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segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Crítica – Lovecraft Country (Parte 1)

Análise Crítica – Lovecraft Country (Parte 1)


Review – Lovecraft Country (Parte 1)
Adaptando o livro Território Lovecraft de Matt Ruff, a série Lovecraft Country traz uma releitura da mitologia criada pelo autor H.P Lovecraft, bem como de vários outros elementos típicos do terror e da fantasia, a partir das experiências da população negra dos Estados Unidos. É um movimento importante não apenas por questões de representatividade, mas por tentar responder a questão do que fazemos com as obras de autores que sabemos terem sido péssimas pessoas?

Lovecraft era racista. Quando digo isso não quero dizer que ele apenas aderia ao racismo estrutural de sua época como a maioria das pessoas brancas que lhe eram contemporâneas. Lovecraft era ativamente racista, adepto a um discurso de supremacia branca que ia muito além do racismo estrutural. Nesse sentido, reapropriar a obra dele a partir da cultura e da vivência negras é um modo de revelar como a obra pode ir além do autor, pode sobreviver às limitações e falhas dele, pode até ser usada para tentar reparar a visão de mundo excludente e preconceituosa que esse autor ajudou a disseminar.

A trama da série se passa nos Estados Unidos da década de 50 e é focada em Atticus (Jonathan Majors), também chamado de Tic. Quando o pai de Tic, Montrose (Michael K. Williams), desaparece misteriosamente ele, a amiga Leti (Jurnee Smolett) e o tio George (Courtney B. Vance) embarcam em uma viagem pelo interior dos EUA. A viagem os colocará em rota de colisão com um antigo e poderoso culto, além de revelar segredos a respeito da família de Tic.

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Crítica – A Cor que Caiu do Espaço

Análise Crítica – A Cor que Caiu do Espaço


Review – A Cor que Caiu do Espaço
Dos mesmos produtores do excelente Mandy: Sede de Vingança (2018) e baseado em um conto de H.P Lovecraft, este A Cor que Caiu do Espaço traz a bizarrice e o temor do desconhecido que são típicos das obras do escritor. Por outro lado, os personagens em si parecem não existir para qualquer outra coisa que além de serem submetidos à situação apresentada e assim não nos envolvemos com a situação como deveríamos. 

A narrativa é centrada na família liderada por Nathan (Nicolas Cage), que vive em uma propriedade isolada na floresta da fictícia cidade de Arkham. Quando um estranho meteorito cai na propriedade, fenômenos e criaturas estranhas começam a acontecer, posando uma ameaça para a família e também para o resto da cidade.

A trama começa sem pressa, apresentando o cotidiano pacato da família, aos poucos vai apresentando eventos estranhos, que nos fazem suspeitar que algo está errado, até que tudo explode numa ameaça explicita. Esse clima de tensão e estranhamento é o principal mérito do longa, ampliado principalmente pela direção de arte.

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Crítica – Cursed: A Lenda do Lago

Análise Crítica – Cursed: A Lenda do Lago

Review – Cursed: A Lenda do Lago
As histórias sobre o Rei Arthur, a espada Excalibur e outros elementos de sua mitologia já foram contadas e recontadas inúmeras vezes sob diferentes perspectivas. Este Cursed: A Lenda do Lago tenta olhar a lenda arturiana sob a perspectiva feminina, algo que não é exatamente novidade, já que As Brumas de Avalon (tanto o livro quanto a minissérie) fizeram isso décadas atrás. Baseado em um romance escrito por Tom Wheeler e Frank Miller, este Cursed: A Lenda do Lago tenta recontar as origens dos personagens arturianos centrando sua história em Nimue, que posteriormente se tornaria A Dama do Lago, figura que guardaria a Excalibur a espera do eterno e futuro rei bretão.

Na série, Nimue (Katherine Langford) é uma jovem ligada ao povo feérico (uma denominação geral para seres mágicos) que é treinada pela mãe para se tornar a próxima sacerdotisa de seu povo por conta de sua afinidade com o oculto. Nimue, no entanto, rejeita os desígnios da mãe e as habilidades que tem. Tudo muda quando paladinos vermelhos da igreja invadem sua vila e atacam os habitantes. Nimue recebe a mítica espada de seu povo das mãos de sua mãe, que a orienta a entregar o artefato para Merlin (Gustaf Skarsgard). Ao longo de sua jornada Nimue encontrará aliados como um jovem ladrão chamado Arthur (Devon Terrell).

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Crítica – Sombras da Vida


Análise Crítica – Sombras da Vida

Review Crítica – Sombras da VidaEste Sombras da Vida é basicamente uma história de fantasma contada do ponto de vista do próprio fantasma ao invés daqueles assombrados por ele. É menos uma história de terror ou mistério e mais um drama existencial que tenta entender o que é ser um fantasma.

A trama segue o casal interpretado por C (Casey Affleck) e M (Rooney Mara). Quando C morre em um acidente de carro, ele volta para sua casa como um fantasma, daqueles com um lençol branco na cabeça, para observar o luto da esposa. A existência do fantasma se estende ao longo dos anos e ele continua a habitar a casa mesmo depois da esposa ter se mudado do imóvel.

É um filme com poucos diálogos, que se constrói muito a partir das imagens para nos dar a dimensão do isolamento e solidão de seus personagens, seja a esposa enlutada interpretada por Rooney Mara, seja no fantasma que vaga pelas eras. O som é um elemento que ajuda a destacar a solidão e o isolamento dos personagens, seja pelos ruídos ambientes com insetos ou vento que explicitam o vazio daquele lugar, seja pelo uso de efeitos sonoros em volume considerável para mostrar as quebras nesse silêncio.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Crítica – Cavaleiros do Zodíaco: 2ª Temporada



Análise Crítica – Cavaleiros do Zodíaco: 2ª Temporada

Review – Cavaleiros do Zodíaco: 2ª Temporada
Quando escrevi sobre a primeira temporada desta nova versão de Cavaleiros do Zodíaco produzida pela Netflix, mencionei que apesar do esforço de dar um ritmo mais ágil e tornar mais críveis alguns elementos do universo criado por Masami Kurumada, a animação acabava carecendo o impacto do anime original. Esperava que essa segunda temporada melhorasse alguns aspectos, mas tudo continuou igual.

A narrativa continua onde o primeiro ano terminou, com os cavaleiros de bronze sendo salvos do desabamento da montanha após a derrota de Ikki e a chegada de uma nova ameaça na forma dos cavaleiros de prata. Os principais momentos da trama seguem fieis aos do mangá e do anime, no entanto nem todos funcionam por conta de escolhas de adaptação que a série fez.

Um exemplo é o resgate dos cavaleiros pelas mãos de Mu. Como na primeira temporada nunca houve o arco de Shiryu ir até Jamiel consertar as armaduras e conhecer o cavaleiro de ouro de Áries, a aparição de Mu aqui soa jogada de qualquer jeito, mais soando como um deus ex machina preguiçoso do que um elemento natural. Afinal, se Mu não conheceu Shiryu ou Seiya e testemunhou o valor deles em primeira mão, que motivação ele teria para salvá-los? Uma profecia vaga? Porque não acreditar na profecia do Santuário então?

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Crítica – O Mundo Sombrio de Sabrina: Parte 3


Análise Crítica – O Mundo Sombrio de Sabrina: Parte 3


Review – O Mundo Sombrio de Sabrina: Parte 3
O segundo ano de O Mundo Sombrio de Sabrina parecia perder de vista o que tinha tornado seu ano de estreia tão bacana, com uma trama arrastada e personagens pouco convincentes, mas essa terceira parte consegue recuperar a série e trazer de volta o senso de aventura, mistério e temor do ano de estreia.

A trama começa mais ou menos no ponto onde a anterior parou, com Sabrina (Kiernan Shipka) prendendo Lúcifer (Luke Cook) no corpo de Nick (Gavin Leatherwood), mas pensando em uma maneira de salvar o namorado. O aprisionamento do rei do inferno, no entanto, gera uma série de consequências inesperadas, fazendo os poderes de todo o coven de Sabrina e suas tias enfraquecerem e também causando desequilíbrio entre os diferentes planos de existência. Para tentar trazer de volta o equilíbrio Sabrina clama para si o trono do inferno, mas seu reinado é desafiado pelo lorde demoníaco Caliban (Sam Corlet), que inicia um desafio envolvendo a recuperação de relíquias profanas. Ao mesmo tempo, um circo chega a Greendale e nele está um culto pagão a uma divindade ancestral que aproveita a fraqueza das bruxas da cidade para tomar o poder que há em Greendale.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Crítica – The Witcher: 1ª Temporada


Análise Crítica – The Witcher: 1ª Temporada


Review – The Witcher: 1ª TemporadaApesar de ter se tornado famoso nos games, o universo de The Witcher nasceu na literatura pelas mãos do autor Andrzej Sapkowski. É importante lembrar isso porque essa série produzida pela Netflix é baseada nos livros, que tem algumas diferenças em relação aos games.

A trama é centrada em Geralt de Rívia (Henry Cavill). Geralt é um bruxo, um caçador de monstros que passou por uma série de mutações criadas artificialmente para ampliar suas capacidades físicas e ser capaz de enfrentar toda a sorte de criaturas sobrenaturais. O destino de Geralt muda quando ele conhece a maga Yennefer de Vengerberg (Anya Chalotra) e quando é prometido a tutela da jovem princesa Ciri (Freya Allan), uma garota dotada de poderes misteriosos que despertam a atenção de muitas pessoas perigosas.

A série é bem fiel ao universo cinzento dos livros, no qual bem e mal não existem de maneira absoluta e um ser humano comum pode ser mais vil que qualquer criatura sobrenatural. Geralt caminha por esse universo seguindo um código moral próprio, se recusando a matar monstros que não fazem mal a ninguém e preferindo curar ou restaurar criaturas amaldiçoadas a destruí-las. Nesse sentido Geralt é praticamente um protagonista de narrativas noir, um sujeito duro e cínico que tenta sobreviver e preservar a honra em um ambiente de pouca clareza moral.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Crítica – Klaus


Funcionando como uma espécie de “Papai Noel Begins” a animação Klaus tenta imaginar a história de como a figura do Papai Noel se tornou conhecida e como os elementos cercando sua mitologia foram sendo construídos aos poucos. A trama é centrada em Jesper (voz de Jason Schwartzman), um jovem de família rica que não tem nenhum desejo de trabalhar e quer apenas aproveitar a boa vida que a fortuna de seu pai pode lhe proporcionar.

O pai de Jesper, no entanto, quer que ele prove o próprio valor e o envia para chefiar a agência dos correios em uma remota ilha no mar do norte. Se Jesper quiser voltar a sua vida de privilégios, ele precisa entregar seis mil cartas em um ano. O problema é que a vila é habitada por dois clãs que possuem uma rivalidade secular um com o outro e ninguém se interessa por mandar cartas. A situação muda quando Jesper conhece Klaus (voz de J.K Simmons) um lenhador e fabricante de brinquedos que doa brinquedos a crianças que pedem. Jesper então começa a estimular que as crianças enviem cartas a Noel para que consiga atingir a meta de sua agência postal.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Crítica – Frozen 2


Análise Crítica – Frozen 2


Review – Frozen 2
Eu adoro o primeiro Frozen (2013) e o modo como ele se apropriava de uma típica estrutura narrativa de filmes de princesa da Disney e virava boa parte dos elementos conhecidos de ponta à cabeça. Era um filme que resolvia muito bem todas as suas tramas, mas fez rios de dinheiro e era inevitável que a casa do Mickey resolvesse fazer uma continuação. O temor é que este Frozen 2 não tivesse nada a dizer sobre esse universo e personagens, mas consegue encontrar ideias interessantes, ainda que tenha problemas de ritmo.

Na trama, Elsa começa a ouvir um estranho chamado da floresta e lembra de uma história que seus pais contaram sobre uma floresta mística na qual espíritos elementais perigosos foram selados. Ao interagir com a estranha canção da floresta, Elsa liberta os espíritos dos elementos e, com isso, coloca o todo o reino de Arendelle em risco. Agora ela, Anna, Kristoff, Olaf e Sven precisam viajar até a floresta mística para desvendar seus mistérios.

A narrativa tem o mesmo problema de Valente (2012) no sentido de que demora a encontrar o que quer fazer com seus personagens e quais ideias quer transmitir. A primeira meia hora é uma sucessão de diálogos expositivos e gags cômicas que, embora divertidas, fazem pouco para avançar a narrativa ou desenvolver os personagens. Se ocorresse algum problema na projeção antes de chegar na metade e a sessão tivesse que ser encerrada, eu sequer seria capaz de identificar sobre o que é o filme ou qual o arco narrativo desses personagens.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Crítica – Abigail e a Cidade Proibida


Resenha Crítica – Abigail e a Cidade Proibida


Review – Abigail e a Cidade Proibida
Quando escrevi sobre o pavoroso Mentes Sombrias (2018) e o recente Máquinas Mortais (2019) mencionei como esses filmes demonstravam o esgotamento da fórmula de universos distópicos autoritários com tramas infanto-juvenis sobre resistência e independência. Pois a mensagem aparentemente não chegou na Rússia, já que este Abigail e a Cidade Perdida, co-produção entre Rússia e Estados Unidos, repete preguiçosamente todos os elementos típicos deste tipo de história salpicando algumas pitadas de Harry Potter.

A trama gira em torno da jovem Abigail Foster (Tinatin Dalakishvili), ela cresceu em uma cidade cercada por uma grande muralha e governada por um Estado autoritário que justifica seu controle excessivo como a única maneira de manter uma perigosa doença sob controle e seu pai foi capturado ainda quando a protagonista era criança sob a acusação de estar infectado. Logicamente o governo está mentindo e os infectados são, na verdade, pessoas com poderes especiais. No esforço para descobrir o que aconteceu com o pai, Abigail se junta à Resistência (porque claro que há uma resistência) liderada por Bale (Gleb Bochkov) e Stella (Ravshana Kurkova)

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Crítica – Aladdin


Análise Crítica – Aladdin


Review – Aladdin
Já faz alguns anos que a Disney entrou em uma onda de refazer em live action a grande maioria de seus clássicos animados. Embora alguns até pudessem se beneficiar da atualização, como Cinderela (2015) ou Mogli: O Menino Lobo (2016), outros como este Aladdin não precisavam existir, já que o filme original se sustenta perfeitamente bem hoje e tem pouco que mereça ser alterado ou melhorado.

A trama é a mesma da animação. O garoto de rua Aladdin (Mena Massoud) se apaixona pela princesa Jasmine (Naomi Scott, a Kimberly do último filme dos Power Rangers), mas ela só pode se casar com um príncipe e ele não tem chance. Aladdin acaba sendo preso pelo traiçoeiro Jafar (Marwan Kenzari), que lhe dá a chance de conseguir sua liberdade se recuperar a lâmpada mágica da Caverna das Maravilhas. Aladdin acaba ficando com a lâmpada e com o Gênio (Will Smith) que vive dentro dela, usando os poderes do Gênio para tentar conquistar Jasmine.

A narrativa segue as mesmas batidas e pontos-chave do original, contando com poucas modificações. A principal é a subtrama de Jasmine, que a torna uma personagem com mais controle sobre o próprio destino ao mostrá-la tentando reverter as leis machistas de Agrabah para poder se tornar sultana. Há também uma subtrama romântica envolvendo o Gênio e uma das camareiras de Jasmine, Dalia (Nasim Pedrad).

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Crítica – Hellboy


Análise Crítica – Hellboy


Review – Hellboy
No papel, essa nova versão de Hellboy parecia promissora. Uma classificação indicativa alta permitiria ser mais fiel ao material original, o criador do personagem, Mike Mignola, estaria mais próximo da produção e, apesar de não ter mais Ron Perlman como o personagem título, foi encontrado no ator David Harbour (o Hopper de Stranger Things) um bom substituto. O novo Hellboy tinha tudo para dar certo, mas infelizmente não dá.

A trama acompanha Hellboy (David Harbour), um investigador paranormal a serviço de uma agência que monitora ocorrências sobrenaturais. Quando a antiga feiticeira Nimue (Milla Jovovich) retorna dos mortos e ameaça liberar demônios no mundo, cabe a Hellboy e seus aliados deter a ameaça.

O primeiro problema é que a narrativa constantemente perde o foco em digressões que pouco acrescentam  à trama e existem mais como fanservice e para plantar futuras continuações do que para construir o arco do protagonista. Vemos Hellboy enfrentar vampiros, gigantes e a bruxa Baba Yaga sem que essas ocorrências oferecerem muito desenvolvimento. Além da trama fragmentada, o arco de Hellboy e sua incerteza em relação a ajudar uma humanidade que o rejeita é desenvolvido de modo inconsistente.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Crítica – Pokémon: Detetive Pikachu


Análise Crítica – Pokémon: Detetive Pikachu


Review – Pokémon: Detetive Pikachu
Filmes de games levam má fama e com certa razão. A maioria dos esforços de adaptar jogos eletrônicos ao cinema normalmente rendem obras que variam entre o morno, como Tomb Raider: A Origem (2018), e o péssimo, a exemplo de Hitman: Agente 47 (2015). Pokémon: Detetive Pikachu se sai melhor que os demais, sendo minimamente envolvente para valer a experiência (principalmente para quem é fã dos monstrinhos) ainda que não seja nada extraordinário.

A narrativa é centrada em Tim (Justice Smith), um jovem que cresceu sem se interessar em ter pokémons depois de se afastar do pai, que trabalhava como detetive tendo um monstrinho como parceiro. Quando o pai de Tim desaparece misteriosamente, ele vai até Ryme City, uma cidade na qual humanos e pokémons vivem em harmonia, ao invés de usar os monstrinhos para batalhar, para desvendar o sumiço do pai. No apartamento do pai ele encontra Pikachu (voz de Ryan Reynolds) capaz de falar, mas que só Tim consegue entender. O monstrinho diz ser um detetive, mas está sofrendo de amnésia e a única pista do seu passado é o endereço do pai de Tim. Assim, Tim e o detetive Pikachu se unem para resolver o mistério.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Crítica – O Mundo Sombrio de Sabrina: Parte 2


Análise Crítica – O Mundo Sombrio de Sabrina: Parte 2


Review – O Mundo Sombrio de Sabrina: Parte 2
Essa segunda parte de O Mundo Sombrio de Sabrina sofre de muitos dos mesmos problemas da segunda temporada de Riverdale, também produzida por Roberto Aguirre-Sacasa. Ambos segundos anos sofrem com uma trama arrastada, que demora a engrenar, arcos de personagens secundários que não convencem e uma aparente falta de compreensão do que tornou o ano de estreia tão interessante.

A trama continua basicamente onde a primeira parte terminou, com Sabrina (Kiernan Shipka) finalmente fazendo o seu batismo de sangue, aceitando sua herança de bruxa e indo estudar na Academia de Artes Ocultas, deixando para trás seus amigos humanos e seu namorado, Harvey (Ross Lynch). Na Academia, Sabrina precisa lidar com as estruturas arcaicas e machistas da Igreja da Noite e a liderança do Padre Blackwood (Richard Coyle).

Desde a primeira parte já havia ficado evidente que o culto das bruxas servia como uma espécie de metáfora invertida do cristianismo, criticando a imposição de uma fé aos jovens e também o patriarcado anacrônico da Igreja Católica. Aqui isso é construído através de paralelos tão exageradamente óbvios, como a existência de um “antipapa” ou da performance da “Paixão de Lúcifer” ao invés da Paixão de Cristo do cristianismo, que aquilo que era uma interessante metáfora social se torna uma caricatura tosca. A verdade é que quanto mais tempo a trama gasta nesses pormenores da sociedade bruxa, menos interessante tudo fica.

terça-feira, 2 de abril de 2019

Crítica – Shazam!


Análise Crítica – Shazam!


Review – Shazam!
Desde sua divulgação Shazam! se vendia como uma espécie de Quero Ser Grande (1988) com super-heróis e, bem, o resultado final é exatamente isso. Uma mistura de comédia e aventura que remete ao mesmo padrão e estrutura das coisas que a Marvel vem fazendo, com tudo de bom e ruim que isso acarreta.

Billy Batson (Asher Angel) é um jovem adolescente que constantemente foge dos lares adotivos nos quais reside para tentar encontrar a mãe biológica, de quem se perdeu quando ainda era muito novo. Ele acaba indo parar na Filadélfia e é colocado em um novo lar adotivo, no qual conhece Freddy (Jack Dylan Grazer), um jovem deficiente, que caminha com ajuda de muletas e fã de super-heróis. Um dia Billy é transportado para a caverna na qual vive o mago Shazam (Djimon Hounsou), que transfere seus poderes Billy, transformando-o em um herói (Zachary Levi) capaz de proteger o mundo dos monstros que representam os sete pecados capitais.

O filme reverbera temas de poder e responsabilidade de maneira relativamente similar ao que fez Homem Aranha: De Volta ao Lar (2017), com o protagonista se deslumbrando com a possibilidade de ser super-herói, relegando os amigos e seu cotidiano escolar. Também trabalha com a noção de família, em especial com a ideia de que família não apenas aquela na qual nascemos, mas também a que escolhemos. Nesse sentido, o filme acerta ao apresentar o lar adotivo de Billy com um espaço de acolhimento e aceitação, evitando o clichê típico de representar esses lugares como um espaço de abandono e maus tratos.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Crítica – The Umbrella Academy: 1ª Temporada


Análise Crítica – The Umbrella Academy: 1ª Temporada


Review – The Umbrella Academy: 1ª Temporada
Considerando o fim iminente da parceria entre a Netflix e a Marvel, além do fato de que todas as séries fruto dessa parceria já foram oficialmente canceladas pela gigante do streaming, era de se imaginar que a Netflix ia buscar outras fontes para abastecer seu catálogo de histórias de super-heróis. Uma das escolhidas foi a graphic novel Umbrella Academy (que não li) criada por Gerard Way e Gabriel Bá, que tem uma boa temporada de estreia.

A trama é praticamente uma versão mais pé no chão do que aconteceria se alguém juntasse um grupo de adolescente e os treinasse para ser super-heróis (pensem nos X-Men). Uma ocorrência extraordinária faz quarenta e três mulheres ao redor do mundo parirem filhos mesmo sem que estivessem grávidas. O bilionário Reginald Hargreeves (Colm Feore) reúne sete dessas crianças e as treina para utilizar suas habilidades especiais combatendo o crime. A equipe se revela ao público quando eles ainda são adolescentes, mas com o tempo ela se dissolve. A equipe se reencontra anos depois quando Reginald morre misteriosamente. Luther (Tom Hopper), o antigo líder da equipe desconfia que ele pode ter sido assassinado e as coisas ficam ainda mais estranhas quando Cinco (Aidan Gallagher), que tinha desaparecido anos atrás ao tentar viajar no tempo, reaparece através de um portal, ainda com a mesma aparência de quando sumiu.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Crítica – Desventuras em Série: 3ª Temporada


Análise Crítica – Desventuras em Série: 3ª Temporada


Resenha – Desventuras em Série: 3ª Temporada
Quando escrevi sobre a segunda temporada de Desventuras em Série, falei sobre a cansativa repetição da mesma estrutura ao longo de seus episódios e a esperança de uma próxima temporada não cometer os mesmos erros. Pois bem, essa terceira e última temporada de fato evita repetir os mesmos formatos e entrega um desfecho digno para a saga de infortúnio dos irmãos Baudelaire.

A narrativa começa no exato ponto em que a temporada anterior terminou, com o Conde Olaf (Neil Patrick Harris) jogando os irmãos Baudelaire do alto de uma montanha. A partir desse ponto acompanhamos o trio de protagonistas em sua busca para descobrir os mistérios envolvendo a sociedade secreta que seus pais faziam parte, a localização do cobiçado açucareiro e as tentativas de se livrar de uma vez por todas da ameaça do Conde.

Desde o primeiro episódio há uma clara sensação de que a série caminha para o seu desfecho e busca amarrar todas as pontas soltas, refletindo sobre os impactos da jornada sobre seus personagens. Se as duas primeiras temporadas tinham um claro viés maniqueísta, exibindo Olaf como um sujeito completamente maligno e irredimível, a atual o torna uma figura mais complexa ao nos exibir o seu passado e as razões da cisão dentro da organização secreta que ele e os pais dos Baudelaire faziam parte.

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Crítica – O Retorno de Mary Poppins

Análise Crítica – O Retorno de Mary Poppins


Review – O Retorno de Mary Poppins
Não imaginei que a Disney faria outro filme com a babá Mary Poppins, afinal é notório que a escritora P.L Travers não gostou do que Walt Disney fez com sua personagem no filme de 1964 estrelado por Julie Andrews, uma história que também já foi contada nos cinemas em Walt nos Bastidores de Mary Poppins (2013), ainda que o filme alivie um pouco as animosidades entre Travers e Disney. A questão é que o estúdio conseguiu fazer um acordo com o espólio da escritora e assim chegamos a este O Retorno de Mary Poppins.

Na trama, as crianças Banks do primeiro filme já estão adultas. Michael (Bem Winshaw) é um pai viúvo de três crianças e está prestes a perder a casa, enquanto Jane (Emily Mortimer) é uma líder sindical que tenta organizar os trabalhadores durante o período de crise econômica. Assim, Mary Poppins (Emily Blunt) mais uma vez aparece na vida dos Banks, dessa vez sendo auxiliada por Jack (Lin-Manuel Miranda) um trabalhador que cuida das lamparinas das ruas.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Crítica – Detetives do Prédio Azul 2: O Mistério Italiano


Análise Crítica – Detetives do Prédio Azul 2: O Mistério Italiano


Review – Detetives do Prédio Azul 2: O Mistério Italiano
Detetives do Prédio Azul: O Filme, que levava aos cinemas a série do canal infantil Gloob, era uma aventura simpática, ainda que simples. Esse segundo filme não faz muito para ir além do anterior, mas continua a apresenta uma trama leve, imaginativa e lúdica.

A narrativa continua a acompanhar o trio de detetives mirins Sol (Letícia Braga), Bento (Anderson Lima) e Pippo (Pedro Henriques Motta). Dessa vez o grupo precisa viajar até a Itália (daí o título do filme) para desvendar o sumiço das crianças de seu prédio que foram sequestradas pelos bruxos Máximo (Diogo Vilela) e Mínima (Fabiana Karla), que querem usar o canto das crianças para atingirem a imortalidade. Na missão, o grupo de pequenos investigadores contará com a ajuda do avô (Antonio Pedro) de Pippo.

Tal como antes, a trama continua a costurar bem a junção da trama investigativa com elementos de fantasia e sobrenatural. Se quando eu escrevi sobre o primeiro filme mencionei o quanto isso era tributário de narrativas como a do Scooby Doo ou Josie e as Gatinhas (antes do reboot mais sério e sombrio em Riverdale), este segundo filme se aproxima ainda mais dessas referências. O castelo italiano com quadros cujos olhos se movem parece saído diretamente de um episódio do Scooby Doo e o trio de detetives agora tem uma banda na qual Sol toca bateria usando uma tiara com orelhinhas ao melhor estilo Josie.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Crítica – Aquaman




Depois da recepção abaixo do esperado de Liga da Justiça (2017) ficava claro que o modelo do diretor Zack Snyder para os heróis da DC não era mais comercialmente viável. O diretor teve três chances nesse universo e todas as três obtiveram um resultado morno, embora alguns estúdios ainda tenham tentado copiar equivocadamente esse formato como o péssimo Robin Hood. Este Aquaman tinha a missão de mostrar que o universo DC poderia se sustentar sem o diretor e construir em cima das promessas deixadas em Liga da Justiça.

É curioso que enquanto muitos blockbusters recentes, como o já citado Robin Hood, tentam copiar essa estrutura dark e sisuda, o chamado universo compartilhado da DC nos cinemas (que começou em O Homem de Aço) só obteve sucessos incontestes quando foi na contramão disso, abraçando a fantasia e aventura em Mulher Maravilha (2017), e agora tenta ser bem sucedido ao fazer um filme com um quê de matinê dos anos 30 e espírito de uma aventura de capa e espada (ou tridente) neste Aquaman.

Na trama, Arthur (Jason Momoa) é filho de um humano, Tom (Temuera Morrison), com a rainha Atlanna (Nicole Kidman), monarca da nação submarina de Atlântida. Arthur cresce na superfície, alheio ao que acontece em Atlântida, mas quando o seu meio-irmão, o rei Orm (Patrick Wilson) decide declarar guerra à superfície, ele se junta à princesa Mera (Amber Heard) e ao conselheiro Vulko (Willem Dafoe) para deter a guerra iminente e, para isso, precisam recuperar o tridente perdido de Atlan, primeiro rei de Atlântida.