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sexta-feira, 8 de setembro de 2023

Crítica – A Pequena Sereia

 

Análise Crítica – A Pequena Sereia

Review – A Pequena Sereia
Mais nova tentativa de um live action de suas animações clássicas, A Pequena Sereia é mais uma animação a usar tecnologia de ponta para recriar de maneira bastante realista o universo submarino de sua protagonista. A exemplo de produções como o remake de O Rei Leão (2019) esse fotorrealismo mais tira do que acrescenta à experiência.

Na trama Ariel (Halle Bailey) é uma sereia sonhadora que anseia em conhecer o mundo da superfície apesar de seu pai, o poderoso Rei Tritão (Javer Bardem) alertá-la dos perigos que os humanos representam. Quando Ariel salva o príncipe Eric (Jonah Hauer King) ela se torna ainda mais decidida em experimentar o modo de vida dos humanos. A sereia decide aceitar um perigoso acordo com a bruxa do mar Ursula (Melissa McCarthy) para se tornar humana, mas isso coloca os mares e a superfície em risco.

O filme recria o fundo do mar com muita fidelidade e competência técnica, mas essa escolha por realismo faz o reino submarino soar vazio, sem graça e desprovido de encantamento. Isso fica evidente no número musical de Aqui no Mar, uma das canções mais marcantes da animação que perde muito da sua energia e deslumbramento porque as criaturas marinhas estão presas a se movimentarem como criaturas marinhas. Se até o filme do Aquaman (2018) conseguiu colocar um polvo tocando bateria, não vejo porque uma trama mais lúdica e fantasiosa como A Pequena Sereia deveria se prender tanto ao realismo.

terça-feira, 14 de março de 2023

Crítica - Magic Mike: A Última Dança

 

Análise Crítica - Magic Mike: A Última Dança

Review Crítica - Magic Mike: A Última Dança
Desde sua narração inicial é visível que Magic Mike: A Última Dança é um filme cheio de pretensões conforme a voz da narradora explica como a dança é capaz de salvar a sociabilidade humana. Se o segundo filme, Magic Mike XXL (2015), que foi dirigido por Gregory Jacobs e não por Steven Soderbergh como o primeiro e este terceiro, assumia tranquilamente seu caráter de exploitation com excessos e comicidade, esse desfecho para a trilogia cai na besteira de se levar a sério demais como o original e talvez se leve até mais a sério.

Na trama, depois de perder seu negócio de móveis por conta da pandemia, Mike (Channing Tatum) passa a trabalhar como barman. É nesse trabalho que ele conhece a ricaça Max (Salma Hayek), que descobre o passado de Mike e o contrata para uma dança. Encantada pelo talento e capacidade sedutora de Mike, Max decide levá-lo para Londres para que ele organize um espetáculo de dança.

Há uma tensão sexual palpável entre Tatum e Hayek, com Hayek sendo especialmente eficiente em mostrar que por trás de toda a exuberância e esbanjamento Max tem em si uma grande medida de insegurança. Os números de dança continuam sendo o ponto alto do filme, com coreografias grandiosas e uma boa dose de sensualidade, o problema é que esses dois elementos que seriam os mais promissores são deixados de lado em prol de ideias inanes. A relação entre Mike e Max fica focada na produção do show e as danças aparecem pouco.

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Crítica – I Wanna Dance With Somebody: A História de Whitney Houston

 

Análise Crítica – I Wanna Dance With Somebody: A História de Whitney Houston

Review – I Wanna Dance With Somebody: A História de Whitney Houston
Fiquei com um pé atrás quando vi que este I Wanna Dance With Somebody: A História de Whitney Houston seria feito pelos mesmos produtores de Bohemian Rhapsody (2018), cinebiografia do Freddie Mercury. Temi que o resultado fosse a mesma estrutura quadrada que passa superficialmente por vários momentos da vida de sua personagem principal sem qualquer esforço de ir a fundo neles. Pois depois de ver o filme posso dizer: é bem isso mesmo.

A trama acompanha Whitney (Naomi Ackie) desde a juventude em sua trajetória de sucesso até a eventual decadência por conta das drogas e de uma relação conturbada com o rapper Bobby Brown (Ashton Sanders). É aquela biografia bem estilo “melhores momentos” que salta rapidamente entre momentos icônicos da carreira da personagem sem dar tempo para que nenhum evento seja desenvolvido ou tenha qualquer repercussão.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

Crítica – RRR: Revolta, Rebelião, Revolução

 

Análise Crítica – RRR: Revolta, Rebelião, Revolução

Review – RRR: Revolta, Rebelião, Revolução
Conheço pouco do cinema indiano, mas fiquei curioso para conferir este RRR: Revolta, Rebelião, Revolução não apenas pelas conversas de que poderia ser indicado a prêmios internacionais, como também pelo argumento de que ele não deveria ser indicado a prêmios por se tratar de uma peça de propaganda nacionalista. Ora, o que são filmes como Top Gun: Maverick (2022), Rambo 3 (1988) ou O Resgate do Soldado Ryan (1998) se não peças de propaganda nacionalista, feitas para acreditarmos nos Estados Unidos como essa heroica “polícia do mundo” com interesses puros de promover a liberdade e democracia ao redor do globo?

Porque Hollywood ou a Europa podem fazer filmes celebrando suas identidades nacionais e construindo uma versão de seu relato histórico em que seu povo é sempre o herói, mas populações colonizadas, como a da Índia, não podem fazer o mesmo? Imagino que muito do que causou essa recepção do filme se relaciona com o incômodo das populações europeias e de outros países hegemônicos em se enxergarem como vilões. Muito da história da colonização foi construída da perspectiva europeia e nela eles se colocam como bravos descobridores que civilizaram ou dominaram as selvagens e atrasadas populações dos territórios conquistados.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

Drops – Matilda: O Musical

 

Análise Crítica– Matilda: O Musical

Review – Matilda: O Musical
Confesso que nunca tive lá grande vínculo com o clássico da Sessão da Tarde Matilda (1996), achava divertido, assistia quando passava, mas não foi algo tão presente na minha formação cinéfila. Ainda assim, fiquei curioso para conferir este Matilda: O Musical, que adapta o musical teatral baseado no livro de Roald Dahl que inspirou o filme de 96.

A trama é a mesma da versão da década de 90, Matilda (Alisha Weir) é uma garota precoce e genial negligenciada pelos pais picaretas que é mandada para a escola dirigida pela rígida Sra. Trunchbull (Emma Thompson), que sente prazer em humilhar as crianças. Felizmente, Matilda encontra refúgio nos amigos e na professora Honey (Lashana Lynch).

Tal como o primeiro filme, a narrativa é sobre como adultos não entendem ou subestimam as crianças, além de criticar um modelo educacional repressivo que tenta colocar as crianças dentro de um padrão restrito de conduta através de castigos arbitrários que não educam coisa alguma. Através de Matilda somos lembrados da inventividade e senso de imaginação que temos durante a infância, bem como o fato de que crianças as vezes tem motivos compreensíveis para agir de um modo que adultos considerariam como travesso.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Drops – Spirited: Um Conto Natalino

 

Análise Crítica – Spirited: Um Conto Natalino

Review – Spirited: Um Conto Natalino
Com uma trama sobre redenção e generosidade, não é de se espantar que o romance Um Conto de Natal, de Charles Dickens, siga até hoje como a quintessência da narrativa natalina. O cinema já adaptou e se inspirou na obra de Dickens de diversas maneiras e agora Spirited: Um Conto Natalino, produção da AppleTV+, resolve trazer a história para um cenário contemporâneo e para o gênero musical.

Na trama, o Fantasma do Natal Presente (Will Ferrell), ou apenas Presente para simplificar, não se sente mais desafiado pelo trabalho de redimir pessoas ruins na véspera de Natal e decide que o próximo alvo dos fantasmas deve ser alguém considerado irredimível, já que apenas corrigindo alguém assim eles conseguiriam uma mudança significativa no mundo. O escolhido é o relações públicas Clint (Ryan Reynolds), um sujeito completamente antiético, disposto a qualquer coisa para destruir seus oponentes e promover seus clientes.

sexta-feira, 18 de março de 2022

Crítica – Amor Sublime Amor

 

Análise Crítica – Amor Sublime Amor

Review – Amor Sublime Amor
Com canções escritas por Stephen Sondheim, um dos melhores compositores a passar pela Broadway, Amor Sublime Amor (1961) foi um dos melhores musicais já feitos. Assim, o diretor Steven Spielberg tinha uma tarefa difícil nas mãos em tentar fazer uma nova versão. Existiam aspectos no original que não envelheceram muito bem que davam uma possibilidade de tentar algo novo, mas o esforço de Spielberg se escora tanto no original ao ponto em que essa nova versão soa desnecessária.

A trama se passa na década de 1950 em uma zona periférica de Nova York, cujo bairro está sendo demolido para dar lugar a novos empreendimentos imobiliários. O terreno é também habitado por duas gangues rivais, os Sharks, uma gangue de imigrantes latinos, e os Jets, uma gangue formada pela comunidade branca local. Nesse cenário de disputas floresce o amor proibido entre Maria (Rachel Zegler), uma jovem imigrante irmã do líder dos Sharks, e Tony (Ansel Elgort), melhor amigo do líder dos Jets e que está tentando reconstruir a vida depois de sair da cadeia.

Muito se falou sobre como Spielberg “corrigiu” os problemas do original. A verdade, no entanto, é que colocar atores de origem latina para os personagens latinos ou não legendar as falas em espanhol, tratando-a como uma língua tão nativa quanto o inglês, é o mínimo que se espera de uma adaptação de um filme de sessenta anos em plena terceira década do século XXI. O filme avança muito pouco em boa parte das discussões sobre classe e raça em relação ao original, o que soa como um desperdício de potencial considerando o quanto esse debate avançou e a ascensão recente de grupos e discursos xenófobos nos EUA. Assim, é estranho que o olhar de Spielberg acerca de todas essas questões ainda soe tão similar a algo produzido na metade do século passado.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Crítica – Encanto

 

Análise Crítica – Encanto

Review – Encanto
De certa forma, Encanto, nova animação da Disney, conta uma típica história de conflitos familiares, com uma jovem que desvia do ideal de sua família tentando mostrar que ela é tão digna quanto os outros parentes. Ainda que tenha uma premissa e estrutura conhecidas o filme...err...encanta pelo desenvolvimento de seus personagens, senso de humor e diversão das canções.

Na trama, a família Madrigal criou ao seu redor uma pequena vila no interior da Colômbia depois que a matriarca encontrou uma vela milagrosa que deu a ela e seus descendentes poderes mágicos. A jovem Mirabel (voz de Stephanie Beatriz, a Rosa de Brooklyn 99), no entanto, nunca recebeu nenhuma habilidade mágica da vela e se sente deslocada do restante da família além de menosprezada pela avó. Problemas surgem quando os poderes de seus parentes começam a falhar e a casa mágica na qual moram começa a rachar.

É bem óbvio que até o final do filme Mirabel vai descobrir a magia em si, reparar a relação com a avó e que as rachaduras na casa são uma metáfora pouco sutil para as fraturas emocionais que existem entre os membros da família. Ainda assim funciona porque a trama consegue dar tempo para compreendermos como a rigidez e as cobranças constantes da avó afetam as primas e tias de Mirabel. Estão todas e todos tão preocupados em corresponder às expectativas da avó que anulam seus próprios sentimentos e desejos.

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Reflexões Boêmias: 5 Canções de Sondheim

 Reflexões Boêmias: 5 Canções de Sondheim


Considero Stephen Sondheim um dos melhores e talvez o melhor compositor a trabalhar em musicais da Broadway. Responsável por peças como West Side Story, Gypsy, A Little Night Music, Sweeney Todd, Company ou Into The Woods, Sondheim compôs para alguns dos maiores espetáculos da Broadway, a maioria dos que foram citados aqui (que representam uma pequena parte da produção dele) inclusive foram adaptados para cinema com graus variáveis de sucesso. Sondheim nos deixou na última sexta-feira, 26 de novembro, aos 91 anos e deixa um legado imenso para a música, o teatro e o cinema.

Como uma pequena homenagem e celebração ao seu corpus de produção, resolvi falar um pouco das cinco canções dele que mais gosto. Deixo claro que faço essa lista com base em preferências pessoais mesmo, daquilo dele que mais me toca, me impacta. As escolhas também foram baseadas em músicas que servissem de amostra da versatilidade de Sondheim como compositor, que podia ir de composições simples a altamente complexas (em geral não é fácil cantar Sondheim). Em comum, no entanto, todas essas canções são excelentes em externar aquilo que os personagens sentem. Suas dores, suas dúvidas, seu júbilo e seu afeto. Muitas vezes tudo isso junto. Mesmo com a dor de termos perdido um compositor tão singular, encontro conforto em saber que carregarei as músicas dele comigo para sempre.

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Crítica – Tick, Tick...BOOM!

 

Análise Crítica – Tick, Tick...BOOM!

Review – Tick, Tick...BOOM!
Estreia de Lin Manuel Miranda como diretor, este Tick, Tick...BOOM! é uma biografia do compositor Jonathan Larson, responsável por Rent um dos musicais teatrais mais marcantes da década de 1990. Apesar de influente, Larson morreu jovem, antes da estreia de Rent e nunca viu o sucesso de seu trabalho.

A trama adapta o monólogo teatral homônimo escrito e protagonizado por Larson, com cenas do cotidiano do personagem mais ao estilo de uma biografia tradicional. A narrativa foca na tentativa de Larson (Andrew Garfield) em emplacar seu primeiro musical, Superbia, e a pressão que ele sente por estar prestes a fazer trinta anos e não ter encontrado o sucesso. Então acompanhamos o personagem em sua vida cotidiana com essas cenas intercaladas pelo personagem performando o espetáculo sobre esse período da vida dele, como se as cenas no teatro dessem ao espectador a perspectiva subjetiva do protagonista.

No papel seria um experimento interessante, com as cenas biográficas e as cenas do teatro dialogando constantemente. Uma oferecendo o universo interno e subjetivo do personagem e outra mostrando o universo externo a ele e como Larson se relacionava com as pessoas ao seu redor. Na prática, no entanto, as cenas biográficas tem pouco a fazer além de servir como mera ilustração ao monólogo teatral e musical do personagem. Ele diz algo no palco e entra uma cena ilustrando o que ele disse sem que essa cena ofereça ao espectador nenhuma nova informação em relação às cenas no palco.

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Crítica – Querido Evan Hansen

 

Análise Crítica – Querido Evan Hansen

Review – Querido Evan Hansen
Filmes musicais estão normalmente associados à comédia, mas é perfeitamente possível que o gênero trate de temas mais pesados como suicídio e saúde mental sem parecer que está suavizando a gravidade dessas questões. Querido Evan Hansen, adaptação de um musical da Broadway de mesmo nome, tenta abordar exatamente esses temas, mas tem alguns problemas.

Evan (Ben Platt) é um adolescente tímido que sofre de depressão e ansiedade. Para lidar com isso, seu terapeuta sugere que ele escreva cartas para si mesmo na tentativa de colocar para fora seus sentimentos. Um dia ele acidentalmente imprime uma dessas cartas na escola, que é encontrada por Connor (Colton Ryan) que acha que Evan estava zombando dele. Dias depois Connor se suicida e a carta de Evan é a única coisa encontrada com ele fazendo todos acreditarem que aquela era a carta de suicídio de Connor e que ele e Evan eram amigos. Confrontado pelos pais de Connor, Evan não consegue dizer a verdade e confirma a mentira, que vai ganhando grandes proporções conforme a história se espalha e ele passa a apreciar o fato de finalmente ser notado e ter amigos.

terça-feira, 7 de setembro de 2021

Crítica – Cinderela (2021)

 

Análise Crítica – Cinderela (2021)

Review – Cinderela (2021)
Esta nova versão de Cinderela soa como uma tentativa da Amazon de produzir um conteúdo semelhante ao da Disney (sendo que eles fizeram seu próprio Cinderela em live action em 2015), mas a produção estrelada por Camila Cabello não consegue sair da sombra da casa do Mickey. A trama até tem boas ideias, o problema é que a estrutura de musical contado a partir de números com novas versões de canções famosas não consegue ter personalidade suficiente para encantar.

Na trama, Ella (Camila Cabello) é uma jovem que sonha em se tornar estilista e vender vestidos por todo o mundo, mas seus sonhos vão de encontro à realidade do reino, no qual mulheres apenas servem para serem esposas e donas de casa. Ela é constantemente maltratada pela madrasta, Vivian (Idina Menzel), que deseja arrumar bons maridos para as duas filhas. Enquanto isso, o rei Rowan (Pierce Brosnan) quer que o filho, o príncipe Robert (Nicholas Galitzine) encontre uma esposa para que ele possa ser anunciado como o próximo rei.

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Crítica – A Jornada de Vivo

 

Análise Crítica – A Jornada de Vivo

Review – A Jornada de Vivo
Produzido pela Sony Animation e distribuído pela Netflix, A Jornada de Vivo é aquele tipo de animação infantil que tem a mesma trama que já vimos em dezenas de outros produtos similares. A produção, no entanto, charme o bastante para funcionar como uma diversão sem compromisso graças à energia de seus números musicais.

A narrativa é protagonizada pelo jupará Vivo (voz de Lin Manuel Miranda) que vive em Cuba com o músico Andrés e juntos fazem shows de rua. Quando Andrés morre depois de receber uma carta de seu antigo amor Marta (voz de Gloria Stefan) chamando-o para um show em Miami, Vivo decide ir para os Estados Unidos entregar a Marta a canção que Andrés compôs para ele. Para alcançar o seu destino, ele terá ajuda de Gabi, sobrinha-neta de Andrés que mora nos EUA e vem a Cuba com a mãe para o funeral de Andrés.

Vivo e Gabi fazem a típica dupla de opostos que não se dá bem, mas que juntos aprenderão a cooperar e perceberão que um tem muito a ensinar ao outro. É o tipo de dinâmica que já conseguimos deduzir com poucos minutos de projeção e cujos desdobramentos e reviravoltas são fáceis de antever.

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Rapsódias Revisitadas – Hedwig: Rock, Amor e Traição

 

Análise Crítica – Hedwig: Rock, Amor e Traição

Review Crítica – Hedwig: Rock, Amor e Traição
Quando foi lançado em 2001 Hedwig: Rock, Amor e Traição não foi exatamente um sucesso de público, mas com o passar do tempo foi ganhando seguidores e foi alçado ao status de cult, com fãs lotando sessões a meia-noite vestidos como os personagens. A popularidade da produção escrita, dirigida e estrelada por John Cameron Mitchell aumentou ainda mais graças à série Sex Education que tem um episódio da primeira temporada com os personagens indo para uma sessão do filme fantasiados como os personagens. A adoração ao filme não é sem motivos, já que ele conta com ótimas canções, personagens insólitos, senso de humor e um verdadeiro espírito punk.

A trama acompanha Hedwig (John Cameron Mitchell), cantora transgênero nascida na Alemanha Oriental e vocalista de uma banda de punk rock que está em turnê nos Estados Unidos. Em seus shows ela fala sobre sua trajetória e sobre o antigo amante que roubou suas músicas e agora faz sucesso como Tommy Gnosis (Michael Pitt).

quinta-feira, 24 de junho de 2021

Crítica – Em Um Bairro de Nova York

 Análise Crítica – Em Um Bairro de Nova York


Review – Em Um Bairro de Nova York
Fui conhecer o trabalho de Lin-Manuel Miranda como criador de musicais da Broadway no excelente Hamilton, peça que retratava a vida de Alexander Hamilton, primeiro ministro da fazenda dos EUA, como uma espécie de ópera rap protagonizada por elenco todo composto por negros, latinos e asiáticos. Antes de Hamilton, porém, Miranda já tinha feito outros musicais, um deles foi In The Heights, que foi adaptado para os cinemas neste Em Um Bairro de Nova York.

A trama é centrada em Usnavi (Anthony Ramos), um jovem filho de imigrantes dominicanos que tem uma pequena mercearia em Washington Heights na periferia de Nova York. Usnavi sonha em voltar para a República Dominicana, de onde partiu ainda bem pequeno enquanto que seus vizinhos também lidam com os sonhos e as dificuldades do local, especialmente com o aumento da especulação imobiliária que dá início a um processo de gentrificação do bairro.

É um exame afetuoso e enérgico do que significa ser um imigrante latino-americano ou caribenho nos Estados Unidos, celebrando a força e união dessa comunidade ao mesmo tempo em que reconhece as dificuldades experimentadas por um imigrante no país. De um lado há o olhar sobre o sonho de uma vida melhor, a crença de que em um novo país é possível tornar sonhos realidade e, ao mesmo tempo, se manter fiel às suas raízes. De outro há o reconhecimento dos Estados Unidos como um país racista, que trata imigrante como indivíduos de segunda categoria ou de maneira desumana. De uma política e estrutura de poder que existe para manter essas pessoas pobres e marginalizadas.

segunda-feira, 21 de junho de 2021

Rapsódias Revisitadas - O Que Se Move

 

Análise Crítica - O Que Se Move

Review - O Que Se Move
O filme musical é normalmente associado a histórias de romance e a um certo otimismo por conta das inúmeras produções do gênero na Hollywood clássica. Isso não significa que não existam musicais sobre histórias trágicas e dolorosas, Dançando no Escuro (2000), Lars Von Trier, é um bom exemplo disso, mas há poucos nessa seara. Este O Que Se Move, dirigido por Caetano Gotardo, de certa forma se encaixa nesse uso do formato musical para contar histórias de dor e perda.

Ele se divide em três histórias de mães que perderam seus filhos em circunstâncias bastante dolorosas. Na primeira história há um suicídio, na segunda um bebê é esquecido no carro e na terceira uma mãe reencontra o filho que tinha perdido há dezessete anos. São tramas marcadas por dores e afetos intensos movendo essas personagens e os números musicais ajudam a pontuar os sentimentos que atravessam esses indivíduos.

sexta-feira, 19 de março de 2021

Crítica – A Festa de Formatura

 Análise Crítica – A Festa de Formatura


O musical A Festa de Formatura narra a história de Emma (Jo Ellen Pellman), uma adolescente lésbica cuja associação de pais da escola em que ela estuda se recusa a fazer uma festa de formatura na qual ela possa ir com a namorada. Ao saberem da notícia, um grupo de fracassadas estrelas da Broadway decide partir a pequena cidadezinha na qual Emma vive para protestar contra a homofobia do caso e, além disso, se promoverem para retomarem as carreiras.

Tinha tudo para ser um musical vibrante e divertido com uma mensagem positiva de enfrentamento dos preconceitos. De certa forma, até é isso, mas também é demasiadamente arrastado, se alongando por desnecessárias duas horas e quinze com várias subtramas que apenas repetem as mesmas ideias do conflito principal envolvendo Emma. Lá pela marca de uma hora, quando a presidente da associação de pais, Sra. Greene (Kerry Washington), trapaceia na realização da formatura e deixa Emma sozinha na festa, imaginamos que o filme caminha para o seu clímax, com as estrelas da Broadway encabeçadas por Dee Dee Allen (Meryl Streep) organizando uma nova festa ou denunciando a Sra. Greene. Só que não, ainda há mais de uma hora de filme em que a trama se arrasta para chegar a esse ponto.

Boa parte dos problemas vem da necessidade da trama em dar a cada personagem uma subtrama só sua, sendo que muitas dessas histórias soam redundantes. A narrativa do ator Barry (James Corden) narrando como foi expulso de casa pela mãe por ser gay toca nas mesmas questões de homofobia da trama principal, por exemplo. Imagino que todas essas narrativas secundárias já estivessem presentes no musical teatral que deu origem ao filme, a questão é que nem tudo que funciona em um meio, funciona em outro.

O discurso contra a homofobia por vezes peca pelo excesso de didatismo, muitas vezes soando como uma videoaula na qual essas ideias são explicadas com pouca organicidade. Claro, em muitos momentos o filme lida bem com isso, em especial no conflito do relacionamento de Emma com a namorada, Shelby (Sofia Daler), que teme em sair do armário para a mãe. Há também a questão das variações bruscas de tom, com a narrativa muitas vezes saindo de uma cena envolvendo um drama sério sobre preconceito para um número musical alegre e exuberante, com essas transações por vezes soando abruptas.

O ponto alto, logicamente, são os números musicais. Repletos de cor, energia e exuberância, as canções retratam os sonhos românticos de Emma ou os desejos de grandeza dos astros da Broadway. As canções também trazem uma boa dose de humor, reconhecendo que o núcleo da Broadway está agindo mais por ego do que por crença, com Meryl Streep e Nicole Kidman vendendo muito bem a falta de noção e desespero por holofotes dessas personagens.

Eu queria ter gostado mais de A Festa de Formatura por causa de suas canções divertidas e elenco carismático, mas seu ritmo arrastado e excesso de subtramas atrapalham a experiência.

 

Nota: 6/10


Trailer

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Rapsódias Revisitadas – A Pequena Loja dos Horrores

Análise Crítica – A Pequena Loja dos Horrores

Review – A Pequena Loja dos Horrores

Lançado em 1986, A Pequena Loja dos Horrores não é exatamente um remake direto do filme homônimo feito em 1960 dirigido pelo lendário Roger Corman. Na verdade, a versão de 1986 é uma adaptação do musical da Broadway, sendo, também um musical. Essa mistura entre horror, comédia e musical é um dos elementos que torna o filme tão memorável e o transformou em cult.

Dirigido por Frank Oz (que faz a voz do Yoda na franquia Star Wars), o filme acompanha Seymour (Rick Moranis), um florista tímido e retraído cuja vida muda quando ele encontra uma estranha planta durante um eclipse. Apaixonado pela colega de trabalho, Audrey (Ellen Greene), Seymour nomeia a planta como Audrey II (voz de Levi Stubbs) e acredita que a estranha planta pode melhorar os negócios da dilapidada floricultura em que trabalha. O problema é que Audrey II precisa ser alimentada, com sangue fresco, o que causa problemas para Seymour.

Só pela sinopse já é possível perceber que são temas que se distanciam bastante do romantismo ingênuo no qual boa parte do musical clássico hollywoodiano se construiu ao longo das décadas de 1930 a 1960 e boa parte da graça do filme é exatamente o modo como brinca com essas convenções. Ver o sádico dentista Orin (Steve Martin) alegremente cantar sobre como adora causar dor aos seus pacientes diverte justamente pela oposição das melodias alegres com as letras e ações do personagem que fala sobre seu prazer em torturar as pessoas.

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Rapsódias Revisitadas – Uma Mulher é Uma Mulher

Resenha – Uma Mulher é Uma Mulher

Review – Uma Mulher é Uma Mulher
Dirigido por Jean-Luc Godard um ano depois de Acossado (1960), filme que o lançou em evidência no mundo todo, este Uma Mulher é Uma Mulher segue a tendência iconoclasta do diretor em brincar com as convenções dos gêneros hollywoodianos. Se em Acossado Godard jogava com a iconografia do noir, aqui Godard joga com os elementos típicos do filme musical.

Na trama, Angela (Anna Karina) é uma dançarina que sente o desejo de ter um filho, mas o namorado dela, Emile (Jean-Claude Brialy), está hesitante. Emile sugere que Angela tenha um filho com Alfred (Jean-Paul Belmondo), melhor amigo dela. Angela acaba achando a sugestão uma boa ideia e isso logicamente cria uma crise no relacionamento dos dois. Boa parte das razões pelas quais o filme é tão lembrado é pela direção iconoclasta de Godard, mas não se pode negar o carisma do trio principal, especialmente Anna Karina, envolvente e encantadora como Angela, convencendo de como sua personagem seria capaz de mobilizar a atenção dos homens ao seu redor.

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Crítica – Feel the Beat

Análise Crítica – Feel the Beat

Review – Feel the Beat
Feel the Beat, produção original da Netflix, tem uma trama bem presa a lugares-comuns. Apresenta uma narrativa sobre uma jovem que perde sua grande chance na Broadway e acaba voltando para sua cidade natal no interior e precisa reconstruir a vida. Já vimos inúmeros filmes com premissas parecidas e Feel the Beat não sai muito do traçado desse tipo de filme.

Na trama, April (Sofia Carson) é uma jovem dançarina com aspirações de fazer sucesso na Broadway. Depois de um mal entendido com uma poderosa diretora, April vê sua carreira acabar praticamente antes de começar. Sem chances, ela retorna a sua cidade natal. Uma chance de retornar à dança aparece quando sua antiga professora de dança, Barb (Donna Lynn Champlin, a Paula de Crazy Ex-Girlfriend), que a chama para ajudar o estúdio de dança em uma competição nacional. Assim, April tentará usar a competição para ganhar notoriedade e retornar a Broadway, mas as desajustadas alunas de Barb podem dar mais trabalho do ela esperava.

É claro que ao longo da competição ela irá aprender com as alunas a ser mais humilde e as alunas aprenderam a importância da dança. É evidente que terão uma escola rival composta por esnobes com técnica impecável, mas sem o coração das alunas desajustadas de April. É lógico que no clímax April terá que escolher entre o sucesso na Broadway que tanto almeja e a lealdade a suas alunas. É tudo extremamente previsível, mas, ainda assim, o filme consegue envolver graças ao carisma do elenco.