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sexta-feira, 10 de abril de 2020

Lixo Extraordinário – Tubarão 4: A Vingança


Crítica - Tubarão 4: A Vingança


Review Crítica - Tubarão 4: A VingançaApesar de ter visto Tubarão (1975) inúmeras vezes, nunca tive interesse em ver nenhuma das muitas continuações que o filme recebeu, nenhuma delas contando com a direção de Steven Spielberg, que comandou o original. Nos últimos anos, no entanto, comecei a ver Tubarão 4: A Vingança aparecendo em muitas listas de piores filmes de todos os tempos, inclusive no infame ranking dos 100 filmes com notas mais baixas no IMDb, então isso ativou minha curiosidade mórbida e achei que poderia ser uma boa pauta para essa coluna. Fui assistir sem ver qualquer outra das continuações, então se há algum detalhe ou referência ao segundo ou terceiro filme, não sei dizer.

Na trama, Ellen Brody (Lorraine Gary), a viúva do xerife Brody (Roy Scheider), protagonista do primeiro filme, começa a ter sonhos envolvendo um tubarão e teoriza que um tubarão está vindo para atacar ela e os filhos como vingança por Brody ter matado o tubarão do primeiro filme. O sentimento dela ganha força quando o filho mais novo é morto por um tubarão ao realizar reparos marítimos na costa de sua cidade. Ellen então avisa o filho mais velho, que trabalha nas Bahamas como biólogo marinho, para ter cuidado e viaja até a morada do filho para ficar de olho nele. Logicamente, um tubarão, o mesmo que teria matado o filho mais novo, aparece nas Bahamas.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Lixo Extraordinário – O VelociPastor

Crítica - O VelociPastor


Review - The VelociPastor
O diretor Brendan Steere primeiro pensou na ideia deste O VelociPastor ainda quando fazia faculdade de cinema e durante o curso chegou a fazer um trailer para o filme que ainda não existia. Foi só em 2017 quando ele conseguiu um financiamento de 35 mil dólares que finalmente conseguiu transformar sua ideia em um longa-metragem e o resultado é tão tosco e exagerado que se torna muito divertido.

Na trama, Doug (Greg Cohan) é um pastor protestante que viaja para a China depois que seus pais são assassinados. Durante a viagem Doug se corta com um fóssil e ganha a habilidade de se transformar em um velociraptor. De volta aos Estados Unidos, ele se transforma pela primeira vez quando vê a prostituta Carol (Alyssa Kempinski) sendo assaltada em um parque e decide usar seus poderes para ajudar as pessoas. Sua jornada de combate ao crime, no entanto, irá colocá-lo em rota de colisão com uma gangue de ninjas traficantes de drogas.

O filme é claramente feito para ser tosco, sem sentido e exagerado, criando cenas e diálogos que não soam coerentes com qualquer conduta humana básica. Um exemplo é quando Doug conversa com um superior sobre a morte dos pais (logo depois de vê-los morrer, por sinal) e ouve como resposta a frase “é isso que pais fazem, eles morrem”. Outro momento de puro nonsense é quando Doug está na China e encontra uma mulher caída com uma flecha atravessada no peito e pergunta se ela está machucada, como se a flecha e a poça de sangue no qual a jovem está caída não fossem indicativos suficientes.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Lixo Extraordinário – A Escala: Amizade em Segundo Lugar

Análise Crítica – A Escala: Amizade em Segundo Lugar


Review – A Escala: Amizade em Segundo Lugar
William H. Macy é um ótimo ator e trabalhou em alguns de meus filmes favoritos como Fargo (1996) Boogie Nights (1997), Magnólia (1999) ou O Quarto de Jack (2015), então fiquei curioso quando soube que ele ia fazer sua estreia como diretor com a comédia A Escala: Amizade em Segundo Lugar.

Os primeiros trailers saíram e meu interesse foi diminuindo, já que parecia ser sobre duas amigas largando tudo para disputar um homem. O tipo de premissa tão anacrônica e machista que não fazia sentido em 2017 (quando o filme foi lançado) ao ponto em que comecei a pensar que havia algo mais, Macy poderia estar fazendo um filme irônico ou que seria capaz de virar a premissa em cima dela mesma e mostrar o quanto esse tipo de olhar sobre as mulheres é datado. Mas não, o filme é mesmo sobre mulheres se tornando rivais e literalmente fazendo piruetas para o prazer visual de um homem.

Na trama Kate (Alexandra Daddario) e Meg (Kate Upton) dividem um apartamento e são amigas desde o colégio. Quando as duas sentem que suas vidas não estão indo pelo caminho que desejam, decidem viajar para espairecer. No voo as duas conhecem Ryan (Matt Barr) e imediatamente tentam conquistá-lo. Quando um furacão impedem que aterrissem no destino planejado e a companhia aérea decide colocar todos os passageiros em um hotel de luxo, Kate e Meg decidem fazer qualquer coisa para ficar com Ryan.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Lixo Extraordinário – A Invasão das Rãs


Crítica – A Invasão das Rãs


Resenha Crítica – A Invasão das RãsLançado em 1972, A Invasão das Rãs é um dos maiores casos de propaganda enganosa do cinema. É um filme de terror cujo título menciona rãs (e o título em inglês é apenas Frogs, ou seja, sapos) e o pôster traz a imagem de um sapo com o que parece ser um braço humano saindo de sua boca. Isso dá a entender que veremos algo com sapos gigantes devorando pessoas, algo similar a A Noite dos Coelhos (1972), mas com sapos. Essa assunção, no entanto, se mostra completamente equivocada quando assistimos ao filme. Não só não existem gigantes na trama, todos são do tamanho normal de um sapo, como eles não matam ninguém.


A trama começa com o fotógrafo Pickett Smith (Sam Eliott) navegando de barco a remo por um pântano enquanto captura imagens das espécies que ali vivem e da poluição que chega ao ambiente. Pickett é derrubado de seu pequeno barco quando um casal de ricaços em uma lancha motorizada passam por ele em alta velocidade. Para se desculpar, os dois chamam Pickett para a ilha da família, próxima dali, na qual estão comemorando o aniversário de um de seus parentes.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Lixo Extraordinário – Contato de Risco


Crítica – Contato de Risco


Review - Gigli
Vocês podem não lembrar, mas em dado momento no início dos anos 2000 o ator Ben Affleck e a cantora Jennifer Lopez formaram um casal. Para surfar na onda de popularidade do casal de celebridades foi feito este Contato de Risco, filme que colocava Affleck e Lopez como par romântico, esperando que os fãs que acompanhavam o casal nos tabloides fossem também pagar para assisti-los nos cinemas, o que acabou não acontecendo.

Contato de Risco foi um imenso fracasso de crítica e público, constantemente figurando entre os cem filmes mais mal avaliados do agregador IMDb e tendo sido indicado a nove Framboesas de Ouro na época de seu lançamento,  vencendo cinco, incluindo pior filme. As carreiras de Affleck e Lopez conseguiram se recuperar do retumbante fracasso, mas o diretor Martin Brest, responsável pelo primeiro Um Tira da Pesada (1984) e Perfume de Mulher (1992), nunca mais dirigiu um longa-metragem em Hollywood.

A trama acompanha Larry Gigli (Ben Affleck), um gangster de baixo escalão que recebe a missão de sequestrar Brian (Justin Bartha), o irmão deficiente mental de um poderoso promotor federal. A misteriosa Ricki (Jennifer Lopez) é contratada para ajudar Gigli a manter Brian sob controle, mas Ricki e Gigli não se entendem muito bem, embora seja óbvio que ambos vão acabar juntos.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Lixo Extraordinário – Palhaços Assassinos do Espaço Sideral


Crítica – Palhaços Assassinos do Espaço Sideral


Review – Palhaços Assassinos do Espaço Sideral
Lançado em 1988, Palhaços Assassinos do Espaço Sideral parece, no papel, uma mistura ideal entre terror e humor. Na prática, no entanto, o resultado final carece tanto de criatividade no humor quanto de violência e gore para funcionar como deveria em qualquer uma dessas duas frentes.

Na trama, o casal Mike (Grant Cramer) e Debbie (Suzanne Snyder) está trocando beijos na floresta quando veem um cometa passar no céu. Eles tentam seguir o cometa até o lugar onde ele caiu, mas quando chegam no que deveria ser o ponto de impacto, encontram apenas uma estranha tenda circense. O casal decide entrar na tenda e descobrem se tratar de uma nave espacial habitada por criaturas que se parecem com palhaços. Os palhaços tentam matá-los e eles fogem para a cidade, mas os alienígenas seguem o casal e começam a aterrorizar os habitantes do local.

Como em muitos filmes de terror, os protagonistas se comportam como completos idiotas na maior parte do tempo. Mike e Debbie, por exemplo, entram sem qualquer cerimônia no estranho circo abandonado no meio do mato. Em outro momento dois personagens se recusam a deixar o furgão em que estão mesmo quando um palhaço assassino gigante está correndo na direção deles só pelo motivo do automóvel ser alugado. Porque, claro, pagar o prejuízo seria muito pior que morrer.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Lixo Extraordinário – Dragonball Evolution


Análise Crítica - Dragonball Evolution


Review - Dragonball Evolution
O cinema hollywoodiano não é exatamente gentil com os animes japoneses. Adaptações feitas nos Estados Unidos constantemente rendem produtos que variam entre o fraco, como Alita: Anjo de Combate (2019), A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell (2017); o ruim, como Death Note (2017), e o péssimo, a exemplo deste Dragonball Evolution.
                       
Muitos reclamam do quanto Dragonball Evolution é distante do mangá e do anime, mas a falta de fidelidade visual até seria perdoável se o filme fosse capaz de criar uma trama que fosse interessante ou personagens com algum carisma, mas não é o caso. A narrativa, tal como no anime, parte da premissa da busca pelas Esferas do Dragão, que concederia um desejo a quem as reunisse. Aqui, no entanto, a mitologia é construída de maneira confusa, envolvendo o retorno do Rei Piccolo (James Marsters) e uma profecia sobre o Oozaru e mais uma série de outros elementos que tornam o que era uma narrativa relativamente simples em algo mais bagunçado do que deveria.

Os personagens não eram exatamente poços de complexidade no anime, mas nem tudo que funciona em uma animação, funciona em live action, e aqui todos os personagens, de Goku (Justin Chatwin) ao mestre Kame (Chow Yun Fat), soam como caricaturas grosseiras, inclusive em relação às suas versões do anime e do mangá. O humor que era característico de Dragon Ball é substituído aqui por piadas que mais envergonham do que fazem rir. A única personagem com um mínimo de carisma acaba sendo a Bulma interpretada por Emmy Rossum. Claro, ainda seria possível fazer esses personagens funcionarem se o texto fosse capaz de injetar algum calor humano ou empatia neles, como fizeram as Wachowskis no subestimado Speed Racer (2008), no qual mesmo os personagens sendo rasos é possível perceber um sentimento verdadeiro neles, o que facilita a empatia.

terça-feira, 2 de julho de 2019

Lixo Extraordinário – A Noite dos Coelhos

Crítica – A Noite dos Coelhos


Resenha – A Noite dos Coelhos
Lançado em 1972, A Noite dos Coelhos é um daqueles filmes que tem uma premissa tão absurda, com coelhos gigantes atacando uma pequena cidade, que imediatamente imaginamos que não irá se levar a sério. É o tipo de coisa que poderia render uma podreira bem divertida se abraçasse a natureza absurda de sua trama, mas cai no erro de tentar ser um terror “sério” e como resultado acaba sendo aborrecido.

Na trama, a uma pequena cidade no interior dos Estados Unidos está sofrendo com uma infestação de coelhos. Depois que todos os coiotes da região foram eliminados, os coelhos se reproduziram descontroladamente e se tornaram uma praga, devorando as plantações locais. O fazendeiro Cole (Rory Calhoun) pede ajuda ao reitor da universidade local, Elgin (DeForest Kelley, o Dr. McCoy da série clássica de Star Trek).

O reitor designa o casal Roy (Stuart Whitman) e Gerry Bennet (Janet Leigh, que protagonizou Psicose) para desenvolver uma meio de eliminar os coelhos sem usar venenos. Eles tentam uma terapia hormonal para deixar os coelhos inférteis, injetando neles um coquetel de hormônios e drogas, mas a filha deles acaba pegando o coelho usado como cobaia e o leva consigo, acidentalmente deixando o animal escapar logo depois. Poucos meses depois, moradores da cidade começam a ser mortos em uma antiga mina de ouro e os personagens descobrem que o coelho que escapou não só se tornou imenso, como se multiplicou, criando uma horda de coelhos gigantes prestes a atacar a cidade.

terça-feira, 4 de junho de 2019

Lixo Extraordinário – O Filho do Máskara

Análise – O Filho do Máskara


Review – O Filho do Máskara
O Máskara (1994) foi responsável para apresentar ao mundo o talento cômico de Jim Carrey com um senso de humor energético e que remetia a antigos desenhos dos Looney Tunes. Por muito tempo se especulou uma continuação e ela só aconteceu pouco mais de dez anos depois, já sem Carrey atrelado ao projeto, neste horrendo O Filho do Máskara, lançado em 2005.

O primeiro filme se apoiava quase que inteiramente na comédia corporal de Carrey e sua energia anárquica, então sem ele o que sobra? A resposta é: praticamente nada. A trama desta continuação é centrada em Tim (Jamie Kennedy), um desenhista atrapalhado que acaba encontrando a máscara do deus nórdico Loki (Alan Cumming) por acidente. Um dia, usando a máscara, Tim vai para cama com a esposa, Tonya (Traylor Howard), e seu filho nasce com os poderes da máscara. Isso os coloca na mira de Loki, que está em busca da máscara a mando do pai, o deus Odin (Bob Hoskins), e vê no bebê uma ameaça.

De cara já é difícil de simpatizar com Tim, apresentado como um completo idiota infantilizado incapaz de fazer qualquer coisa sozinho e que trata a esposa quase como uma mãe que precisa fazer tudo para ele. Não há uma característica que o redima, não há uma razão para torcer por ele, tampouco ele é particularmente engraçado, se limitando a fazer cara de abestalhado diante das ações alopradas do filho e do cachorro, que está usando a máscara.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Lixo Extraordinário – Eu Sei Quem Me Matou

Análise Crítica - Eu Sei Quem Me Matou


Review - Eu Sei Quem Me Matou
Estrelado por Lindsay Lohan, Eu Sei Quem Me Matou (2007) é um dos maiores vencedores do Framboesa de Ouro, premiação que celebra os piores filmes, ao lado de porcarias como A Reconquista (2000) e Cada Um Tem a Gêmea Que Merece (2011). Na verdade, Eu Sei Quem Me Matou superou o recorde de sete "prêmios" de A Reconquista, vencendo oito Framboesas.

A trama acompanha Audrey (Lindsay Lohan), uma jovem pianista e escritora com uma carreira promissora pela frente. Tudo muda quando Audrey é misteriosamente sequestrada por um serial killer que está mutilando mulheres na cidade. Audrey é aparentemente encontrada dias depois, caída no meio da estrada sem um braço e uma perna. Acordando no hospital, no entanto, a garota diz não ser Audrey, mas uma stripper chamada Dakota. Como os exames de DNA são iguais aos de Audrey e a polícia encontra contos no computador de Audrey com uma personagem com esse nome, a polícia simplesmente supõe que Dakota é uma personalidade alternativa criada por Audrey para lidar com o trauma, mas Dakota vai demonstrando ser muito mais que isso.

terça-feira, 5 de março de 2019

Lixo Extraordinário – O Mestre do Disfarce


Crítica – O Mestre do Disfarce


Review Lixo Extraordinário – O Mestre do Disfarce
O comediante Dana Carvey se tornou famoso na década de oitenta por conta de seu trabalho no humorístico Saturday Night Live e seu talento para imitações, em especial o modo como imitava o então presidente George H. W. Bush. A fama nos cinemas veio pouco depois quando estrelou ao lado de Mike Myers em Quanto Mais Idiota Melhor (1992) como o headbanger Garth.

Tudo parecia certo de que Carvey se tornaria um comediante tão famoso quanto outros colegas de sua época no SNL como Adam Sandler, Chris Rock ou o próprio Mike Myers, mas um sério problema cardíaco em 1997 o fez diminuir o ritmo. Este O Mestre do Disfarce, escrito pelo próprio Carvey, foi lançado em 2002 com o intuito de retomar sua carreira e relançá-lo ao estrelato, mas foi (merecidamente) um fracasso e Carvey nunca protagonizou outro longa-metragem desde então.

A trama é centrada em Pistachio Disguisey (Dana Carvey) um garçom nova-iorquino de origem italiana que descobre que seu pai, Fabbrizio (James Brolin), secretamente combatia o crime como um “Mestre do Disfarce”, alguém que é capaz de assumir a aparência e voz de qualquer um. Quando Fabbrizio e a mãe de Pistachio (que não tem nome) são sequestrados pelo vilão Devlin Bowman, o protagonista precisará dominar as habilidades de sua família para resgatá-los. Para isso, contará com a ajuda do avô e da assistente, Jennifer (Jennifer Esposito).

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Lixo Extraordinário – O Sacrifício


Resenha  – O Sacrifício


Review  – O SacrifícioEm termos de produção, O Sacrifício é o melhor filme tratado até agora nessa coluna, já que é realmente um filme feito com orçamento profissional, diretor e elenco conhecidos e um relativo esmero na construção de sua atmosfera (A Reconquista até tinha atores conhecidos, mas sua produção era tosquíssima e parecia um seriado da década de 60). Ter uma boa produção, no entanto, não impediu que este filme acabasse sendo muito ruim. Felizmente ele é daquele tipo de filme ruim que constantemente descamba para a comédia involuntária e com isso se torna divertidíssimo de assistir.

O Sacrifício é um remake do clássico cult britânico O Homem de Palha (1973), embora não chegue aos pés do original. A trama é centrada em Edward (Nicolas Cage), um policial que um dia recebe uma carta de Willow (Kate Beahan), uma antiga ex-namorada pedindo ajuda para encontrar a filha perdida. Willow mora em uma isolada ilha na costa do Pacífico e diz que alguém da pequena comunidade deve ter sequestrado a filha dela. Assim, Edward viaja até a ilha e aos poucos percebe os segredos sombrios da pequena comunidade.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Lixo Extraordinário – Salvando o Natal


Crítica – Salvando o Natal


Review - Saving Christmas
Estrelado pelo ex-ator mirim Kirk Cameron, famoso em sua juventude por conta da série Tudo em Família e que hoje se tornou uma espécie de televangelista, este Salvando o Natal promete em seu pôster “trazer Cristo de volta ao Natal”. Imaginei que com isso o filme quisesse criticar o consumismo das festas natalinas e resgatar a essência da fé cristã que se perdeu nas comemorações da festa. Eu estava errado, eu estava muito, muito errado. O que ele apresenta é uma visão delirante e equivocada sobre os significados da festa, mas nem é só isso que o torna abominável.

O filme abre com Kirk sentado diante de uma poltrona falando sobre as festas natalinas e logo após uma breve fala sobre o Natal ser uma época de caridade e oração ele mostra o real intento do filme, entregando um longo discurso sobre como as comemorações natalinas estariam “sob ataque” ou sendo ameaçadas por pessoas que não gostam ou não entendem o significado das festas.

Ora, os Estados Unidos são uma nação formada por puritanos cristãos, as notas de dólar trazem a mensagem “in God we trust” (em Deus confiamos) escrita nelas, o juramento à bandeira menciona o fato do país ser “uma nação sob Deus, indivisível”, e assim é difícil comprar a ideia de que o cristianismo é de algum modo um grupo perseguido. Cristãos são um grupo social hegemônico, que determina padrões e normas, tanto lá quanto aqui no Brasil. Desta forma, tentar argumentar sobre perseguição é uma dissonância cognitiva com a realidade ou pura desonestidade intelectual, mesmo se considerarmos que está havendo uma perda de hegemonia, já que isso seria muito diferente de ser perseguido ou intimidado.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Lixo Extraordinário – Na Onda do Rap


Crítica - Na Onda do Rap


Review Cool as IceQuando foi lançado em 1991, Na Onda do Rap era vendido como uma nova versão do filme O Selvagem (1953) colocando Rob Van Winkle no papel que foi tornado célebre por Marlon Brando. Não sabe quem é Van Winkle? Talvez vocês o conheçam melhor por seu nome artístico, o rapper Vanilla Ice. O quê? Não sabem quem é Vanilla Ice? Bem, ele foi famoso por um tempo na década de noventa graças à canção Ice Ice Baby. Vocês também não conhecem essa música? Não os culpo, é uma canção famosa principalmente pela batida, que na verdade é um sample das batidas iniciais da música Under Pressure do Queen.

De todo modo, os responsáveis por este filme acharam uma boa ideia chamar um rapper famoso por uma única música cujo principal mérito artístico pertencia a uma outra canção para fazer um papel que Marlon Brando tornou icônico e lógico que isso dá muito errado. Sim, imagino que o objetivo era promover o cantor e lucrar em cima da imagem dele, colocando-o como um galã rebelde, mas primeiro deveriam ter se certificado se Ice era realmente capaz de convencer dessa imagem. 

Além do filme ter sido um fracasso de público e crítica, a mudança dos paradigmas culturais, com o lançamento do disco Nevermind do Nirvana cerca um mês antes de Na Onda do Rap chegar aos cinemas colocando o grunge rock como a próxima grande onda, garantiram que Ice caísse no ostracismo. Ocasionalmente ele tenta retornar aos holofotes através de participações em reality shows e pontas nos filmes do Adam Sandler (como Esse é Meu Garoto), mas Vanilla Ice nunca chegou perto de recuperar a fama de outrora.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Lixo Extraordinário – A Guerra das Comidas


Análise Crítica – A Guerra das Comidas


Review - Foodfight!
Eu já assisti muitos filmes incrivelmente ruins nessa coluna, mas nenhum foi tão difícil de assistir quanto este A Guerra das Comidas, que muitas vezes aparece em listas de piores animações de todos os tempos. O filme teve uma produção conturbada e levou quase treze anos até ficar pronto.

A produção


O projeto começou em 1999, uma época em que longas animados com personagens tridimensionais ainda estavam dando seus primeiros passos (Toy Story saiu em 1995), visando um lançamento em 2003. O lançamento foi adiado quando os HDs contendo o material foram supostamente roubados no que o diretor Lawrence Kasanoff chamou de ato de “espionagem industrial”. Sério, o diretor alega que o sumiço do material foi um crime perpetrado por concorrentes (que ele nunca nomeou). Porque alguém roubaria uma pequena produtora e não Pixar, por exemplo, está além da minha compreensão.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Lixo Extraordinário – Miami Connection


Crítica – Miami Connection


Resenha – Miami Connection
Miami Connection é daqueles filmes que é tão ruim, tão sem sentido que acaba se tornando divertido de assistir. Se houvesse um mínimo de qualidade seria algo genérico, esquecível e sem personalidade, mas é a ruindade que o torna memorável.

A trama foca nos integrantes da banda Dragon Sound, que são liderados por Mark (Y.K Kim) e praticam Tae-Kwon-Do nas horas vagas. Um dos integrantes da banda, John (Vincent Hirsch), se envolve com Jane (Kathy Collier), a irmã de Jeff (William Ergle), líder de uma gangue de motoqueiros que trabalha junto com uma gangue de ninjas para traficar cocaína na cidade. Jeff decide que a banda é uma ameaça e resolve eliminá-los.

Se vocês leram o parágrafo acima com atenção, perceberão que há um salto lógico enorme na sequência de eventos. Qual a razão de Jeff considerar a banda uma ameaça ao tráfico? Eles são só uma banda que canta sobre amizade e acreditar nos próprios sonhos, nada do que eles fazem representa uma ameaça para os negócios ou para Jane (na verdade, o fato de Jeff ser um traficante tem mais potencial para por Jane em risco do que a banda). Ah, você exclama, mas será que não é pelo risco da irmã contar para eles sobre as atividades de Jeff? Bem, não, porque a Jane deixa claro em seus diálogos que não sabe no que o irmão está envolvido, apenas que são coisas sombrias. Então qual o motivo de Jeff querer tanto eliminar a banda? Bem, não há um além da necessidade disso acontecer para mover a trama para frente.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Lixo Extraordinário – Manos: As Mãos do Destino




Ao longo desta coluna, eu analisei muitos filmes com alto grau de incompetência técnica. Muitos deles acabavam se tornando divertidos como The Room (2003) ou Samurai Cop (1991), mas este Manos: As Mãos do Destino é talvez o mais incompetente que eu já analisei e o pior é que não consegue nem provocar risos.

Feito em 1966 por Harold P. Warren, que escreveu, dirigiu e protagonizou, a trama acompanha uma família de férias que se perde durante sua viagem para o interior do Texas e acaba indo parar em uma casa habitada por um sinistro culto pagão liderado pelo sombrio Mestre (Tom Neyman). Warren, um vendedor de seguros e fertilizantes sem experiência prévia com cinema, supostamente realizou Manos depois de fazer uma aposta com um amigo que era muito fácil fazer um filme de terror. O resultado, no entanto, mostra que ele estava completamente enganado.

O primeiro problema a se notar é o som. As falas dos personagens foram claramente redubladas em pós-produção e tudo foi mixado bem fora de sincronia. Já nos primeiros diálogos é possível perceber que os sons não acompanham os movimentos da boca dos personagens e, talvez por isso, o filme corte abruptamente durante os diálogos para planos das costas das pessoas ou outras imagens nada a ver com o intuito de disfarçar sua assincronia. A música usada soa inadequada em muitos momentos, já que o jazz suave se mostra deslocado da atmosfera de tensão que a trama tenta criar, sendo muito esquisito escutar uma música tão relaxada enquanto o título do filme aparece soturnamente na tela.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Lixo Extraordinário – Birdemic: Shock and Terror


Análise - Birdemic: Shock and Terror


Resenha - Birdemic: Shock and Terror
Eu já falei de muitos filmes ruins, mas é bem possível que nenhum até agora consiga ser tão técnica e artisticamente mal concebido quanto o pavoroso Birdemic: Shock and Terror. Se você sempre quis saber como seria Os Pássaros (1963) se Alfred Hitchcock fosse totalmente incompetente, esse filme oferece uma resposta para essa pergunta.

A trama é centrada em Rod (Alan Bagh), um jovem vendedor de software que acabou de fechar um grande contrato e está prestes a abrir sua própria empresa. Ele conhece a jovem modelo Nathalie (Whitney Moore) e ambos se apaixonam, mas o romance dos dois é interrompido quando os pássaros começam a atacar os seres humanos.

A primeira coisa que chama a atenção é a total falta de ritmo da montagem e quase ausência de decupagem das cenas. A maioria dos planos se alonga mais do que deveria sobre os rostos dos personagens e fachadas de prédios, com o filme demorando alguns segundos para cortar mesmo depois das conversas entre os personagens já terem terminado. O melhor exemplo de como o filme não tem a menor noção de decupagem ou como usar a montagem para conferir ritmo e dar andamento à trama deve ser a sequência que vemos Rod ir trabalhar. Normalmente um filme nos mostra um personagem saindo de casa e já corta para uma imagem dele chegando em seu local de trabalho, afinal, se nada relevante para a trama ou desenvolvimento do personagem acontece no trajeto, não há razão para gastar tempo e dinheiro filmando cenas que não irão servir para nada.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Lixo Extraordinário – United Passions


Análise Crítica - United Passions


Review - United Passions
Centrado na história da FIFA, a federação internacional de futebol, este United Passions é um daqueles filmes que estará sempre cercado de infâmia. Parte disso porque ele já entrou para a história como uma das menores bilheterias de todos os tempos, tendo arrecadado apenas cerca de 600 dólares em seu final de semana de estreia e saído de cartaz depois de uma semana sendo exibido em apenas um cinema nos Estados Unidos. Outra parte das razões dele ser tão infame diz respeito ao momento de seu lançamento, meros dias antes de Joseph Blatter (um dos personagens principais do filme) e outros membros da alta cúpula da FIFA terem sido presos ou indiciados por desvios de dinheiro, aceitar subornos e outros crimes, praticamente destruindo qualquer interesse do público em conferir um filme que retrata esses cartolas do futebol como heróis virtuosos. Por fim, a terceira razão pela qual United Passions viverá sempre em infâmia é que ele é muito, muito, mas muito ruim, dolorosa e excruciantemente ruim, desgraçadamente ruim e mesmo que tivesse sido lançado em um momento menos prejudicial para sua imagem ainda assim teria sido execrado.

A trama acompanha a trajetória da FIFA e segue seus três principais diretores: Jules Rimet (Gerard Depardieu), João Havelange (Sam Neill) e Joseph “Sepp” Blatter (Tim Roth). Era de se imaginar que um filme sobre a maior federação de futebol do mundo fosse falar da importância do esporte, do que torna o futebol especial, que tentasse entender as razões pelo esporte despertar tantas paixões e unir tantas pessoas ao redor dele, mas nada disso parece interessar à narrativa.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Lixo Extraordinário - A Reconquista


Análise A Reconquista


Review A Reconquista
Quando foi lançado em 2000, A Reconquista quebrou recordes ao se tornar o maior vencedor do Framboesa de Ouro até então, vencendo em sete categorias incluindo pior filme, pior diretor e pior roteiro. O "feito" alcançado pelo filme foi posteriormente superado por Eu Sei Quem Me Matou (2007), que ganhou oito, e Cada Um Tem a Gêmea Que Merece (2010), que ganhou dez, mas ainda assim A Reconquista entrou para a história como um dos piores filmes de todos os tempos. Inclusive o próprio Framboesa de Ouro "agraciou" A Reconquista com o prêmio especial de pior filme da década em 2010.

A película é baseada em um livro de L. Ron Hubbard, fundador da Cientologia, seita da qual John Travolta, que atuou e produziu este filme, faz parte. A trama se passa no ano 3000. A terra foi conquistada pelos Psychlos, uma raça de humanoides de mais de dois metros de altura que desde então mineira o ouro do nosso planeta. A raça humana foi quase inteiramente dizimada e os poucos sobreviventes são caçados e escravizados pelos alienígenas. Terl (John Travolta) é o Psychlo responsável pela segurança das operações de mineração no nosso planeta, ele odeia a Terra e não vê a hora de ir embora, mas um ato de insubordinação o faz ser "condenado" por seus superiores a continuar trabalhando na Terra indefinidamente. Frustrado, Terl bola um plano para enriquecer aos custos da companhia de mineração. Ao descobrir uma reserva de ouro intocada, ele resolve treinar humanos a usar o maquinário alienígena para minerar em segredo e ficar com todo ouro para si.