família irá tentar explorar essa fraqueza para se alimentar das dúvidas do protagonista. Russell Crowe tenta dar alguma personalidade a Amorth, com seu jeito desafiador que tenta tirar o próprio demônio do sério, mas o ator esbarra em um texto que não lhe dá muito além de uma série de clichês.

quinta-feira, 4 de maio de 2023

Crítica – Renfield: Dando Sangue pelo Chefe

 

Análise Crítica – Renfield: Dando Sangue pelo Chefe

Review – Renfield: Dando Sangue pelo Chefe
A ideia de fazer uma história do Drácula do ponto de vista do capanga Renfield, soava como um desses caça-níqueis hollywoodianos para reembalar a mesma história num embrulho diferente. Por conta disso, não tive lá muito interesse inicialmente neste Renfield: Dando Sangue Pelo Chefe. As coisas mudaram quando soube que Nicolas Cage seria o Drácula e esse é o tipo de papel grandiloquente que casa muito bem com a energia hiperbólica do ator. Não por acaso Cage é a melhor coisa do filme.

A trama começa com Renfield (Nicholas Hoult) narrando como conheceu Drácula (Nicolas Cage) em flashbacks que recriam cenas de antigos filmes do vampiro (em especial versões vividas por Christopher Lee e Bela Lugosi) até chegar aos dias atuais quando Renfield chega a Nova Orleans para proteger um Drácula ferido depois de sua mais luta contra caçadores de vampiros. Com séculos de servidão, Renfield começa a se questionar se não pode mudar o rumo de sua vida, buscando um grupo de apoio a pessoas em relacionamentos tóxicos. Enquanto Drácula se recupera, Renfield resolve usar suas habilidades sobrenaturais para ajudar pessoas necessitadas e aí conhece a policial Rebecca (Awkwafina), que está em confronto com uma perigosa família criminosa da cidade.

quarta-feira, 3 de maio de 2023

Crítica – Tic-Tac: A Maternidade do Mal

 

Análise Crítica – Tic-Tac: A Maternidade do Mal

Review – Tic-Tac: A Maternidade do Mal
Longa-metragem de estreia da diretora Alexis Jacknow, Tic-Tac: A Maternidade do Mal parte de ideias interessantes ao construir um terror sobre a pressão social sobre as mulheres em relação a maternidade e os horrores que emergem de tentar se conformar a essas exigências. A questão é que a produção insere tantas ideias que não tem tempo para desenvolvê-las a contento.

Ella (Dianna Agron) é uma mulher bem sucedida, mas que não deseja ter filhos. Com o seu aniversário de 37 anos se aproximando, vendo as amigas todas terem filhos e com indiretas (ou diretas) do pai sobre a necessidade de ter filhos, a protagonista sente que talvez tenha algo errado consigo. É aí que ela descobre um tratamento experimental sendo testado pela doutora Simmons (Melora Hardin), que visa “consertar” o relógio biológico quebrado de mulheres como Ella, lhes devolvendo o desejo de ser mãe. A terapia consiste de imagens que soam como uma mistura de hipnose com lavagem cerebral, além de uma pesada carga de hormônios. Aos poucos, porém, Ella começa a experimentar horrendos efeitos colaterais.

quarta-feira, 26 de abril de 2023

Crítica – O Chamado 4: Samara Ressurge

 

Análise Crítica – O Chamado 4: Samara Ressurge

Review – O Chamado 4: Samara Ressurge
Por mais que a ideia da crítica seja refletir sobre a obra em sua imanência, sobre nossa experiência do momento da apreciação, é impossível separar completamente isso de elementos contextuais à obra. Digo isso porque embora este O Chamado 4: Samara Ressurge seja muito ruim por seus próprios méritos (ou falta deles), ela se torna ainda pior por conta do contexto picareta de seu lançamento.

O título usado no Brasil e na América Latina dá a entender que se trata de uma continuação de O Chamado 3 (2017), versão hollywoodiana da franquia de terror japonesa Ringu. Não é o caso. O que está sendo lançado aqui como O Chamado 4: Samara Ressurge é, na verdade, a produção japonesa Sadako DX, um spin-off da franquia Ringu. Por mais que até as legendas chamem a assombração Sadako de Samara, tentando criar uma conexão com os filmes hollywoodianos, e as personagens até tenham suas semelhanças, elas não são a mesma criatura e tem mitologias bem diferentes. Ou seja, trata-se de uma estratégia apelativa para pegar desavisados e se eu entrasse no cinema pagando ingresso achando que assistiria um novo O Chamado apenas para ver algo sem qualquer relação, eu ficaria muito, muito irritado.

terça-feira, 28 de março de 2023

Crítica – O Urso do Pó Branco

 

Análise Crítica – O Urso do Pó Branco

Review – O Urso do Pó Branco
A internet ficou em polvorosa quando saiu o primeiro trailer deste O Urso do Pó Branco. Era o tipo de premissa maluca que o cinema precisava, ainda por cima levemente (mas muito levemente) baseada em fatos reais (no mundo real o urso simplesmente morreu depois de ingerir a cocaína). O resultado final diverte, mas fica aquém do que poderia ter sido.

A trama se passa na década de 80, no interior dos Estados Unidos. Depois que um traficante joga vários pacotes de cocaína de um avião, as drogas caem nas imediações de uma pequena cidadezinha do interior. A notícia se espalha, com policiais e criminosos vasculhando a mata ao redor em busca do pó, mas eles não esperavam que um grande urso negro tivesse chegado primeiro e estivesse disposto a matar qualquer um por mais narcóticos.

É uma trama completamente pirada, que coloca traficantes, policiais e turistas desavisados na mira do urso drogado. O tipo de coisa que você para e pensa como alguém teve capacidade de fabulação o bastante para fazer um filme com essa narrativa e, no geral, o filme entrega momentos bem divertidos, praticamente todos protagonizados pelo urso titular. Da cena em que ele sobe furiosamente uma árvore ao cheirar um pouco de pó no corpo de um biólogo que foi ajudar a guarda florestal a investigar o local, passando pela perseguição a uma ambulância, as cenas com o urso são os momentos em que o filme se entrega ao mais puro absurdo e é difícil não rir com toda a maluquice em cena. Também há um inegável valor de entretenimento ao ver atores tarimbados como Margo Martindale, Jesse Tyler Ferguson ou Ray Liotta sofrendo mortes brutais nas garras do animal titular.

segunda-feira, 6 de março de 2023

Crítica – Medusa

 

Análise Crítica – Medusa

Review – Medusa
De uns anos para cá o cinema brasileiro vem explorando a ascensão do conservadorismo e retórica autoritária através de distopias. Carro Rei (2021) falava da ascensão do autoritarismo, Bacurau (2019) mostrava um Brasil preconceituoso e vendido a estrangeiros, enquanto que Divino Amor (2019) explora o aspecto do conservadorismo religioso que crescia no país. Dirigido por Anita Rocha da Silveira, Medusa é também uma produção que explora esse conservadorismo religioso que se impõe cada vez mais no Brasil, observando esse tema a partir de um ponto de vista feminino.

A trama é centrada em Mariana (Mari Oliveira), uma jovem evangélica que participa de um grupo de garotas de sua igreja que tem o objetivo de se manter pura. Essas jovens também se organizam em uma espécie de milícia conservadora que ataca na rua mulheres que elas consideram promíscuas ou sujas com o intuito de puni-las ou convertê-las. Um desses ataques dá errado e Mariana leva um corte no rosto, deixando uma cicatriz que a faz ser demitida da clínica em que trabalha. Sem trabalho, Mariana e a melhor amiga, Michele (Lara Tremouroux), começam a investigar a lenda urbana da atriz Melissa (Bruna Linzmeyer), uma mulher supostamente devassa que teve o rosto queimado como punição por sua conduta. Mariana crê ter encontrado a atriz em uma clínica para pessoas em coma e decide conseguir um emprego no local, mas logo coisas estranhas começam a acontecer.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Crítica – Pearl

 

Análise Crítica – Pearl

Review – Pearl
Se em X: A Marca da Maldade (2022) o diretor Ti West usou o exploitation e o terror slasher para falar da transformação cultural nos Estados Unidos da década de 1970, em Pearl, que serve de prelúdio para o filme anteriormente citado, ele usa a era de ouro do cinema mudo para pensar no modo como o audiovisual criou uma versão idealizada e romantizada da vida no interior dos EUA. Uma visão que não se encaixaria na realidade e impactaria na vida de sua protagonista, nos ajudando a entender como Pearl se tornou a idosa assassina que conhecemos em X: A Marca da Maldade.

A trama se passa em 1918 numa área rural do Texas. Pearl (Mia Goth) vive com a rígida mãe, Ruth (Tandi West), e o inválido pai (Mattew Sunderland) que vive paralisado em uma cadeira de rodas e precisa de cuidados o tempo todo. Pearl está casada com Howard (Alistair Sewell), mas ele foi servir como soldado na guerra, obrigando Pearl a continuar na fazenda com os pais. A jovem vê uma chance de sair dali com o anúncio de testes buscando uma dançarina para uma trupe que sairá em turnê pelo país. Pearl decide participar do teste, mas seus problemas com os pais e sua propensão para a violência podem por tudo a perder.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

Crítica – Oferenda ao Demônio

 

Análise Crítica – Oferenda ao Demônio

Filmes de possessão demoníaca normalmente se baseiam em elementos cristãos, então quando vi que este Oferenda ao Demônio se baseava no judaísmo fiquei curioso em como isso poderia render algo diferente. Infelizmente isso não acontece e o resultado é um terror bem genérico.

Na trama, Arthur (Nick Blood, o Hunter de Agentes da SHIELD) é um corretor de imóveis judeu que se afastou da família depois de casar com uma mulher não judia, Claire (Emily Wiseman). Agora que a esposa está grávida, Arthur tenta se reaproximar do pai, Saul (Allan Corduner), um judeu ortodoxo. O problema é que o protagonista não quer apenas reparar o relacionamento, mas convencer o pai a vender seu imóvel para que possa saldar dívidas. As coisas se complicam quando um misterioso cadáver chega na funerária de Saul com uma faca cheia de símbolos antigos cravada no corpo e um estranho pingente. O cadáver traz consigo uma entidade sobrenatural que passa a aterrorizar a família.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Drops – A Babá (2022)

 

Análise Crítica – A Babá (2022)

Review – Nanny
Estrelado por Anna Diop (a Kory da série Titãs), A Babá é o primeiro longa-metragem de Nikyatu Jusu, diretora oriunda de Serra Leoa, e transita entre o drama e o terror para falar imigração, racismo e questões de classe. A narrativa é centrada em Aisha (Anna Diop), uma imigrante senegalesa em Nova Iorque que começa a trabalhar como babá de um casal rico da cidade na esperança de fazer dinheiro suficiente para trazer o filho do Senegal para morar com ela nos EUA. O que parecia um bom emprego vai aos poucos se transformando numa experiência tensa conforme ela passa a ter problemas com a patroa, Amy (Michelle Monaghan), e Aisha começa a ter visões estranhas com entidades como Anansi.

A condução de Jusu vai aos poucos mostrando como inúmeros pequenos incidentes vão minando os ânimos de Aisha até que a soma dele faz as tensões entre ela e a patroa chegarem a um atrito explícito. Nesse sentido, Anna Diop é eficiente em nos fazer entender o que a protagonista sente através de reações inicialmente contidas diante da exploração ou preconceitos de classe e raça casualmente demonstrados pelos patrões.

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Crítica – M3gan (Megan)

 

Análise Crítica – M3gan (Megan)

Review – M3gan (Megan)
Assim que saíram os primeiros trailers M3gan (ou simplesmente Megan) viralizou por conta do visual sinistro de sua boneca assassina. Indo assistir o filme me perguntei se talvez não fosse um daqueles filmes que tem um trailer empolgante, mas o resultado final é uma porcaria.

A trama é centrada em Gemma (Allison Williams), uma programadora que se vê no inesperado papel de guardiã da sobrinha, Cady (Violet McGraw), depois que os pais dela morrem em um acidente. Sem saber se conectar com a menina, Gemma decide testar com Cady o protótipo de uma boneca interativa que está desenvolvendo. Logo Cady se conecta com a boneca M3gan, tratando-a quase como uma pessoa de verdade, mas a boneca passa a levar a sério demais sua programação de cuidar da garota.

É claramente uma premissa de produção B e o filme sabe disso, caminhando entre o terror e a paródia para tentar extrair o máximo de entretenimento da situação. Boa parte do humor deriva justamente do texto reconhecer a bizarrice da situação e como o visual da boneca é, por si só, naturalmente sinistro. Apesar da classificação indicativa baixa para um filme de terror (14 anos, quando a maioria é 16), a trama consegue criar momentos de tensão mesmo a violência não sendo tão explícita. Quem espera um terror mais sangrento, porém, provavelmente vai se decepcionar.

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Crítica – Noites Brutais

 

Análise Crítica – Noites Brutais

Review – Noites Brutais
O terror Noites Brutais é um daqueles filmes que é melhor assistir sabendo o mínimo possível. Ele constantemente nos leva por caminhos inesperados que ampliam o suspense e nos deixa em um estado de incerteza a respeito do que virá a seguir. Em tempos de filmes que parecem cada vez mais aderir a lugares comuns, é um alívio encontrar produções que arriscam ao aloprar na trama com fabulações que nunca imaginaríamos a exemplo do que James Wan fez em Maligno (2021), embora Noites Brutais não chegue ao nível de maluquice do filme de Wan.

A trama é protagonizada por Tess (Georgina Campbell) que viaja a Detroit para uma entrevista de emprego e aluga uma casa via aplicativo. Chegando lá Tess descobre que há outra pessoa no local, Keith (Bill Skarsgard), que alugou a mesma casa via aplicativo diferente. Sem conseguir outro lugar para ficar, Tess aceita dividir a casa com Keith, mas fica alerta com o comportamento do desconhecido.

De início imaginamos que o filme irá girar em torno desse desconforto social de ser mulher e ser colocada em um espaço com um homem estranho. Como vemos tudo sob a perspectiva de Tess, imediatamente suspeitamos de Keith e de suas atitudes aparentemente gentis, como oferecer chá. O fato de Keith comentar que é “um cara legal” e que o chá não tem nada para dopar Tess só amplia nossa desconfiança. Claro, muito da tensão vem da escalação de Bill Skarsgard, famoso por viver monstros em filmes de terror (como o palhaço Pennywise), já imaginamos que o personagem interpretado por ele será alguém sinistro.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Crítica – Sorria

 

Análise Crítica – Sorria

Review – Sorria
O terror Sorria chamou minha atenção pelos pôsteres com personagens exibindo sorrisos macabros. Mesmo sem saber exatamente do que se tratava, as imagens eram o suficiente para despertar minha curiosidade. O resultado, felizmente, é um produto satisfatório, ainda que um pouco derivativo.

Na trama, a psiquiatra Rose (Sosie Bacon) testemunha uma paciente se matar diante dela dizendo que estava sendo perseguida por uma entidade sobrenatural que a fazia ver estranhos rostos sorridentes. Pouco tempo depois, Rose começa a ver o mesmo tipo de aparição e teme estar perdendo a sanidade. Ela começa a pesquisar e descobre uma estranha ligação de sua paciente com outros suicídios.

De certa forma a narrativa do filme é basicamente a mesma de Corrente do Mal (2014), com uma entidade invisível “infectando” diferentes pessoas e passando de hospedeiro para hospedeiro. A diferença é que ao invés de ser transmitida pelo sexo, é transmitida ao ver alguém se matando.

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

Crítica – O Telefone do Sr. Harrigan

 

Análise Crítica – O Telefone do Sr. Harrigan

Review – O Telefone do Sr. Harrigan
Baseado em um conto de Stephen King, O Telefone do Sr. Harrigan tenta simultaneamente falar de nossa relação com tecnologia, dos impactos do luto e também dos perigos em conseguir exatamente o que queremos. São ideias que poderiam render um suspense sobrenatural interessante, mas que o filme nunca desenvolve de modo a ter algo significativo a dizer.

A trama é protagonizada por Craig (Jaeden Martell), um jovem contratado pelo rico idoso Sr. Harrigan (Donald Sutherland) para periodicamente ler livros para ele. Ao longo das sessões de leitura, Craig e Harrigan se tornam amigos, com Craig dando ao seu idoso patrão um smartphone para que possam se comunicar facilmente. Inevitavelmente Harrigan morre, mas estranhamente continua a responder Craig pelo telefone.

Inicialmente o filme parece explorar uma tecnofobia similar a algo como O Chamado (2002), explorando como as máquinas conectadas à internet permitem que a informação se multiplique e que quebremos fronteiras de espaço e tempo, podendo ser acessados infinitamente. O problema é que conforme a trama se desenvolve, boa parte desses temas se dilui em outras pretensões narrativas e nenhuma delas consegue envolver.

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

Drops – A Maldição de Bridge Hollow

 

Análise Crítica – A Maldição de Bridge Hollow

Review – A Maldição de Bridge Hollow
Estrelado por Priah Ferguson (a Erica de Stranger Things), este A Maldição de Bridge Hollow é uma comédia de Halloween que está mais para o péssimo O Halloween do Hubie (2020) do que para algo como Abracadabra (1993). É mais uma produção da Netflix que parece feita em uma linha de montagem sem qualquer personalidade.

Na trama, a jovem Sydney (Priah Ferguson) se muda com os pais de Nova Iorque para a pequena cidade de Bridge Hollow, um lugarejo que adora comemorar o Halloween. O problema é que espíritos malignos ameaçam tomar a cidade durante as comemorações, cabendo a Sydney e seu pai, Howard (Marlon Wayans), deter a ameaça.

terça-feira, 11 de outubro de 2022

Crítica – Lobisomem na Noite

 

Análise Crítica – Lobisomem na Noite

Review – Lobisomem na Noite

Em tempos que qualquer blockbuster mediano se estende por mais de duas horas, é um alívio ver um filme que vai direto ao ponto com uma duração enxuta (cerca de 60 minutos) como este Lobisomem na Noite, especial televisivo produzido pela Marvel. A duração não é por acaso, já que o especial visa emular a estética e temas de antigos filmes de monstro da década de 1930 ou 1940 feitos pela Universal ou pela Hammer.

Na trama, Jack Russell (Gael Garcia Bernal) é um caçador de monstros que se reúne com outros caçadores para uma provação que lhes dará a Bloodstone, joia de incrível poder contra monstros. Enquanto outros caçadores, como Elsa Bloodstone (Laura Donnelly), herdeira da família, tentam matar uma criatura e clamar a joia, Jack visa libertar o monstro. A razão disso é que Jack é um lobisomem. Logicamente Jack tem sua faceta monstruosa descoberta e se torna refém dos caçadores.

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Crítica – Morte Morte Morte

 

Análise Crítica – Morte Morte Morte

Review – Morte Morte Morte
Misturando um suspense ao estilo Agatha Christie com sátira social, seria fácil definir este Morte Morte Morte como uma espécie de O Anjo Exterminador (1962) da Geração Z. Na trama, Sophie (Amandla Stenberg) viaja com a namorada Bee (Maria Bakalova) para passar um final de semana na mansão de um de seus amigos ricos, David (Pete Davidson). O problema é que o grupo fica isolado quando o local é atingido por uma tempestade e as coisas se complicam ainda mais quando eles começam a morrer um a um.

É uma premissa batida, grupo de pessoas preso em uma grande casa, sem ter como se comunicar com o mundo exterior, enquanto precisa descobrir o assassino que há entre eles. Desde o início já conseguimos prever que esses jovens vão morrer um a um até uma conclusão inevitável. Aqui, porém, o foco é menos na resolução dos crimes ou mesmo no gore das mortes e mais em como o clima de paranoia e a sensação de ameaça desperta o pior naquelas pessoas. Claro, o filme é eficiente na construção da tensão, sempre nos deixando incertos em relação a quem aderir ou de onde pode estar vindo a ameaça, porém sua força reside nas relações entre as personagens.

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Drops – O Exorcismo da Minha Melhor Amiga

 

Análise Crítica – O Exorcismo da Minha Melhor Amiga

Review – O Exorcismo da Minha Melhor Amiga
Adolescência é um período de muitas mudanças. Não apenas mudanças corporais, mas de sociabilidade. Nesse momento descobrimos novos interesses e é normal nos afastarmos de algumas amizades de infância, perdendo o contato ou até criando inimizades. Este O Exorcismo da Minha Melhor Amiga, explora essas mudanças e conflitos com amigas de infância mesclando comédia adolescente com uma trama de possessão demoníaca.

A narrativa se passa na década de 80 e acompanha as amigas Abby (Elsie Fisher) e Gretchen (Amiah Miller). Durante uma viagem e uma brincadeira com um tabuleiro de Ouija, Gretchen é possuída por uma entidade demoníaca e muda drasticamente o comportamento, se afastando das amigas. De início Abby estranha o comportamento cruel de Gretchen, mas logo desconfia que há algo mais sombrio por trás da mudança.

O filme equilibra com habilidade o tom de comédia, com elementos mais sombrios de terror. De um lado diverte com o absurdo de algumas situações e personagens pitorescos, como a boy band de pop cristão marombeira liderada por Christian (Christopher Lowell), que acaba servindo de exorcista no clímax. Por outro, o filme consegue criar algumas imagens bem sinistras a exemplo da cena em que Margaret (Rachel Ogechi Kanu) vomita um enorme verme.

terça-feira, 20 de setembro de 2022

Crítica – Boa Noite, Mamãe!

 

Análise Crítica – Boa Noite, Mamãe!

Review – Boa Noite, Mamãe!
Lançado em 2014, o terror austríaco Boa Noite, Mamãe era um eficiente terror que envolvia pela construção de uma atmosfera de tensão e ambiguidade ao redor de seus personagens. Seis anos depois recebemos esse remake hollywoodiano que, como muitos remakes de filmes relativamente recentes, soa meramente como um meio de atingir o público estadunidense que não gosta de assistir filme com legenda.

A trama é protagonizada pelos gêmeos Elias e Lukas (Cameron e Nicholas Crovetti) que são deixados na casa da mãe (Naomi Watts) para passar um tempo com ela. Chegando lá os garotos encontram a mãe com o rosto coberto por uma máscara cirúrgica, pois ela supostamente teria feito uma plástica no rosto. Os problemas começam quando os garotos estranham o comportamento da mãe e começam a achar que aquela mulher pode não ser a mãe deles.

Se o original conseguia desenvolver muito bem uma atmosfera de tensão e estranhamento por conta das ações erráticas da mãe e o fato de não vermos seu rosto, aqui essa tensão está praticamente ausente. Falta ambiguidade e bizarrice nas ações da personagem de Naomi Watts, que demonstra mais uma insegurança e fragilidade que torna mais fácil antever a revelação final. A máscara cirúrgica usada pela personagem revela demais o rosto da atriz e soa normal demais para parecer assustadora como no original, em que parecia menos um instrumento hospitalar e mais algo feito de maneira amadora, com bandagens soltas unidas por presilhas e o pouco que víamos do rosto da mãe estava cheio de hematomas e marcas de cicatriz.

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Crítica – Órfã 2: A Origem

 

Análise Crítica – Órfã 2: A Origem

Review – Órfã 2: A Origem
Não tinha lá grandes expectativas para este Orfã 2: A Origem. Não apenas não havia nada de muito promissor em revisitar a origem da personagem, como também o crescimento da atriz Isabelle Fuhrman (que tinha 12 anos no primeiro filme em 2009) já tornava difícil que ela continuasse a convencer como uma criança. Pois confesso que o resultado é até melhor do que eu esperava considerando o quão ruim poderia ter sido.

A trama se passa em 2007 e conta como Esther (Isabelle Furhmann) chegou aos Estados Unidos e matou a primeira família por lá. Como qualquer um que viu o primeiro filme sabe, ela não é uma criança, mas uma mulher adulta com mais de 30 anos com um tipo raro de nanismo que prendeu o desenvolvimento do seu corpo ainda na infância. Originalmente chamada Leena, ela foge de uma instituição psiquiátrica na Estônia e acaba assumindo a identidade de uma garota estadunidense desaparecida chamada Esther por conta da semelhança com a menina. Ela então é levada aos EUA para a família da Esther original, sendo aceita por Tricia (Julia Stiles), mãe da garota, e os demais membros da família como a Esther real.

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

Crítica – Não! Não, Olhe!

 

Análise Crítica – Não! Não, Olhe!

Review – Não! Não, Olhe!
Uma das primeiras imagens de Não! Não Olhe! é um versículo bíblico do livro de Naum (3:6) e é difícil não pensar no jogo de palavras que Jordan Peele coloca aqui. Não apenas o texto do versículo bíblico, mas o próprio título do evangelho evoca uma conexão com o imperativo negativo no título do filme. Esse é só um dos muitos elementos com múltiplas camadas de interpretação numa trama que se vale da estrutura típica de um filme de monstro para refletir sobre exclusão, exploração e o ato de olhar.

A narrativa acompanha O.J (Daniel Kaluuya) um jovem treinador de cavalos que prepara animais para aparecerem em filmes. Quando seu pai morre em circunstâncias misteriosas, O.J deseja tocar adiante o negócio da família enquanto que sua irmã Emerald (Keke Palmer) quer vender o rancho. Antes de tomar qualquer atitude, no entanto, ambos notam o fenômeno estranho que provavelmente matou seu pai: um estranho disco voador nas redondezas da fazenda. Os irmãos então decidem encontrar um jeito de filmar e provar a existência do objeto.

É possível pensar como a premissa está fundamentada no desejo e no prazer de olhar, algo que está na base do cinema em si. As tentativas de filmar o objeto e descobrir o que é ponderam sobre a centralidade do olhar e como as coisas só tem valor e sentido na medida que são capturadas por nossos sentidos. Os irmãos sabem que só acreditarão neles com imagens e sabem que só podem extrair valor da história se tudo for bem filmado.